Monday, February 23, 2009

Judeus felizes

Todo mundo (quer dizer, 0,000000000001% da humanidade) está falando do Holocausto por causa do Dom Williamson (expulso da Argentina pela turma da panelada). A turma da média (ou de mérdia) anda dizendo também que a Suíça é nazi/feia/malvadona. Desse jeito quero falar sobre o Holocausto e o nazismo também! Eu só acho o seguinte:



Já que os judeus estão em todas, olha isso. Duvido que tenha algum palestino que toque desse jeito!

Carnaval galante

O carnaval mais aceitável possível. Só se for de Rameau. Um beijo para você. Seja lá onde você estiver.

Sunday, February 22, 2009

Platão liberal

República, Livro IV, tradução do Leonel Vallandro:

- E assim educados - prossegui - tornarão a descobrir por si mesmos todas aquelas pequenas regras que seus predecessores deixaram perder-se totalmente.
- Que regras são essas?
- Refiro-me a coisas deste gênero: o silêncio que os jovens devem guardar diante de pessoas mais velhas; a obrigação de fazê-las sentar-se e ficar em pé na sua presença; o respeito aos pais; a maneira de vestir-se, de calçar-se, de aparar o cabelo, a postura do corpo - enfim, o comportamento em geral. Concordas comigo?
- Evidentemente!
- Mas seria tolice, creio eu, legislar sobre todas essas coisas. Isso não se faz em parte alguma e, supondo que se fizesse, duvido que fosse observado por muito tempo. [Sócrates tinha que conhecer um certo país, onde por lei as pessoas têm que ceder lugar a velhinhos.]
- Como seria possível?
- É provável, pois, ó Adimanto, que o caminho em que é orientado um homem pela sua educação determine toda a sua vida futura. Ou não é verdade que o semelhante atrai o semelhante?
- Como poderia ser de outra forma?
- Até que por fim, creio que não erraríamos em dizê-lo, resultará daí algo completo e vigoroso, que tanto pode ser bom como mau.
- Não se pode negá-lo.
- E por esse motivo - disse eu - não tentarei legislar sobre tais coisas.
- E com razão - volveu Adimanto.
- Mas que diremos, pelos deuses, dessas transações de mercado, dos convênios que uns cidadãos fazem com outros, ou, se quiseres, dos tratos com artesãos, das injúrias e atropelos, das citações em juízo e da escolha de magistrados, da necessidade de tais e tais exações e tributações em praças e portos - enfim, todos esses direitos comerciais, urbanos, marítimos e o mais que se segue? Achas que devemos dar-nos o trabalho de legislar sobre tais coisas?
- Não vale a pena dar tais ordenanças a cidadãos bem formados - respondeu Adimanto. - Eles próprios descobrirão facilmente o que convém regulamentar. [Só que todo mundo é trouxa no Brasil. Pelo menos é o que parece. Querem regulamentar tudinho.]
- Sim, meu amigo, se os deuses lhes permitirem conservar as leis que antes estabelecermos para eles.
- Sem a ajuda divina - disse - passarão a vida impondo e retificando normas, na esperança de alcançar a perfeição. [Hmmm. Os deuses não gostam da gente.]
- Queres dizer - tornei eu - que essa gente viverá como aqueles doentes que não sabem dominar-se e não querem renunciar aos seus hábitos de intemperança?
- Exatamente.
- E o certo é que têm um modo de viver engraçado. Estão constantemente a medicar-se, com o que não fazem mais que agravar e complicar os seus males, e sempre imaginam que vão curar-se com a última mezinha que lhes foi aconselhada.
- É, de fato, o que comumente acontece com tais doentes - disse ele.
- Sim - repliquei - e o mais encantador é que consideram como seus piores inimigos àqueles que lhes dizem a verdade, isto é: que se não deixam simplesmente suas bebedeiras, suas comezainas, suas libertinagens e sua ociosidade, não há droga, cautério, sangria, nem tampouco ensalmo, talismã ou qualquer remédio que lhes valha. [Mas o pessoal só quer saber de Carnaval, Sócrates!]
(...)
- Mas quanto aos que se prestam com tanto afã a curar essas cidades? Não admiras o seu valor e sua bondade?
- Admiro, sim - disse ele - com exceção, todavia, daqueles a quem o aplauso da multidão convence de que são verdadeiros estadistas. Esses não são dignos de admiração. [Tipo o nosso presidente atual.]
- Como assim? Não os perdoas? Quando um homem não sabe medir e muitos outros, que tampouco o sabem, lhe dizem que ele tem quatro côvados de estatura, poderá deixar de acreditá-los?
- De fato, não pode.
- Não te irrites com eles, portanto. A verdade é que são impagáveis; põem-se a legislar sobre todas as bagatelas que enumerávamos há pouco, fazendo constantemente retificações para as fraudes nos contratos e as outras patifarias de que falei, sem perceber que não fazem mais do que cortar as cabeças da Hidra. [Pois é. E você continua votando nessa gente?]
- E por certo - disse - não é outra a sua tarefa.
- Por isso - continuei - não creio que o verdadeiro legislador deva preocupar-se com esse gênero de leis e constituições, tanto na cidade bem regida como na que não o é; pois nesta não têm nenhuma eficácia e, naquela, não há a menor dificuldade em traçá-las, havendo, até, muitas que decorrem por si mesmas do sistema de vida reinante.


E ainda tem mongo que diz que o homem era totalitário... O negócio é Platão na cabeça!

Saturday, February 21, 2009

Charpentier: Tenebrae factae sunt

Não escutei todas as Méditations pour le Carême (Meditações para a Quaresma) do Charpentier. Só a sétima (Tenebrae factae sunt). Para dizer a verdade, eu nunca tinha ouvido nada do Charpentier. Me dei conta de que andei dormindo no ponto legal. Caramba, essa Tenebrae factae sunt é boa demais! É um moteto a três vozes e baixo contínuo. O sentimento é algo triste. Um pesar. Começa e termina meio meditativo, meio dolorido. A parte central é muito expressiva. É como se de repente a dor extravasasse. São os momentos mais dramáticos.

Melhor ouvir, né?



Up: Esqueci de dizer que cantam num latim afrancesado. É divertido.

Mitten wir im Leben sind

Como eu disse no outro post, Lutero fez uma tradução do hino Media vita in morte sumus. É a Mitten wir im Leben sind. Na verdade é mais que uma tradução. É outra versão. Lutero quis desenvolver mais o original. A versão dele é bem maior.

Eu também disse que pelo menos o Bach e Mendelssohn musicaram esse hino na versão do Lutero. No Youtube não encontrei nada. Ainda bem que eu tinha essas músicas.

Eu tinha achado uma página com o hino e uma tradução para o inglês. Como não sei se a página vai durar muito, coloco pelo menos o original em alemão. Só não me perguntem se no alemão do Lutero estava escrito assim.

Mitten wir im Leben sind
Mit dem Tod umfangen.
Wen suchen wir, Hülfe tu,
Daß wir Gnad erlangen?
Das bist du, Herr, alleine.
Uns reuet unser Missetat,
Die dich, Herr, erzürnet hat.

Heiliger Herre Gott,
Heiliger starker Gott,
Heiliger barmherziger Heiland,
Du ewiger Gott,
Laß uns nicht versinken
In der bittern Todesnot.
Kyrie eleison.

Mitten in dem Tod ansieht
Uns der Höllen Rachen.
Wer will uns aus solcher Not
Frei und ledig machen?
Das tust du, Herr, alleine.
Es jammert dein Barmherzigkeit
Unser Sünd und großes Leid.

Heiliger Herre Gott,
Heiliger starker Gott,
Heiliger barmherziger Heiland,
Du ewiger Gott,
Laß uns nicht verzagen
Vor der tiefen Höllen Glut.
Kyrie eleison.

Mitten in der Höllen Angst
Unser Sünd uns treiben.
Wo solln wir denn fliehen hin,
Da wir mögen bleiben?
Zu dir, Herr, alleine.
Vergossen ist dein teures Blut,
Das gnug für die Sünde tut.

Heiliger Herre Gott,
Heiliger starker Gott,
Heiliger barmherziger Heiland,
Du ewiger Gott,
Laß uns nicht entfallen
Von des rechten Glaubens Trost.
Kyrie eleison.

Agora, as músicas. Primeiro, a versão do Bach, BWV 383. É um coral mais ou menos simples. Só uma parte do hino é cantada.



A música do Mendelssohn faz parte do op.23 (Drei Kirchenmusiken). É a terceira do opus.

Thursday, February 19, 2009

Media vita in morte sumus

A Suíça tem andado na boca do zé povinho. Vou aproveitar para mostrar uma coisa legal de lá.

Existe um hino religioso que gosto muito. Ele se chama Media vita in morte sumus. É uma antífona muito antiga (acho que do séc. IX). O que isso tem a ver com a Suíça? É que foi um monge daquelas redondezas que a compôs (ou não; já vi dizerem que é uma atribuição equivocada). Foi o Beato Notker. Ele vivia em Sankt Gallen (ou São Galo). Não é lá onde fica a sede da FSSPX? Enfim. Dizem que um dia ele estava vendo uns caras construindo uma ponte sobre um abismo. Aquilo chamou a atenção dele. De repente... click! Veio a inspiração! Ele foi correndo escrever Media vita in morte sumus. Vivemos prestes a cair num abismo? Só Deus para nos salvar.

O Beato Notker foi um dos poetas mais importantes da Idade Média. O Lutero também conhecia as composições dele (até porque entraram no hinário da Igreja). Traduziu pelo menos aquele hino para o alemão. É o Mitten wir im Leben sind. Essa versão é bem mais comprida que a original. Foi musicada pelo Bach e Mendelssohn (até onde sei). Ela faz parte da coletânea Lyra Germanica.

Agora, o hino. Depois coloco as versões do Bach e do Mendelssohn. Não encontrei nada no Youtube. Só mais uma coisinha. Dia desses escrevi uma outra versão desse hino. Não é tradução.



Media vita in morte sumus
quem quærimus adiutorem,
nisi te Domine,
Qui pro peccatis nostris iuste irasceris?

Sancte Deus,
Sancte fortis,
Sancte misericors Salvator,
amaræ morti ne tradas nos.

In te speraverunt patres nostri,
speraverunt et liberasti eos.

Sancte Deus,
Sancte fortis,
Sancte misericors Salvator,
amaræ morti ne tradas nos.

Ad te clamaverunt patres nostri,
clamaverunt, et non sunt confusi.

Sancte Deus,
Sancte fortis,
Sancte misericors Salvator,
amaræ morti ne tradas nos.

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto.

Sancte Deus, etc.

Wednesday, February 18, 2009

Mais pasmaceiras: Régis Bonvicino

Dessa vez foi um tal de Régis Bonvicino que resolveu dar uma opinião ainda mais bizarra.

Ele começou assim: "Estou horripilado com o tratamento que Paula Oliveira recebe da polícia suíça". "Horripilado". Já começou emo. Nada bom.

O que eu disse do Fiuza vale para o Bonvicino. Tudo começa com aquela conversa-mole: "É preciso investigar com imparcialidade, blá blá blá". Beleza. Você pode achar o que quiser das investigações da polícia suíça. O problema é que sempre, sempre, vem um freak show combo. O negócio é que o Bonvicino conseguiu ser ainda mais sem-noção que o G. Fiuza. Melhores momentos: "Suíça – a maior lavanderia de dinheiro sujo da história recente da humanidade, um sangue-suga que vive do crime em terra alheia"; "Que autoridade moral tem um Estado que permite há séculos que criminosos do mundo inteiro lavem seu dinheiro sujo nele?"; "Adolf Hilter ajudou a aperfeiçoar o sistema suíço"; "Aqui e ali a Suíça abre mão, em termos formais de seu sistema, para, na verdade, protegê-lo, ludibriar o mundo"; "Que autoridade tem esse Estado pífio, que usou sua neutralidade perpétua to make money, proclamada em 1815, para acusar Paula Oliveira?"; "Suíços odeiam europeus, que odeiam estrangeiros"; "O sistema bancário suíço deve ser urgentemente desmontado pelo bem da humanidade. E sua Justiça deveria ir para a cadeia! Vergonha, Suíça!"

Queria ver a reação de um brasileiro médio se lá fora chamassem o Brasil de "Estado pífio", covil de ladrões e tal. Depois desse freak show, é Régis Bovino na cabeça.

Esse povo nunca está satisfeito. Não querem justiça num caso particular. Querem salvar o mundo. Nice guys against the evil world! Os mugidos do Bovino destruirão a Suíça.

Então você vê. O Bovino começa clamando de um jeito emo por justiça. Aí do nada começa a falar mal da Suíça e do sistema bancário. Termina *exigindo* que o sistema bancário suíço seja desmontado em nome da felicidade humana.
Como ele ficou todo horripilado com o tratamento dado à Paula, só resta destruir o sistema bancário suíço em nome da pax humana. Tadinho, né? Então tá.

O cara é mucho loco. Pode estar sofrendo do mal da vaca louca. Tem o que refutar? Não. É tudo apenas a demonstração dos desejos bovinos.

O jeito é dar um conselho de carnaval. Macaco, olha o teu rabo, senão vai haver o diabo!


Tuesday, February 17, 2009

Pasmaceiras de Guilherme Fiuza

Guilherme Fiuza resolveu dizer pasmaceiras sobre a Suíça. Só babaquice.

Antes, uma coisa. Brasileiro tem uma habilidade fora do comum de falar mal dos outros países. O pior é que muitas vezes fala enquanto aproveita das comodidades alheias. O que conheço de neguinho que malha o país que o recebeu é uma coisa de louco! (Isso quando não fala na cara do sujeito do outro país.) Só vi coisa parecida com palestinos nos EUA. Não é o caso (até onde sei) do G. Fiuza. Só que é ridículo demais dar uma de gostosão morando no muquifo em que mora.

Pergunta: esse cara não se enxerga? Não sabe onde vive? É melhor esclarecer. É quase proibido ter armas no Brasil. Você não pode sequer beber um pouco. Precisa de milhões de documentos. Tudo tem que ser carimbado, autenticado. Quase metade do suor do seu rosto é para sustentar burocratas. As pessoas aqui acham normal o Estado obrigar todo mundo a estudar, a votar... Acham até que o Estado deveria obrigar todo mundo a tomar vacina. Existe lei para você conferir a cozinha de restaurantes e lanchonetes. Existe lei para mulher entrar em determinado vagão. Tem lei que diz até que qualquer um pode entrar em qualquer elevador! Sem contar a história desse país. Por quantos anos houve ditaduras? E ditaduras fascistas? E quando ele reclama da corrupção suíça? Desculpe, mas puta que pariu. Como é que um brasileiro pode reclamar enfezadinho de corrupção? Ainda mais da Suíça!

Tudo isso já torna ridículo qualquer brasileiro que diz com nariz empinado: "Ai, credo, esse país tem ranço fascista!" Agora, tem que ter merda na cabeça, mas merda demais, para dizer que a Suíça é um país de "inclinações totalitárias". Será que esse cara já consultou ao menos uma enciclopédia no verbete "Suíça"? Cara, em que universo esse G. Fiuza mora? A Suíça não quis entrar na União Européia por temer restrições à liberdade. (Bom, isso se os socialistas de lá não levarem também o país para o buraco.) Lá é um país multicultural para valer, com três ou quatro línguas (diferente do "multiculturalismo" brasileiro, que na verdade é tudo, menos multicultural). Cada um dos cantões varia bastante. Isso por razões históricas. Ela está mais para uma confederação (se bem que isso é mais do ponto de vista histórico e cultural). Até o nome oficial deixa isso claro: Confoederatio Helvetica. Está bem longe de ser uma nação homogênea.

A Heritage Foundation diz que a Suíça é, do ponto de vista econômico, um dos países mais livres do mundo. É o 9º mais livre do mundo:
Switzerland's economic freedom score is 79.4, making its economy the 9th freest in the 2009 Index. Its score is basically unchanged from last year. Switzerland is ranked 3rd out of 43 countries in the Europe region, and its overall score is much higher than the world average.
Switzerland's openness to global commerce has allowed its small economy to be one the most competitive and flexible in the world. With an efficient business environment and well-maintained macroeconomic stability, Switzerland has long benefited from vibrant entrepreneurial activity.
The average tariff rate is low, and commercial operations are protected under the regulatory environment and aided by a flexible labor market. Inflation is extremely low. Foreign investment is welcome, and screening applies to only a few sectors. Both foreign and domestic investors have access to adequate sources of credit. The national financial sector leads the world and is both protective of privacy and open to foreign institutions. The judiciary, independent of politics, enforces contracts reliably. Corruption is virtually nonexistent.
Destaquei em negrito o que mais interessa: 1) é uma das economias mais livres do mundo; 2) está aberta a negócios estrangeiros e é segura; 3) judiciário independente da política; 4) corrupção quase zero. Como é que um país de "inclinações totalitárias" pode ser assim? Sò falta dizer que a Heritage Foundation defende países totalitários!

E o Brasil? Sabe qual a colocação nossa, segundo o mesmo ranking da Heritage Foundation? 105º numa lista de 179 países! Isso mesmo. Atrás de Botsuana (34º), Mongólia (69º), Guatemala (87º) e Butão (100º). Mas ok. Vencemos Mali (114º), Tajiquistão (122º), Timor Leste (149º), Chade (161º) e Venezuela (174º). Somos da turma dos "mostly unfree". Veja o que diz a Heritage Foundation sobre a nossa posição entre países da América Latina:


Brazil is ranked 21st out of 29 countries in the South and Central America/Caribbean region, and its overall score is well below the regional average.


Lindo. Também eles dizem: "Starting a business takes about four times the world average of 38 days, and obtaining a business license takes more than the global average of 225 days. Closing a business is difficult"

E nossa corrupção? Segundo o Corruption Perceptions Index: 80º (a lista tem 180 países). Estamos empatados com: Burkina Faso, Marrocos, Tailândia e Arábia Saudita. Na nossa frente: Suriname (72º), Cuba (65º), Butão (45º), Botsuana (36º). E a Suíça, aquele "paraíso mundial da corrupção" (by Fiuza)? Está entre os cinco países menos corruptos do mundo, empatada com a Finlândia. Bacana é a gente. 75 posições atrás.

E a acusação de xenofobia? Outro absurdo. Como é que um país multicultural pode ser ao mesmo tempo xenófobo, caraio? Mas o G. Fiuza não é o único, er, "jornalista" a dizer esse tipo de coisa. Vira e mexe aparece algum jornal bobo lá fora dizendo a mesma coisa. Na cabeça dessa gente, xenofobia é gostar do próprio país, ser cristão e não querer participar da União Européia. Se um dia você puser os pés na Suíça (ou conversar com algum suíço normal), vai ver que essa acusação de xenofobia é mentira. O máximo que você vai ver é orgulho patriótico (ainda mais em certos cantões históricos, tipo Uri). Mais uma coisa. Como é que um país xenófobo aceita zilhões de instituições internacionais no próprio território? Isso sem contar outra coisa. É que não lembro o número exato, mas quase 20% da população é de estrangeiros. Qual a proporção de estrangeiros aqui no Brasil mesmo? País tão hospitaleiro...

De onde o G. Fiuza tirou essas idéias bobocas? Sei que vieram da merda que ele tem na cabeça. Mas onde ele arrumou toda essa merda? Não dá para entender todo esse preconceito mané. E por que ele usou um caso policial ainda sob investigação para malhar a Suíça?

Esse cara já foi editor da sessão de política no O Globo. Parece até que comprou o cargo!

Coisas assim fazem o Olavo dizer que a única resposta possível nessas situações é mandar o cara para aquele lugar.

Thursday, February 12, 2009

Adendo ao post anterior

Esse negócio de ser sempre considerado ignorante até quando vira presidente deve dar um puta de um ressentimento. Você pode até gostar de jogar na cara de todo mundo que não precisou estudar para ser governante. Certo. Mas isso não vai tornar o sujeito menos ignorante. A afirmação da identidade num caso desse tem um duplo efeito. Primeiro você se sente super pimpão. Em seguida você lembra que só fez pose porque tem mesmo uma inferioridade descarada. Você sempre vai se considerar muito maravilhoso. Conseguiu um cargo legal apesar de tudo. Mas também vai sempre se considerar um "oprimido pelas circunstâncias da vida". Não deve ser legal ser uma pessoa ressentida.

É bem pior na verdade ser governada por gente ressentida.

Presidente que não gosta de ler quer escrever uma coluna de jornal

(Notícia da outra semana. Achei que teria coisas mais legais para publicar. Deixei esse post de lado.)

Lula quer criar uma coluna chamada "O Presidente responde" em jornais populares. Responde o quê? Por que é amigo pessoal das FARC? Amigo do presidente cocaleiro Evo Morales? Isso o torna um cúmplice dos males causados pelo tráfico de drogas no Brasil. Se não fosse por gente que nem Lula, haveria 70% a menos de homicídio no Rio de Janeiro.

O mais bonito é que ele quase nunca dá coletivas. O que aconteceu para ele de repente sentir vontade de responder o que não lhe é perguntado? Nem nas eleições ele queria saber de debates.

A notícia diz também assim:

Lula parece seguir práticas de outros presidentes da América Latina. No início deste ano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, começou a publicar a coluna “As linhas de Chávez”. Na Bolívia, Evo Morales lançou o jornal estatal Cambio. Em Cuba, o ex-governante Fidel Castro assina a coluna “Reflexões de Fidel”.


"Parece seguir". Ok, ok. Coincidência, não? Nem existe um troço chamado Foro de Sâo Paulo. Nem essa gente vive conversando. É tudo uma coincidência cósmica.

Mas também a notícia diz o seguinte:

[O governo t]ambém ressalta espaços abertos em novos veículos de comunicação: “Foram abertos inéditos espaços de interlocução com novos públicos de mídia, por meio de portais informativos na Internet (UOL, IG, G1, Terra, Portal Limão e Agência Brasil) e de jornais populares (Meia Hora/RJ, Super Notícia/MG, Diário Gaúcho/RS, Agora São Paulo/SP, Aqui DF/DF, Daqui/GO, Notícia Agora/ES e Notícia Já/SP)”.


Tradução do embromation: "Jornais e portais resolveram puxar o nosso saco. Se não puxar a gente ferra com eles. Conosco ninguém pode." Pior que depois jornalista fica se fazendo de gostosão-esclarecido-que-é-contra-todos-os-governos. Como diria um personagem de comédia: "Ah, para, ô".

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Essa é para o pessoal muito otimista.

O governo do Lula tem sete anos. O FHC teve oito. São QUINZE ANOS de governos esquerdistas. Fomos de um esquerdista que pelo menos não era cúmplice de terroristas para um deste tipo. Radicalizou.

O único partido de, er, "direita", quis ser agora que nem o Democrata.

Coloca aí mais dois mandatos de governo de esquerda. Oito anos. Seriam 23 anos de governo esquerdista. 23 anos é quase uma geração. O Golpe de 64 nem durou isso tudo.

O III Reich durou uns 12 anos. Você já sabe o que os nazis aprontaram nesse tempinho. Agora imagina um governo esquerdista-maluco-discreto atuando por quinze anos. Imaginou? É o Brasil. Claro.

Quer um exemplo do que acontece quando deixam esquerdistas alucinados muito tempo no poder? Veja o Rio de Janeiro. HÁ MAIS DE VINTE ANOS ELES GOVERNAM ESSA BUDEGA. Já tentaram de tudo. Já criaram CIEP. Já quiseram mexer na polícia. Já fizeram leis bacanas para todo mundo se amar. Sabe o resultado? Virou costume você encontrar gente se drogando feito louco. Tiroteios são diários. De cada dez homicídios, sete são causados por armas de fogo. Só no primeiro semestre do ano passado, morreram por causa de armas de fogo 2015 pessoas. No mesmo período em 2007, foram 2152 mortes. Quase 1/3 das armas apreendidas foram fuzis, submetralhadoras, metralhadoras e pistolas. Até março de 2008, os EUA perderam uns 4 mil soldados no Iraque. O negócio está brabo. A Cruz Vermelha já considera o Rio zona de guerra. Só a polícia do Rio (é o que dizem) foi responsável por 1330 mortes em 2007. Faça as contas. Em 2007, muito por baixo, foram 3482 pessoas mortas! Sâo quase 1500 mortes a mais que o total de baixas brasileiras na Segunda Guerra inteira! Ou quase o total de mortos e feridos americanos no ataque japonês à Pearl Harbor!

Que tal uma Pearl Harbor carioca por ano? Só que morre muito mais gente aqui por ano.

Legal querer salvar a educação. Mas adianta alguma coisa se chega um cara dando um tiro em você? Lógico que não. Adianta salvar a saúde se você pode levar um tiro no hospital? Não. Adianta você ganhar bem, ter conforto e tal, e ser assassinado por isso? Também não. Qual a solução que neguinho dá? Mais mandato para esquerdistas!

Sei não, viu. Isso aqui está mais com cara de game over. O jeito é agir bem por uma questão de princípio. Só por isso. Puro pessimismo? Pessimismo é algo subjetivo. Só o Rio teve 3482 mortes bem objetivas ano passado.

Monday, February 09, 2009

Conferência de Alejandro Peña Esclusa

Ok, recado antecipado pra chuchu. Mas é para você já ir sabendo. (Bom, esqueceram de escrever alguma coisa no recado. Nâo reclame comigo.)

A Academia Brasileira de Filosofia para a conferência com ALEJANDRO PEÑA ESCLUSA, Ex-Candidato à Presidência da República da Venezuela e maior líder da oposição ao Presidente Hugo Chávez.

"TOTALITARISMO BOLIVARIANO CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO NA AMÉRICA LATINA".

DIA 23 DE ABRIL
Hora: 10:00H ÀS 13:00H
Local: Sede da Academia Brasileira de Filosofia
Rua: Riachuelo, 303 - Casa de Osório - Centro
Maiores informações: 21 2252-8593

Entrada Franca
Estacionamento Privado na Rua Riachuelo, 305.


Qualquer coisa, entra no site da Academia.

Friday, February 06, 2009

Revisionismo*

Começo com John Lukacs: "A disciplina histórica é revisionista por excelência". Chamar certos estudos sobre o nazismo de "revisionistas" é um equívoco. Esse termo não tem (ou não deveria ter) nada de maligno. Qualquer estudo que reavalie o atual estado de conhecimento de um determinado assunto é revisionista. Só é possível o trabalho científico a partir da confrontação de teses. Trabalho de análise crítica. Mas a história é ainda mais revisionista ainda. Ela é sempre uma confrontação de interpretações a partir de tal ou tal dado. Ela não é só uma confrontação de dados.

A história também é persuasão. Acho que foi o J. Lukacs que disse também que fazer história não é igual a ser advogado ou juiz. Ser advogado também tem a ver com persuasão. Acontece que não existe "veredicto da história". O juízo histórico é uma sentença que pode ser sempre recorrida. Ela é sempre provisória. É como a vida humana. Ela é provisória porque é um problema constante. "A vida não nos foi dada pronta"; "Não nos foi dado um roteiro a seguir na nossa vida" (by Ortega). Essa é a condição da vida humana. Como a história também parte da vida humana, ela não poderia ser diferente. O máximo que você pode fazer é ter uma espécie de arte para a vida e para a história.

O nosso conhecimento do passado é sempre problemático. O passado em si tem consistência de coisa (again, by Ortega). Ele é um simples dado. É por isso que ele é vital num sentido relativo. É vital enquanto parte constitutiva nossa. O problema é como lidar com ele. Como interpretá-lo. Isso não tem nada a ver com relativismos. Tem quem acha que a "verdade" não se aplica à história porque tudo é passível de interpretação. Neca. Acontece com história igualzinho o que o Aristóteles falou da metafísica. Uma das definições que ele deu da metafísica foi: "ciência que estamos sempre buscando". É assim com a história também! O que faz alguém historiador não é o domínio pleno do passado. Nem é o domínio "técnico" do passado. É quase a fé na busca pela compreensão mais correta do que aconteceu. Até porque nem seria possível subjugar o passado**. O nosso conhecimento histórico é sempre indireto e abstrativo.

A história trabalha com coisas. Mas trabalhar com coisas exige um impulso para movimentá-las. Esse impulso vem com a crítica (ou revisão). Fugir da crítica engessa o trabalho histórico. É o que existe de mais anti-vital em termos de pesquisa histórica. Mas o consenso histórico também pode adquirir aspecto de coisa. Ele mesmo pode ser tomado como dado histórico. Por isso o historiador precisa sempre revivificá-lo.

Um exemplo. O Henri Pirenne foi um dos responsáveis pela tese de que a Idade Média era um sistema auto-suficiente, sem circulação monetária e tal. Mais tarde o Marc Bloch chegou e disse: "Calma lá, amigo! Não foi bem assim!" Havia sim comércio, circulação monetária... O que houve foram flutuações de época em época. A tese do H. Pirenne ganhou notoriedade? Sim. Tanto é que até hoje em dia ela está na boca do povão. Mas o M. Bloch tem mais razão à luz dos dados. Como ele conseguiu isso? Crítica de fontes. Revisando. Ele acabou reorientando os estudos sobre Idade Média graças a isso (e outras coisas também).

Não interessa qual é a motivação do pesquisador. Descobrir as motivações ocultas é trabalho de psicólogo. O que importa é o resultado do trabalho. A obra é científica? Então deve ser criticada como obra científica. Não pode ser jogada no lixo porque "Nós o Consenso não concordamos" ou "ela mostra coisas que a gente acha feio". Agir assim é transformar a autoridade científica numa tirana.

*Citações de cabeça. Não estou com vontade de subir e descer milhares de livros da estante.

*Só para evitar outro equívoco. Entendo "subjugar o passado" no sentido de dominar por inteiro cada uma das partes dele (ou qualquer coisa parecida com uma "causa primeira histórica"). Seja qual for a abrangência do período estudado. Pode ser a Antigüidade inteira. Pode ser o período Clássico. Pode ser uma instituição democrática atenisense. Pode ser o processo material de escrita na Academia entre os anos 349-332. Pode ser o último dia de vida do Alexandre. Tanto faz. Digo isso porque o Ortega entende outra coisa por "subjugar o passado". Isso significa para ele "estar à altura dos tempos". "Se não dominarmos o passado, ele nos subjugará" (by Ortega). É mais ou menos aquilo que o Olavo fala sobre os patamares de conhecimento. A diferença é que o Ortega também enfatiza o aspecto vivencial (melhor, vital) de se "estar à altura dos tempos". O que a gente pode vir a ser é inesgotável. A única condição é que não podemos ser de novo o que já fomos. Sem contar que qualquer "retorno" (ou só um engessamento) seria uma catástrofe civilizacional.

Bizarrices modernas: Enigma

Quer um exemplo da "mentalidade moderna"? (Me desculpa pela expressão. Eu pelo menos não agüento mais ouvir falar em "mentalidade". Mea maxima culpa.) É a banda Enigma. Ou pelo menos a música Sadeness. Mistura bizarra de gregoriano (elemento religioso/tradicional) com batida eletrônica (elemento moderno) e voz sexy (forrobodó). Se bem que tem um som de sopro que já ouvi índio ou aborígene australiano fazer. Enfim. É insólito demais. É como se fosse uma paródia de espiritualidade. O gregoriano foi esvaziado. Só serviu como contraponto de um negócio sensual. É a espiritualidade mudernosa tentando assumir o espaço da tradicional. Parece (pelamordedeus, eu disse parece) um exemplo do pseudomorfismo do Spengler.

A música é quase um mantra. Parece repetitiva. Você não entende o que os monges cantam (só se souber latim). Mas ouve toda hora uma mulherzinha sussurrando em francês.

O clipe é bizarro também. Um cara (Sade?) adormece escrevendo. (Você já viu uma coisa dessas? Alguém dormir escrevendo? O diretor desse clipe não devia ser letrado. Tudo bem, o ambiente era escuro. Só era iluminado por uma ponte de luz saída da janela. Até lembra um desses quadros barrocos tipo O chamado de São Mateus. O diretor pelo menos conhecia alguma coisa. Enfim.) De repente aparecem as ruínas de uma catedral com um monge (Sade?) vagabundeando feito bestão*. Vira e mexe aparece também uma mulher com cara de refugiada bósnia (acho que naquela época tinha guerra nos Bálcãs). Ela fica repetindo em francês: "Sade, dis-moi"; "Sade, donne-moi". Dizer o quê? Dar o quê? Só sei que ela estava com cara de quem precisava comer rápido. Não deve ser legal ser bósnia. No final o carinha (Sade?) acorda assustado, olhando para a luz. Todo es kitsch. Na melhor das hipóteses.



Ouvi pela primeira isso quando era picurrucha. Só que as coisas ruins ficam na cabeça. Céus.

*Isso vai acontecer se os comunistas islâmicos tomarem a Europa. Olha que o clipe pode ser profético!

Thursday, February 05, 2009

Arnaldo Jabor

O A. Jabor falou umas coisas bizarras ontem no Jornal da Globo. Ele foi comentar o bafafá em torno do caso Dom Williamson. Os arjumentos foram mais ou menos assim:

1) O Papa atual é "para dentro"; o anterior era "para fora". João Paulo II se aproximava do mundo. Bento XVI quer que o mundo se aproxime da Igreja;

2) É por isso que o Papa se embanana todo com freqüência. Primeiro arruma confusão com os muçulmanos. Depois batiza um ex-muçulmano que o botou numa saia justa por um motivo aí que nem lembro;

3) O Papa quer reunir secos e molhados. João Paulo II havia chutado o pessoal radical. Agora, Bento XVI vai ter que se ver com essa gente reacionária;

4) É desculpa esfarrapada essa história de que o Papa não sabia das opiniões do Dom Williamson. Como não? O chefe da Igreja não sabe do que acontece no quintal dele? "Ué, mas o Papa não é infalível?" (Aí o A. Jabor dá um sorrisinho. Depois um apresentador com olheiras também dá um sorrisinho.)

O problema do A. Jabor é a clássica confusão (brasileira, 1980 circa) entre fatos e opiniões. Presta atenção no que o homem sempre diz. Nunca dá para saber direito se ele diz o que deseja ou se faz uma descrição objetiva das coisas. O que ele diz desse bafafá é um exemplo lindo. Tudo o que ele descreve cai logo nesse problema da confusão. Isso quer dizer que ele não está descrevendo coisíssima nenhuma! O que ele faz é pegar a idéia de que o Papa é "fechado", "reacionário", "anti-modernidade", blábláblá, para montar um, er, "raciocínio". O verniz do raciocínio são os acontecimentos. É claro que com pressupostos bizarros ("fechado", "reacionário" e "anti-moderno" é só um jeito bacaninha de dizer: "SEU FEIO! BU!") a interpretação será tosca. Os fatos se tornam uma desculpa para o A. Jabor exercer a vontade dele. O que ele diz nunca é como as coisas são. O que ele sempre diz é como ele gostaria que elas fossem.

Nem é questão de burrice. Viver no mundo da imaginação não tem a ver com isso (pelo menos não muito). O lance é que A. Jabor é mesmo doido. Olha que o homem é comentarista político!

Wednesday, February 04, 2009

Mensagem da camisa do Che

O Diogo citou um trecho da Esquire em que dizem:

Essas camisetas [do Che] mandam uma mensagem, que efetivamente se resume ao seguinte: tenho tendências de esquerda, mas não leio livros de História. Sou culto o bastante para querer a não conformidade, mas não inteligente o bastante para evitar a conformidade.


Hm, acho não. Atores americanos com camisetas do Che mandam é essa mensagem: "Sou burro demais por ignorar o que Che fez, pomposo por me considerar antenado, inteligente o bastante para não viver num país cocô socialista".

Digo mais. Ver coisas como Xuxa-vestindo-boina-do-Che nem é ruim para o movimento. Ao contrário! Significa que é ok gostar do Che. A Xuxa é só uma idiota útil. "Um dia ela faz a nossa propaganda. No outro a gente rouba tudo dela. Se ela encher o saco, a gente a joga num 'campo de reeducação'" Veja o caso da suástica. Ninguém tolera ver uma suástica estampada numa camisa. Ninguém (tirando skingirls, sei lá) pensa que é chiquê estampar na bolsa um adereço nazi. Fazer a saudação nazista deve pegar muito mal. Mas seria super maravilhoso para o movimento nazi se Himmler fosse tão pop como Che.


Hasta la vitoria siempre!


Himmler, sensível, colhendo flores com seus camaradas das SS.


Himmler apoiando o Estatuto da Criança e do Adolescente (arianos). Não é comovente?


Isso vai parecer uma "traição à causa" aos mais puristas? Não importa. O importante é ter um núcleo pequeno dirigente. É esse pessoal que dará unidade (e sentido) ao movimento. O resto é papel higiênico.