Wednesday, February 18, 2009

Mais pasmaceiras: Régis Bonvicino

Dessa vez foi um tal de Régis Bonvicino que resolveu dar uma opinião ainda mais bizarra.

Ele começou assim: "Estou horripilado com o tratamento que Paula Oliveira recebe da polícia suíça". "Horripilado". Já começou emo. Nada bom.

O que eu disse do Fiuza vale para o Bonvicino. Tudo começa com aquela conversa-mole: "É preciso investigar com imparcialidade, blá blá blá". Beleza. Você pode achar o que quiser das investigações da polícia suíça. O problema é que sempre, sempre, vem um freak show combo. O negócio é que o Bonvicino conseguiu ser ainda mais sem-noção que o G. Fiuza. Melhores momentos: "Suíça – a maior lavanderia de dinheiro sujo da história recente da humanidade, um sangue-suga que vive do crime em terra alheia"; "Que autoridade moral tem um Estado que permite há séculos que criminosos do mundo inteiro lavem seu dinheiro sujo nele?"; "Adolf Hilter ajudou a aperfeiçoar o sistema suíço"; "Aqui e ali a Suíça abre mão, em termos formais de seu sistema, para, na verdade, protegê-lo, ludibriar o mundo"; "Que autoridade tem esse Estado pífio, que usou sua neutralidade perpétua to make money, proclamada em 1815, para acusar Paula Oliveira?"; "Suíços odeiam europeus, que odeiam estrangeiros"; "O sistema bancário suíço deve ser urgentemente desmontado pelo bem da humanidade. E sua Justiça deveria ir para a cadeia! Vergonha, Suíça!"

Queria ver a reação de um brasileiro médio se lá fora chamassem o Brasil de "Estado pífio", covil de ladrões e tal. Depois desse freak show, é Régis Bovino na cabeça.

Esse povo nunca está satisfeito. Não querem justiça num caso particular. Querem salvar o mundo. Nice guys against the evil world! Os mugidos do Bovino destruirão a Suíça.

Então você vê. O Bovino começa clamando de um jeito emo por justiça. Aí do nada começa a falar mal da Suíça e do sistema bancário. Termina *exigindo* que o sistema bancário suíço seja desmontado em nome da felicidade humana.
Como ele ficou todo horripilado com o tratamento dado à Paula, só resta destruir o sistema bancário suíço em nome da pax humana. Tadinho, né? Então tá.

O cara é mucho loco. Pode estar sofrendo do mal da vaca louca. Tem o que refutar? Não. É tudo apenas a demonstração dos desejos bovinos.

O jeito é dar um conselho de carnaval. Macaco, olha o teu rabo, senão vai haver o diabo!


6 comments:

Nicolau said...
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Nicolau said...

Estou adorando que essa turma implique com a Confederação Helvética. Quero mais é que essa tropa encabece um boicote e se possível pare de frequentar a Casa da Suíça - que na cabeça deles a partir de agora também deve ser um lugar corrupto frequentado por nazistas, banqueiros inescrupulosos e policiais de bigodinho sinistros. Que fiquem longe de lá e nós outros curtiremos fondues em melhor companhia.

Beijos

R. B. Canônico said...

É interessante notar que esse fenômeno é resultado de um nacionalismo barato de algumas pessoas. O brasileiro perdeu, já faz algumas décadas, o mínimo senso de um sadio patriotismo. Não se vê mais gente por aí falando em ajudar a pátria, contribuir com a sociedade, e não de uma maneira utópica, mas realista e concreta. O fato é que não é nada incomum encontrar alguém com o discurso 'esse país não presta', 'brasileiro é tudo bocó' (implicitamente admitindo que é bocó) e coisas assim. Pode até ser verdade, mas sei lá, eu acho que essas coisas criam um ambiente pessimista demais. Espero que isso não seja frescura de minha parte hahaha.

Mas, sem esse minimo patriotismo, o brasileiro costuma reagir de forma patética quando precisa mostrar algum senso cívico. Lembro-me de uma disputa comercial entre a Embraer e a Bombardier. Nesse momento, vários brasileiros resolveram mostrar seu patriotismo, e protagonizaram cenas circenses. Teve gente jogando bebidas canadenses pelo ralo, quebrando discos de grupos canadenses... esse é o patriotismo de muito brasileiro, uma mera piada.

Sou fãzaço de Rush e, caso alguém quisesse jogar algum cd fora dizendo 'São candenses', eu retrucaria 'e vc é um imbecil'. Só mesmo um patriota da Banânia para encontrar relação entre Bombardier e Rush, mas enfim. O caso atual mostra esse sentimento aí que ressurge: esse patriotismo made in Paraguai, que não vale nada e é usado de forma ridícula. O brasileiro não sabe ser patriota, e quando tenta é essa tragédia.

Além do mais, eu sei como é quando falam mal de nossas raízes. Sinto o mesmo quando dizem que a Itália é uma verdadeira baderna, uma espécie de Brasil na Europa. Com a pequena diferença de que isso é verdade, ao contrário do que estão dizendo da Suiça! Mas não vem ao caso hehehe.

Tanja Krämer said...

Oi, Nicolau! Isso foi bem engraçado : um lugar corrupto frequentado por nazistas, banqueiros inescrupulosos e policiais de bigodinho sinistros. Agora a Casa da Suíça virou um daqueles buracos dos filmes do Pabst. :-)

Ei, Rodolfo, e quando o brasileiro reclama de um jeito bocó que todo mundo o acha bocó? Pô, a gente só dá vexame, cruzes! :-D

O mais troncho é que esse nacionalismo/patriotismo é seletivo. Ninguém chamou o Evo Morales ou aquele panaca do Equador de totalitários quando nos roubaram. Agora vai vir esse paraguaio nos roubar também. Mas é bonito xingar a Suíça. É tudo fingimento!

Você gosta de rock progressivo? Sempre acho que rock progressivo é produto do LSD. :-) Preconceito? Deve ser meu sangue suíço totalitário agindo. O pior que estou bem longe de ser igualzinha às suíças loiras dos alpes! Fui contaminada pelo sangue latino. Olha de novo meu gene suíço totalitário! :-)

R. B. Canônico said...

POis é, as vezes eu penso que muitaaaa coisa do rock progressivo não é música em sentido estrito, e está mais para ... rock progressivo. Eu sei que esses caras eram megalomaníacos pretensiosos e tal, mas poxa, tem coisas legais ali hehehe. E Rush é algo completamente heterodoxo: é pra ser hard rock com rock progressivo, mas no fim não é nenhuma das cuas coisas - em minha opinião, talvez também heterodoxa hahahaha!

António Miranda said...

O pior é que esse cara é Juiz de Direito.