Wednesday, April 22, 2009

De Biasi - Conselheiro amoroso

Vi pelo Sal Terrae um trechinho de um post do S. de Biasi. Como (acho que) todo mundo sabe, ele publica os textos no Indivíduo do B.

Quero citar a mesma coisa também. Sou macaca de imitação:

Querer ser o outro, por outro lado, nos distancia de nossas reais potencialidades e nos coloca perseguindo fantasmas, e buscando frustradamente, esquizofrenicmante (sic), mesquinhamente, futilmente, algo que só só o outro pode ser. Muito melhor é fazer as pazes com quem você é e tentar exercer essa inalienável função da melhor e mais plena forma que você conseguir.


Que tal você ser o outro, por outro lado? Já tentou ser o outro, por seu próprio lado? E se a relação for tão perfeita que seja como um círculo? Qual lado você escolheria, se não houver lado para escolher? Ou será o de dentro ou de fora? É tanto "outro" e "lado" que nem sei mas quem sou, nem onde estou. Ai, que gandaia.

Mas essas coisas que ele escreveu, "por outro lado", são boas. Boas para arrumar namorado. Leia só esse trechinho sobre aceitar a si própria, que garimpei num site de namorico:

Quem não gosta de si própria, dificilmente consegue despertar o amor dos outros. Por isso primeiramente apaixone-se por si mesma. Só quem gosta de si, está pronta para encontrar o amor. Afaste os pensamentos negativos: estar sozinha agora, não significa que também esteja amanhã. Em vez disso, seja positiva. Vai ver que não faltam pretendentes.

O S. de Biasi seria um bom conselheiro amoroso. Seria até bem moderno, porque ele é bastante liberal.

Tudo é uma questão de dar as mãos para si mesmo. Vista uma roupa branca. Saia pulando num campo cheio de margaridas. Tome 5l de sorvete em 5 horas. Não se depile. Curta a fossa. Ame a gorda mal depilada que você é. No fundo, somos lindas pessoas. Somos doidas para chorar ouvindo uma balada do Aerosmith. Falta só alguém para nos amar como amamos a nós mesmas...

Na época dos romanos, imitar ainda estava in. Que o diga Plutarco. Coisa frustrante, esquizofrênica, mesquinha, fútil, esse negócio de vida paralela. Pior que os imperadores eram tão imitões que cismavam em se chamar "César"! Tipo José Jatobá da Silva César. É só você ler o Suetônio, Tácito ou a Wikipedia para ver como eles eram desprovidos de personalidade. Nada mais igual a Júlio César que Tibério César, Marco Aurélio César, Septímio Severo César, Heliogábalo César e Constantino César. Deve ser por isso que tinha tanto imperador da pá virada. Deve ser por isso também o Império só durou 400 anos, ou 1400, pouquinho, se contar o Oriente.

E esse negócio de profissão? Você querer soldador, psicólogo, médico ou vendedor de charutos é querer assumir uma função social criada por fulano. Mas o fulano que a criou fez por algum tipo de necessidade pessoal; os outros vieram na rabeira. Querer ser médico é querer ser um Asclepíade. Porém é na verdade adotar como função social o que um Asclepíade tinha como necessidade pessoal. E isso é bem mais fácil. Você já recebe a medicina mais ou menos mastigada. É como vestir uma roupa que se ajuda mais ou menos em você.

Mas o texto do S. de Biasi é só um ultraje a rigor por outros meios.

2 comments:

Nicolau said...

E isso sem falar na imitatio cristi - simplesmente o lema de todos os santos.

Bom, concordo, concordo com tudo - o que, como você sabe, é meio raro (aliás, falando em concordâncias, e Teo Bikel?).

E nem vou perguntar o que você estava fazendo naquele site de namoricos.

Beijos e por favor não dê tempos assim tão longos entre um post e outro. Estou sempre por aqui, ainda que não exercendo meu infame papel de comentarista.

Pedro said...

Cara Tanja,

Qual o nome do "A. Pousada" que citas no blog? Procurei no google mas só achei lugares para me hospedar! :-p

Seria muito me mandares por email?
pmartins.oliveira@gmail.com

Obrigado! Curto bastante teus textos!

Pedro Oliveira