Saturday, October 10, 2009

Honduras

Outro dia me perguntaram: "Como é que você pode ignorar o que está acontecendo em Honduras?" Oxe! Até uns três meses atrás, ninguém sabia bereguendém nenhum sobre Honduras. Eu só sabia que a capital se chama Tegucigalpa (sempre fui boa para gravar o nome de capitais). E que fica na Am. Central. Por que agora sou obrigada a ter uma opinião sobre a política de El Salvador? Não preciso saber nada sobre o tal do Zelaya. Eu sempre soube que todo bigodudo é picareta.

"Porque o Brasil está envolvido". Ah tá. Brasil. Na verdade, "governo federal". Aquilo que nos governa, mesmo lá do quinto dos infernos. Olha bem. Minha influência nas decisões do governo federal são nulas e/ou irrelevantes. O máximo que faço é (ser obrigada a) apertar um botão a cada quatro anos. Tem gente que ama fazer isso. Eu não dou a mínima. Tanto que sequer paguei ainda a multa por abstenção da última eleição (para prefeito, é verdade).

Agora, já me preocupei bastante com política. Já cansei de discutir sobre. Hoje em dia, meu interesse está mais na base de: a) curiosidade mórbida; b) gandaia.

(Acho maligno o interesse por administração pública. Tem quem goste. Taí o Visconde de Cairu que não me deixa mentir. Mas participar de discussões sobre Petrobrás e tal... Mesmo uma seqüência de filmes do W. Fassbinder é melhor.)

Só acredito em participação política se o governante estiver a um tiro de flecha. Se até um monstro como o Ipupiara podia ser atacado, como é que o político não pode? Como é que você pode ser governado por alguém que nunca viu cara a cara? Que nem se dá ao trabalho de dar uma satisfação! "Ah, mas não tem como. O Brasil é enorme." Então pior para o Brasil. Ou para o governante. Senão é como ser governado pelo (e discutir sobre as ações do) Diabo do Inferno, inimigo da Patrine.


Esse homem pode ser o verdadeiro governante do Brasil, sabia?


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Só uma coisa é pior que discutir sobre a política do Diabo do Inferno. É ler A escrita da história do Michel de Certeau. Li só um capítulo. Quê? I-le-gí-vel. Deve ser por isso que tem quem goste. Sou mais jogar Super Punch-Out.

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Cheguei a chamar Honduras de El Salvador. Para você ver como estou por dentro do assunto. Já corrigi. Valeu.

4 comments:

Cláudio said...

Minha motivação única para estar em dia com as eleições é poder tirar o passaporte. Mas há muito não sei o que é escolher um candidato.

PS. Very nice new picture!

trombone com vara said...

Acho legal votar. Acho divertido. Mas penso que deveríamos realmente dar menos valor a Brasilia. Não me interessa o que o deputado x fez ou não fez. Como não me interessa quem comeu quem na Globo, quem ganhou o Big Brother ou qual o super sucesso em cartaz.
Temos informação demais !!!! Engolimos tanta palavra inútil e não temos tempo para o que nos toca.
Fassbinder é chatíssimo, adorei o comentário.

Tanja said...

Cláudio, tem razão. Só dá para votar sempre na base da chantagem. :-) (Ah, obrigada!)

Trombone com vara (que nick, hein?), o problema é a obrigação. Pior ainda é a idéia de ser obrigado a exercer um direito! Agora, já pensou se a gente fosse obrigado a assistir a uma "maratona Fassbinder"?

Tanja said...

Se bem que gostei do "O desespero de Veronika Voss".

O Fassbinder era meio esquisito. Vira e mexe, o cara arrumava um pretexto para colocar *um* negão nos filmes. Aparece um negão em Martha, no "Veronika Voss", naquele filme da loirinha que pensava que perdeu o marido na guerra... Nesse último, o negão fica até pelado. Foi uma experiência estranha ver um cara brigando pelado, com a coisinha balançando.