Wednesday, January 12, 2011

Boa vontade

Só não queria deixar de fazer uma observação, por favoire. É que um dia eu estava numa lanchonete. Não, isso não é a observação. Calma. Enfim. Estava na lanchonete. No meio da parede tinha uma TV. Tinha uma TV no meio da parede etc. Passava uma novela. Um ator bonitinho dando uns amassos na mulher. (Nota. Nos dias atuais, é bom esclarecer sempre. Não seria de se estranhar se ele desse uns amassos num cara, bicho, mineral...) De repente, uma visão. Ao lado da cama, um velho batutinha. Voyeur d'além, tecendo comentários não-sexuais sobre a vida. Ou qualquer outra coisa, sei lá. O cara olhando feito bocó para a assombração, a mulher debaixo dele gemendo. Comovente de se observar aquela self-made girl. Mas o negócio gorou. O cara até tentou se esforçar, apesar do voyeur d'além. Esforço, esforço, esforço. Não deu. Logo, a coitada da mulher também desanimou.

Não sei quanto a você, mas tenho dúvidas sobre o efeito dramático de uma cena dessas. Botar um casal no maior güenta (como diria minha avó) e de repente aparecer o broxante espírito do Senhor Reco-Reco é cômico. A julgar a atmosfera da cena, o efeito almejado era outro. Mas era evidente a falta de bom-senso. "Que tal aparecer o Senhor Reco-Reco bem na hora do güenta, sr. Pepper?" "Great idea, Fox!" Neguinho abusa da nossa boa vontade. Se tivessem lido a crítica do Lessing à aparição do fantasma na Semíramis do Voltaire, talvez não tivessem feito aquilo. Agora, precisava ter lido Lessing para saber o quão ridícula seria aquela cena?

1 comment:

trombone com vara said...

E desde quando a tv ainda se preocupa com efeito dramático ?