Saturday, January 29, 2011

Cria do Nijinsky

Até que ponto isso é culpa do Nijinsky?

Thursday, January 27, 2011

Komoriuta




Do CD Lullaby For The Moon : Japanese Music For Koto And Shakuhachi.

Thursday, January 13, 2011

Tipicidades comunistas

Esse retrato mostra Paulus e oficiais soviéticos discutindo a rendição do 6º Exército no fim da Batalha de Stalingrado.



Agora, uma nota de A. Beevor no livro Stalingrado(p.441).

A fotografia de Karmen foi manipulada em Moscou. O general Telegin foi retirado da foto porque Stalin não o considerava suficientemente importante para uma ocasião tão histórica. (Até a promoção de Diatlenko a major foi acelerada para a publicação da fotografia.) Esse incidente acabou se tornando uma daquelas grotescas farsas da era stalinista. Quando a fotografia apareceu estampada na primeira página do Pravda sem o seu rosto, Telegin ficou apavorado com a idéia de que alguém o houvesse denunciado por algum comentário casual. Contudo, nada aconteceu; portanto, ele achou que estava a salvo, mas depois, em 1948, foi preso de repente por ordens de Abakumov (chefe da SMERSH), sem nenhum motivo aparente.

Wednesday, January 12, 2011

Boa vontade

Só não queria deixar de fazer uma observação, por favoire. É que um dia eu estava numa lanchonete. Não, isso não é a observação. Calma. Enfim. Estava na lanchonete. No meio da parede tinha uma TV. Tinha uma TV no meio da parede etc. Passava uma novela. Um ator bonitinho dando uns amassos na mulher. (Nota. Nos dias atuais, é bom esclarecer sempre. Não seria de se estranhar se ele desse uns amassos num cara, bicho, mineral...) De repente, uma visão. Ao lado da cama, um velho batutinha. Voyeur d'além, tecendo comentários não-sexuais sobre a vida. Ou qualquer outra coisa, sei lá. O cara olhando feito bocó para a assombração, a mulher debaixo dele gemendo. Comovente de se observar aquela self-made girl. Mas o negócio gorou. O cara até tentou se esforçar, apesar do voyeur d'além. Esforço, esforço, esforço. Não deu. Logo, a coitada da mulher também desanimou.

Não sei quanto a você, mas tenho dúvidas sobre o efeito dramático de uma cena dessas. Botar um casal no maior güenta (como diria minha avó) e de repente aparecer o broxante espírito do Senhor Reco-Reco é cômico. A julgar a atmosfera da cena, o efeito almejado era outro. Mas era evidente a falta de bom-senso. "Que tal aparecer o Senhor Reco-Reco bem na hora do güenta, sr. Pepper?" "Great idea, Fox!" Neguinho abusa da nossa boa vontade. Se tivessem lido a crítica do Lessing à aparição do fantasma na Semíramis do Voltaire, talvez não tivessem feito aquilo. Agora, precisava ter lido Lessing para saber o quão ridícula seria aquela cena?

Sunday, January 09, 2011

Inspiração (falta)

Eu queria escrever algo. Bem que eu queria. Juro. Inspiração, cade tu? Tanta gente invocou as Musas... Agora elas nem querem saber de mais nada não. O que me faz lembrar de uma das Elegias de Duíno. Antes, os anjos visitavam Tobias. Tudo tranqüilo. Agora, a mera presença de um deles nos aniquilaria.

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo Anjo é terrível.

(Tradução: Dora Ferreira da Silva)

Ou como diz uma tia minha, sobre os tempos de Cristo: "Naquele tempo, tinha tanta confusão... era tanta gente pra lá e pra cá. Acontecia tanta coisa... Hoje em dia, não tem mais nada." Quero dizer, ela se refere a milagres. Entende? Claro que entende.

Nesse calor, penso em praia. É madrugada, mas meu coração bóia feito caquinha nas águas do Oceano. (Sabe, me dá um orgulho mongol viver às margens do oceano. Dizer que gosto do Rio por causa do mar seria presepada. Mas ele está ali (ou lá, não sei como dizer), como lembrança de que nem tudo se passa. Fora que tomar banho de rio é legal, mas um tanto jeca.)  Hoje mais cedo, até que dei uma passeadinha no Aterro. Embora eu não quisesse falar com ninguém, parece que mau humor, livro e cigarro atraem carniceiros. Às vezes, andar no Rio é pior do que (dizem) andar sozinha em Marrocos. À propos (ai, que chique, ui), determinadas cantadas parecem mais "abuso das convenções, dos artifícios e das nigromâncias mais esdrúxulas" (by João Ribeiro). Enfim. Corei, mas pelos efeitos do claro Hiperiónio (com agudo, sim, viva a tradição literária etc.). O resto mal dá para a vaidade.

Era esquisito ler Stalingrado na praia. Não sei se é o tipo de livro que se deve ler como Maquiavel, que lia os clássicos de pijama à luz de candeia. Sei lá como deveríamos ler. O que sei é que o contraste entre a minha situação na praia e o amontoado sofisticado de miséria que foi aquela batalha era estranho. Olha, ler que neguinho morria com freqüência afogado em latrina por cair exausto de fome e doença é brabo. Ou que em 1944 ainda se enterravam mortos na cidade. Ver essa foto de um soldado alemão capturado por um russo já diz muito. (Também passei a virada do ano correndo os olhos em Stalingrado. Pipocavam os fogos e eu lendo sobre a Operação Urano e coisa e tal.)

O que viria a ser "leitura de praia"? Nietzsche? P. Coelho? D. Brown, segundo uma americana conhecida de uma amiga minha? Nos idos de 2000, li O príncipe de biquíni. Na praia, claro. (Vocês modelos lêem o pequeno. Sou mais adulta.) Daquela leitura, ficou a impressão que eu tinha que maneirar na exposição ao sol. Por sinal, foi um tempo em que instintos bárbaros corriam em meu sangue. Não só lia como destruir inimigos políticos, como perambulava feito nômade. Quero dizer, perambulava não. Bicicletava. Uma das minhas leituras de praia favoritas era O complexo de Portnoy. Enchi de sal também Fahrenheit 451. Li também História Antiga e Medieval, um didático do J.J. de A. Arruda (oh, até onde ia (ou vai) minha perversidade?). Alguns anos depois, foi a vez dos Atos dos Apóstolos (tradução do J. F. de Almeida). Então eu acho que não existe bem isso de "leitura de praia". Tem é gente que curte ler, e ponto. Como não existe "leitura de viagem", "leitura de fila de banco" e tal.

Não comemorei a virada do ano, como eu disse. Isso me parece mais deslumbramento neolítico de quem acabou de descobrir a agricultura (quem leu História das crenças e idéias religiosas do M. Eliade deve saber do que estou falando). Se bem que tomei uma sidra maledicta em honra ao boitatá; concessão maligna. O máximo de alegria de ano-novo que posso ter é ouvir a cantata Jesu, nun sei gepreiset. Você pode até ler uma tradução.



Agora está tarde pra cacete. Preciso dormir. Meu espírito está kaputt. Sem contar o calor. Ainda vendem Dragão Chinês? Ah, estou kaputt, kaputt.