Thursday, October 11, 2012

Conto infantil

Dona Baratinha enfim arranjou um noivo e iria se casar. Mamãe centopéia recebeu uma carta convidando-a para o casamento. A filha, que adorava dançar, ficou animada:

- Mamãe, mamãe! Será que poderei dançar?

- Acho que sim. Vai ter festa no final.

- Oba! Mas mamãe, não tenho sapatinhos novos!

- Minha filha, você tem tantos...

- Mas quero sapatinhos novos!

- Filha...

- Eu quero muito, muito!

- ... acho que...

- Quero muito, muito, muito!

- ... não precisamos...

- Muito, muito, muito, muito!

- Ai, ai, ai! Está bem. Vamos comprar então sapatinhos novos.

Mamãe Centopéia e a Centopeiazinha Dançante se arrumaram e saíram para fazer compras. No meio do caminho encontraram a Cigarra Mágica, amiga da Centopeiazinha Dançante:

- Aonde vocês vão? - perguntou a Cigarra Mágica.

- Comprar sapatinhos para eu dançar na festa de casamento da Dona Baratinha! - disse a Centopeiazinha Dançante, quase aos pulinhos.

A Cigarra Mágica começou a bater animada as asinhas:

- Sabiam que fui convidada para cantar uma música bem bonita no casamento? Só preciso comprar um vestido. Posso ir com vocês? Seria tão maravilhoso!

Foram todas juntas fazer compras. Elas andaram muito (a Cigarra Mágica voava e cantarolava) até acharem uma loja, onde havia um magnífico par de sapatinhos vermelhos exposto na vitrine.

- Que sapatinhos lindos! - exultou e bateu as asinhas a Cigarra Mágica.

- Mamãe, mamãe! Quero esse!

Mamãe Centopéia colocou os óculos para ver o preço. Que assustador!

- Filhinha, talvez se procurássemos mais...

- Mas é esse que eu quero!

- Eu sei, mas...

- Mamãe, mamãe!

O Grilo Falante, dono da loja, foi ao encontro delas:

- Olá, bom dia! Como estou agradecido por encontrar tão amáveis pessoas por aqui! Não pude deixar de notar o interesse de vocês por esse esplêndido par de sapatinhos. Olhem bem o talhe. Olhem bem a cor. Que par! Que felicidade de feitio! Posso lhes pedir licença para testemunhar meu apreço pela sensibilidade de todas vocês? Quanta ternura! Quanta fineza! A sua adorável filha deve lhe proporcionar muito prazer, Mamãe Centopéia. E que dizer dessa cigarra encantadora, cuja voz é tão melíflua? Eu me sinto enobrecido ao lado de companhia tão aprazível. Aliás, hoje o dia está tão magnífico que...

- Quero os sapatinhos! - interrompeu a Centopeiazinha Dançante.

Mamãe Centopéia estava meio embaraçada. Disse enfim:

- O senhor é muito gentil. Gostaríamos de ver os sapatinhos.

- Gentil senhora, me permita dizer que sou o seu mais leal servidor. Posso ter a honra inenarrável de lhes conduzir para minha humilde loja?

Todos entraram.

O Grilo Falante foi chamar a Formiguinha Trabalhadeira, que estava ocupada com qualquer coisa:

- Ei, você aí! Tenha a fineza de atender essas amáveis pessoas.

A Formiguinha Trabalhadeira se aproximou rápido:

- Em que posso ser útil?

- Sapatinhos! - falou ansiosa a Centopeiazinha Dançante.

- Minha filha gostaria de experimentar aqueles sapatinhos da vitrine. - disse meio constrangida a Mamãe Centopéia.

- Aqui tem vestido? - perguntou a Cigarra Mágica.

- Adorável donzela, é com muito pesar que devo lhe dizer que não trabalhamos com tal produto. Temos só sapatinhos, belíssimos, belíssimos.

- Poxa, mas eu queria tanto um vestido...

- Quero também, mamãe!

- Meu Deus, crianças! - respondeu a Mamãe Centopéia.

A Formiguinha Trabalhadeira correu logo para providenciar os sapatinhos vermelhos, que estavam guardados na parte de cima da loja. Lá foi ela subir, pegar, descer, subir, pegar, descer, subir, pegar, descer, subir, pegar, descer, subir, pegar, descer... Mais uma vez, subir, pegar, descer. Quanto trabalho! Ela se cansou, mas arranjou tudo.

Enquanto a Centopeiazinha Dançante provava os sapatinhos, a Cigarra Mágica viu uns azulzinhos. Eram mais lindos ainda! Não se conteve:

- Amiguinha, olha aqueles azulzinhos. Não são mais lindos?

- Quero os azulzinhos!

E lá foi a Formiguinha Trabalhadeira buscá-los. Voltou a subir, pegar, descer, subir, pegar, descer, subir, pegar, descer... subir, pegar, descer... subir, pegar, descer... subir... pegar... descer... As pernas dela já tremiam por causa de tanto esforço. Mas lá foi mais uma vez. Subiu. Pegou. Desceu.

O Grilo Falante estava emocionado:

- Senhora, não posso deixar de testemunhar a graciosidade dessa menina. Devo confessar que esses sapatinhos azuis admiráveis realçaram ainda mais o encanto único da sua filha. É uma fonte de felicidade constante servir a pessoas tão adoráveis. Que feliz o seu apurado gosto, amável cigarra! Tão jovem, e no entanto...

- Mas eu queria um vestido. Aqui não tem mesmo?

- Conforme eu já tive oportunidade de lhe dizer, amável senhorita...

- Também quero um vestido! - não se conteve a Centopeiazinha Dançante. - Mamãe...

- Obrigada, Senhor Grilo - interrompeu a Mamãe Centopéia. - Ficaremos com os sapatinhos azuis. Quanto custam?

- Magnífico, magnífico! Tão belas pessoas só podem despertar os meus mais generosos sentimentos. Não há valor comparável à graça de o mundo presenciar...

- Mais uma vez agradecida, Senhor Grilo. Qual o preço?

- Gentil dama, gostaria de lhe informar que todos esses sapatinhos, que tão bem se ajustaram nos pés delicados dessa bela flor que é sua amável filha, custarão a ínfima quantia de...

Mamãe Centopéia não gostou muito do valor. Mas como resistir aos olhinhos tão felizes da filha? Comprou.

- Como você está bonita com esses sapatinhos, amiga! - falou a Cigarra Mágica, batendo as asinhas.

- Oba, oba! Estou tão feliz! - respondeu animada a Centopeiazinha Dançante. - Vou dançar muito com eles!

Ao saírem da loja, a Mamãe Centopéia ainda disse:

- Minhas sete irmãs iriam adorar comprar sapatinhos também. Se eu falar com elas logo, quem sabe não vêm hoje? Pode ser que tragam as filhas.

O Grilo Falante não poupou palavras amáveis à Mamãe Centopéia. Já a Formiguinha Trabalhadeira tremeu ao ouvir aquilo e até desmaiou. Pobre Formiguinha!

1 comment:

Mariana said...
This comment has been removed by the author.