Monday, August 10, 2009

Feminismo terrorista

O feminismo tem fama de ser coisa de mulher histérica. Não deixa de ser verdade. Mas veja só que tipo de coisa as feministas faziam na Grã-Bretanha:

The destruction wrought in the seven months of 1914 before the War excelled that of the previous year. Three Scotch castles were destroyed by fire on a single night. The Carnegie Library in Birmingham was burnt. The Rokeby Venus, falsly, as I consider, attributed to Velázquez, and purchased for the National Gallery at a cost of £45,000, was mutilated by Mary Richardson. Romney's Master Thornhill, in the Birmingham Art Gallery, was slashed by Bertha Ryland, daughter of an early Suffagist. Carlyle's portrait of Millais [sic] in the National Portrait Gallery, and numbers of other pictures were attacked, a Bartolozzi drawing in the Doré Gallery being completely ruined. Many large empty houses in all parts of the country were set on fire, including Redlynch House, Sommerset, where the damage was estimated at £ 40,000. Railway stations, piers, sports pavilions, haystacks were set on fire. Attempts were made to blow up reservoirs. A bomb exploded in Westminster Abbey, and in the fashionable church of St George's, Hanover Square, where a famous stained-glass window from the Malines was damaged ... One hundred and forty-one acts of destruction were chronicled in the Press during the first seven months of 1914.


Isso está um pouco distante do mero histerismo, não?

Mary Richardson foi citada. Ela ficou famosa porque tentou destruir um quadro do Velázquez (Vênus ao espelho). Olha como o quadro ficou:




Hoje em dia, chamam alguém que destrói quadros assim de obscurantista, anti-humanista e tal.

Essa atitude quase não difere da do primitivo que ataca uma imagem. A diferença é que o primitivo é mais sensato. Ele ataca a imagem para atacar aquilo que é representado. Mas aquilo que é representado é uma coisa concreta. Pode ser uma pessoa. Pode ser um bicho. Não é uma idéia abstrata. Mary "Crazy Lady" Richardson era uma primitiva moderna. Quis destruir uma idéia destruindo uma representação concreta. Mas que explicação ela deu? Primeiro disse que foi uma retaliação contra a prisão de uma camarada. Muitos anos depois, ela deu outra explicação: "I didn't like the way men visitors gaped at it all day long." Ok, homens até podem ser tarados. Mas precisa ser tão puritana?

Anos depois dessa "ação direta", ela participou por um tempo do partido do Oswald Mosley. Para quem não sabe, ele era o líder do movimento fascista inglês.

Não é legal ser feminista.

3 comments:

Luiz Felipe said...

Sempre me perguntei por que, de forma geral, as feministas são tão pouco femininas...

tatti said...

Na minha opinião o ataque ao quadro nada tem haver com política ou ideologia.
"Eu não gostava da maneira como os hoemens entravam no museu e ficavam admirando-a todo tempo".
O x da questão não era a prisão da lider do partido, não era o feminismo e muito menos a política...tudo isso funcionou como justificativa.
Mary Richardson invejava o poder de atração que o quadro exerce, o poder de atração que uma bela mulher sensual, totalmente "a vontade" com sua feminilidade (coisa que ela não era)exercia sobre os homens.
Mary não odiava a ordem política tanto quanto odiava a Venus, a carne, a beleza e a feminilidade opulenta. Mais do que tudo odiava o olhar de admiração masculina, enfim odiava o que não possuía ou que se achava incapaz de possuir...

Tanja Krämer said...

Oi, Tatti.

Gostei da sua opinião. É difícil saber o que se passa na cabeça de uma perturbada, mas o que você disse faz sentido.