Sunday, October 18, 2009

Exposição positivista do Rio de Janeiro


Traficantes abateram a tiros um helicóptero da polícia. O piloto ainda conseguiu pousá-lo num campo de futebol. Mas ele explodiu, matando parte da tripulação. A última vez que vi coisa parecida foi em Falcão negro em perigo.

Em outro ponto da cidade, atearam fogo em dez ônibus. É bom lembrar que já queimaram ônibus com gente dentro.

Enquanto isso, tem quem se preocupe com o que vão falar do Brasil. Ainda mais por causa das Olimpíadas.

Por quase três dias seguidos, houve uma série de tumultos em estações de trem. Vários feridos. O Muniz Sodré fez uma análise impressionante a respeito. Ele acha que "o acontecimento foi descrito [pela imprensa] como uma anomalia (corroborada inclusive por algumas evidências de sabotagem) dentro da factualidade urbana." Mas como esse cara é um "observador atento", ele percebeu algo a mais. O que aconteceu foi uma "ruptura de um pacto implícito entre o poder de Estado e a massa trabalhadora." Foi "um fenômeno molecular capaz de suscitar reações violentas no nível do conflito urbano continuado a que já se deu o nome de 'guerra civil molecular'." Não sei quanto a você. Com uma explicação dessas, dá vontade de sair depredando tudo mesmo.

8 comments:

Jorge Fernandes Isah said...

Tanja,
não sei quanto a você, mas esses eventos são parte de uma ação para se implantar a tão acalentada ditadura marxista no país. O descaso institucionalizado com a segurança e a bandidagem é uma das estratégias de demolição sócio-político (e não é de hoje).

Numa sociedade onde os valores cristãos são desprezados, o que esperar? Que o mal ganhe cada vez mais ares de inofensividade e glamour até mostrar toda a sua virulência.
Apenas cegos guiando cegos como o Sodré e sua declaração alucinada (ou seria alucinógena?) tipificam claramente.

Enquanto o Lula sorri sádico para os holofotes, vislumbrando o que nos espera.

Abraços.

ourubu said...

O Brasil odeia o Rio. O que acontece agora ( desde quando ? ) é mais um capítulo da desconstrução da cidade e de tudo o que ela representa.
O Rio, antes capital de cultura e de uma civilidade nobre, hoje é centro de negociatas predatórias e de exemplos funestos. Ela perdeu sua alma e o que colocou no lugar ?
Um vácuo onde quem grita mais, bate mais, manipula mais impera.
O Rio é o melhor do Brasil. Se a cidade afunda, vamos todos juntos.

Tanja said...

Não acho que seja um complô de todos contra o Rio. O negócio é como disse o Jorge. Uma desordem provocada de propósito, com fins políticos.

Sempre que a política e o comportamento degeneram, a conseqüência mais imediata é o despotismo. Na terra do arbitrário, só a força mais brutal se faz respeitável. Ou como diria o Hölderlin (na tradução do M. Bandeira), "dobra-se humilde o servo ao áspero e violento."

Tanja said...

Agora, eu tinha que ter incluído a notícia da "maratona Fassbinder" nesse post. É mais uma violência braba contra nós. :-)

César Miranda said...

Passando para dar um "oi". Gosto muito daqui.

R. B. Canônico said...

Caramba, meu pai - e somos pés vermelhos, e não cariocas - diz que boa parte da culpa por esse estado caótico é do Brizola. Nunca li nada a respeito.

Mas isso procede?

É que o pessoal da minha família não tinha lá muita simpatia pelo Brizola, tanto que meu avô chamava ao touro mais feio de sua propriedade de... Brizola hahaha.

Mais querida que ele, só o Lula mesmo.

Tanja said...

Oi, César! Gosto ainda mais quando você me visita! :-)

Ixi, Canônico... Essa história é velha! Sempre aparece alguém dizendo que o Brizola fazia acordo com bandidos (bicheiros e traficantes). O que sei é que o Rio foi se tornando cada vez mais violento e imbecil a partir do governo dele.

Nicolau said...

"fenômeno molecular"...uma espécie de Complexo de Golgi social, uma mitocôndria urbana.

Neguinho acha que está arrasando.

Bom, se for depredar, vê se faz o negócio direito.

Beijos