Sunday, March 31, 2013

Tara da ruindade

Veja se isso não soa familiar:

Tem-se a impressão de que os portugueses precisam de emigrar para desenvolverem todos os recursos da sua nativa e latente capacidade. Porquê? Porque na sua Terra a casta dos políticos, a mais vil de todas as castas, como dizia Paul Adam, predomina; absorve as energias nacionais, na mísera ambição e na reles intriga de partidos; revoluciona; revolve até aos seus mais profundos alicerces o equilíbrio social; perturba e enxovalha a serenidade da aplicação e do trabalho; em nome de uma quimérica igualdade, com que incendeia a brutalidade das multidões, decapita e destrói a influência ponderadora das élites e deturpa, avilta, emporcalha tudo, afogando num cataclismo de lama a dignidade de um país inteiro. 

Poderia ter sido escrito hoje sobre o Brasil. Acontece que esse trecho é do início do séc. XX e quem escreveu foi R. Ortigão a respeito da república portuguesa em As últimas farpas.

Como você pode ver, a tara da ruindade é histórica e nos persegue.

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