Sunday, March 24, 2013

Canto dos elfos

(Da primeira cena do Fausto II. A tradução é da Jenny K. Segall.)

Quando do ar o eflúvio morno
Se difunde e à terra ruma,
Baixa o anoitecer em torno
Suave aroma e véus de bruma.
A sorver-lhe o brando hausto
Que a alma afaga e à paz exorta,
Ao olhar deste ente exausto,
Cerra-se do dia a porta.

Já se esparzem trevas mudas,
Vêem-se estrelas que o céu trilham;
Luzes miúdas e graúdas
Perto e no infinito brilham;
Na água espelham-se; cintila
No alto o seu clarão sereno;
E selando a paz tranqüila,
Do luar raia o brilho pleno.

Somem-se dita e pesar!
Aplacou-se a dor de outrora;
Sente-o na alma! Vais sarar;
Fia-te na nova aurora!
No val verde, nas colinas,
A noturna calma pára,
E entre vagas argentinas
Flui a semeadura à seara.

Nada anelos teus entrave,
Vê o céu que o alvor colora!
Só te envolve um torpor suave,
Põe do sono o manto fora!
Que a hesitar outrem se dobre,
Teu ser à obra se encoraje!
Tudo pode uma alma nobre,
Que o alvo entende e ao repto reage.

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