Sunday, October 21, 2012

Seis anos

Sou rústica. Não dou lá muita bola para datas de comemoração. O mais das vezes entro no embalo para agradar aos outros (porque sou rústica, mas nem tanto). Mas por acaso eu estava fuçando aqui e acolá meu blog e notei que... há seis anos mantenho essa bodega! Um chatinho pode dizer: "Grande coisa. Há blogs com mais de dez anos." Ok, seu mala. Acontece que não é você que vai me impedir de dizer que há seis anos mantenho essa bodega (e ainda esfrego em itálico na sua cara enjoada, seu mala). |Já terminei a faculdade. Arrumei outros empregos. Mudei de casa. Fiquei velha. Até contos me aventurei a escrever! Enfim, ainda estou aqui. (E ouvindo outra vez Giulio Cesare do Händel. Caraca, algumas coisas são insistentes mesmo!) Olha que nem mencionei o meu outro blog, Conversas Bizantinas, criação anterior a essa aqui.

Sempre tive a tendência de escrever sobre o que gosto, sem nunca deixar de me posicionar. Agora, isso merece uma explicação. Não é posição no sentido crítico. É no sentido pessoal mesmo. Por isso que gosto de misturar vários assuntos à minha própria vida pessoal. Não é no íntimo da vida humana que a verdade se revela? Toda a especulação que se preza tem que partir de experiências concretas, vitais. Veja o exemplo de Sócrates. Viver, depois filosofar. Sem contar que é mais divertido apresentar essas experiências com uma cor mais viva. Ao menos é o que me sussurra meu dáimon zombeteiro! Já no segundo post, me apresentei e disse do que trataria por aqui. Claro que evitei de entrar em muitos detalhes pessoais. Mas segui tão contente por essa trilha sórdida que não me impedi de escrever sobre meus hábitos&costumes mais chinfrins. Tive até um leve probleminha em meu trabalho por certa coisa que eu disse aqui. E conforme o tempo passava, resolvi assustar quem passava por aqui com as minhas fotos no perfil. (Peço desculpas se a minha cara de boba alegre assustou alguém.)

Blog é uma coisa mais pessoal, não? E há assunto desprovido de interesse? O Chesterton que encabeça o blog diz que não. Escrever algo sobre cultura e o Brasil em geral parece mais relevante do que escrever sobre um dia de pura vagabundagem minha. Ou sobre as minhas idas ao circuito trash da cidade. Mesmo assim, levo fé no gordinho inglês. Se há algo de interessante a ser dito (nem que seja uma distração), que seja dito então. Ainda mais se a palavra estiver unida à alegria da autenticidade, quero dizer, se ela for a expressão de quem a gente é de verdade. É uma delícia! Por isso que detesto formalização postiça, disfarce chique da maior tosquice. Minha afirmação vale tanto para a pomposidade acadêmica quanto para a cultura de tia-avó. O que importa mesmo é a adoção de um ponto de vista pessoal e proporcional às coisas e às pessoas.

Um dos motivos que faziam o Churchill gostar de escrever memorandos era organizar o pensamento. Escrever ajudava-o a trabalhar as idéias. O prazer e a capacidade de arredondar o que se passa na cabeça e no peito são características de um bom escritor. Ter idéia de adequação é mais um ponto fundamental, coisa que o Primeiro-Ministro tinha bastante noção. (Se você quiser fazer uma comparação interessante, leia alguns discursos dele e compare com outros tantos do Hitler. O alemão, no máximo, se tornou peça de um passado estranho. O inglês tem o que nos dizer de positivo até hoje.) É por isso que o uso de um tom postiço falsifica desde a raiz até mesmo aquilo que possa parecer correto. Não foi à toa que Churchill se revelou um prosador tão bom quanto orador. Ainda mais sendo de uma raça tão inclinada à literatura!

Escrevi muitas tronchices. É, eu sei. Ao reler muita coisa, topei com várias coisas erradas. Outras continuei gostando. O que posso dizer é que em geral vi tudo e achei bom. (É feio elogiar a si mesmo, mas vai, me dê um desconto.) Digo que gostei por causa do tom e dos assuntos tratados. Sobretudo da argamassa que uniu ambas as coisas e que se chama sinceridade e espontaneidade. Por mais que as tronchices fossem medonhas, mesmo assim senti prazer com o que li em geral. Como dizia o Ortega, a gente é feliz quando segue atrás de nossa inclinação.

Não custa lembrar que o título A Espectadora é homenagem ao filósofo espanhol. Ele próprio nos presenteou com os volumes incríveis de El espectador (que agora os tenho aqui na minha estante num único volume, ao contrário de seis anos atrás, quando eu só os lia no computador ou na biblioteca) Ali também ele tentou escrever sobre as coisas tal como as via, em cumplicidade sincera com o leitor. A diferença é que, bem, não sou genial nem tão sabida! O que não me impede de ter a liberdade de escrever sobre o que gosto, do jeito que mais me agrada.

Não sei se já agradeci a todos que por acaso passaram por aqui. É muito gostoso compartilhar com os outros daquilo que amamos. Não deixo sequer de agradecer àqueles com quem tive os maiores arranca-rabos. Creiam, não foi nada pessoal. Sempre registrei o tom segundo o que li. Enfim, obrigada a todos. Como dizem os paulistas, é nóis.

5 comments:

Henrique Santos said...

É nóis mermo!

parabéns pelos 6 anos de blog, que venham mais 6!

Gostei do apanhado de posts, me lembrou que tenho que ler este blog desde o início e marcar algumas indicações de livros e músicas. Já reservei o pequenas fábulas da martins fontes.

O ante-penúltimo post (Conto infantil) me lembrou da "polêmica" que ocorreu no site da revista de cultura deste país (sim, está decaindo, mas ainda é a melhor; talvez por ser a única...), mas creio que foi apenas uma coincidência, rs.

Beijos e poste mais!

Henrique Santos

Tanja Krämer said...

Obrigada, Henrique!

Não sei se você vai entranhar, mas os animais mencionados naquela polêmica (eu a acompanhei) me lembraram de uma história infantil que eu gostava muito quando era pequena. Resolvi então pegar os bichinhos emprestados para reescrever um conto inocente. De resto, a relação com aquela polêmica é zero. =)

Beijos, e mais uma vez obrigada!

Evelyn Mayer de Almeida said...

Parabéns, amiga!
Suas palavras são dádivas!

E que venham mais 6!

Deus a abençoe.

Unknown said...

Brigada, Eve!

Unknown said...

Ei, sumiram com meu nome!

Tanja