Wednesday, November 18, 2009

José Jobson de A. Arruda

Arrumei um tempinho para passear na biblioteca. Topei com um calhamaço. A tese de doutorado de José Jobson de A. Arruda: O Brasil no comércio colonial (1796-1808): Contribuição ao estudo quantitativo da economia colonial. Fraquinha e sem um cavalheiro próximo, mal pude segurá-la. (Nem duvido que fui a primeira pessoa nesse milênio a erguê-la na biblioteca.) Do que li em três minutinhos, o quadro teórico parecia interessante. História quantitativa parece um porre, mas dá o maior barato. Esse negócio de transformar tudo em números e cruzar dados feito um condenado não é só uma coisa chique. É útil pra chuchu. Se você estiver chapado de marxismo então, as portas do paraíso parecerão arrombadas. Mas é sério. O quadro teórico (a julgar o pouquinho que deu para ler) a repeito de história quantitativa era interessante. Basta compará-lo com as explicações xaropes do Peter Burke em Escola dos Annales 1929-1989.

Deixei de ler para só folhear. Aí descobri o cheat code para transformar uma tese num calhamaço. Escreva só num lado da folha. Piche o trabalho com gráficos. (Numa história quantitativa ou serial, a exigência é óbvia.) Pronto. Você terá sua obra expandida. Se for um virtuose à la Chaunu, pode fazer uma tese de doutorado em trocentos volumes. Depois é esperar o dia em que só um halterofilista vai agüentar a sua obra. Pelo menos o trabalho vai chamar atenção.

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