Monday, March 15, 2010

Apresentações performáticas

Que tal apresentações performáticas? A expressão em si não é lá muito boa, não. Toda apresentação artística envolve uma performance, não? Aquela expressão tem mais a ver com farofice. Não que isso seja ruim por si. Ano passado vi uma de Carmina Burana. Cada solista se vestia e atuava de acordo com o trecho cantado. Foi bem divertido. O ponto baixo foi o corpo de balé. Não é nem que ficou esquisito botarem gente para dançar Carmina Burana. O problema foi a dobradinha gente-que-não-sabe-dançar e coreografia-mal-ensaiada. Perto daquele combo de infelicidade, qualquer dancinha de lambada é a mais alta manifestação do Espírito Absoluto. Não deixou de ser uma diversão (involuntária). Mas tudo bem. A apresentação foi boa.

Não sei até que ponto o seguinte vídeo é uma apresentação performática. Em todo caso, há um elemento extra-musical bem evidente:



(Só falta um dia abolirem essa música por apologia ao fumo.)

Veja como o elemento-farofice já é mais claro nessa outra apresentação:



Confesso que não gostei muito da cantora. Mas o flautista é muito bom. E eu adoro café.

Apresentações performáticas famosas são as do cravista Roberto de Regina, lá na Capela Magdalena. Ele tem o costume de se vestir como um lacaio do séc. XVIII! Repare também na ambientação:



Para fechar, uma arpresentação BEM performática. Nego dançando uma das mil versões da velha Folia. Sem farofice.

4 comments:

Bdelykleon said...

Eu vi umas apresentações do de Regina e são cafonas ao extremo. Ainda mais que ele normalmente toca muito lento e num cravo com um som horrível. Tem um cd dele com uma... galinha na capa. Tuod isso pq ele tocava peças do Rameau e uma delas calhava de ser "La Poule".

Mas no geral essas apresentações caricatas me lembram uns concertos para turistas que vemos frequentemente em cidades europeias muito turísticas como Praga, Paris e Veneza. São a versão highbrow daqueles espetáculos de mulatas no Rio ou do Show de Tango em Buenos Aires.

Não gosto nem da cantata do Café semi-staged, o que é bastante comum visto esse vídeo do Koopman que você postou. Não é uma música dramática, falta direção de palco e essas coisas. Acaba ficando meio cheesy, mesmo quando bem feito.

Já essas companhias de dança barroca são outra coisa. Aí já é algo bem interessante, porque é a recuperação de uma arte perdida.Olha um outro exemplo:

http://www.youtube.com/watch?v=x8bjICzlwic

Tanja said...

Que fantástico esse vídeo! Esses grupos de dança barroca sempre me impressionam demais. Gosto muito da altivez, dos modos, das posturas... É uma coisa tão singular que nem parece que houve um tempo em que se dançava desse jeito! (Essa conversa me lembrou do filme Le roi danse. Vi faz tempo. No Youtube, fizeram uma edição só com as danças: http://www.youtube.com/watch?v=BMvpvDjFvHA . É tudo meio paradão. Chato também é ver cenas de cusparada na cara. Detestável.)

Tanja said...

Por sinal, tem um vídeo de dança que gosto muito: http://www.youtube.com/watch?v=4yurw5Cf4HY . Chego a ficar alegre quando o assisto! É o tipo de coisa que dá vontade de dizer: "Puxa, queria viver naquela época." Claro, ignorando as calamidades, fomes, miséria, baixa expectativa de vida e coisas assim. :-P

Luís Guilherme Fernandes Pereira said...

No meu trabalho não abre youtube, então acabei demorando bastante para ver este post. Segurei como "unread" no Google reader por quase uma semana, porque achei que valeria a pena. E acertei.

Gostei muito do bigodudo do cachimbo :). Quis discordar no segundo vídeo, não consegui. Gostei do cara, e desgostei da cantora. Não achei o lacaio tão performático assim.

Já a Folia, adorei! Daria para escrever um tratado de sociologia comparando essa dança com as danças "primitivas" ou tribais, as danças populares culturais (árabe, alemã, portuguesa) e a dança atual, seja erudita, seja popular. "Don Juán" parece mais com a dança posterior, mas é excelente também! :)