Thursday, February 28, 2008

Leãozinho

Nada a ver com o Caetano. É notícia da Europa.

No brasão de um grupo de combate do exército sueco, existe a figura de um leão. Ok, normal. Mas acontece que esse grupo é comandado pelo Karl Engelbrektsson. Já ouviu falar nele? Eu também não. O cara achou que era um troço muito politicamente incorreto esse negócio de leão ter piu-piu. Não poupou o bichinho em nome da jequice. Agora o leão está sem a sua coisinha. Preciso dizer mais alguma coisa? Preciso sim. É que a figura do leão castrado, segundo especialistas suecos em heráldica, é o símbolo dos traidores da Coroa!

Caraca, essa foi a maior ironia involuntária que vi nesses últimos tempos! Nem nunca vi um cara mais jeca que esse comandante.

Olha aí o leão com e depois sem a coisinha:



Ri muito desse comentário que fizeram da notícia:

First,you might consider removing the sword from the lion's right 'hand' and perhaps replacing it with a lady's handbag.Next,place the lion's left paw on its hip and a pair of underpants,suitably emblazoned with the CND logo,on its head.


Mas acho que o símbolo do grupo poderia ser esse:

Ad omnia paratus, ui ui ui!


Notícia do The Brussels Journal. (Até o título da matéria é engraçado.) Zoropa, Zoropa, dá-lhe Zoropa!


Swedish Heraldists Want Penis Back

From the desk of The Brussels Journal on Fri, 2008-02-22 12:38

A quote from The Local (Sweden), 21 February 2008


Sweden’s chief heraldists remain dissatisfied with a decision by the Nordic Battlegroup to remove a lion’s penis depicted on its coat of arms. […] [T]he Commander of the Nordic Battlegroup, Karl Engelbrektsson, revealed that it was he who he had ordered the alteration. This ran contrary to initial reports suggesting that the emasculation occurred following pressure from female soldiers. In an interview with Sveriges Radio, the Commander said he decided to give the lion the snip having read UN Security Council Resolution 1325 on women, peace and security.

With civilian women often falling victim to sexual abuse in the war zones of the world, the Commander said he did not consider the male appendage an appropriate symbol for his troops to wear into battle. But heraldic artist Vladimir A Sagerlund was dismayed at what he viewed as an alarming lack of historical awareness. In former times, he said, coats of arms containing lions without genitalia were given to those who betrayed the Swedish Crown.

And as [state heraldist Henrik Klackenberg] points out, the heraldry unit would have no qualms about making alterations to the original image if requested to do so by the military. “We could make the dimensions a bit smaller, for example. Once we were commissioned to create a similar symbol for Swedish Customs. When they thought it was a bit much they sent it back to us and we just shrank the organ,” said Klackenberg.

Monday, February 25, 2008

Arabia felix

Aqui uns vídeos de uns muçulmanos dizendo coisas como: "Se o homem quiser bater na mulher para educá-la, ele não deve fazê-lo na frente das crianças... Ele deve evitar o rosto e outras áreas sensíveis." Um outro, dum cara com voz de maluco: "Não devemos ficar com vergonha diante das nações do mundo, que ainda estão numa fase de ignorância, e não aceitam que as surras (nas mulheres, lógico!) sejam parte de nossa lei religiosa." Ignorância=não aceitar lei religiosa=não dar surras na mulher. E de mais um muçulmano: "O Profeta Maomé disse: 'Se um homem pede à mulher que atenda aos seus desejos, ela deve aceitar, mesmo que esteja ao fogão' (!)... Mesmo que ela esteja cozinhando, ela deve atendê-lo." Essas coisas passam na TV. Dá para imaginar um monte de Homer Simpson de turbante assistindo (tomando bebida não-alcoólica mas que também dá o maior barato) e pensando: "Al-Lalalazim disse isso? Maomé também? Vou bater na minha mulher, em nome do Clemente e Misericordioso!"

(Mudando um pouquinho, alguém se lembra do Farfour? Aquele personagem que era cópia do Mickey? Que ensinava as criancinhas que judeus e os EUA eram malvados, que a glória da nação islâmica voltará, tranqueiras do tipo? Então, parece que o mataram (snif). Quem? Um malvado soldado israelense! Foi o que passou na cabeça dos produtores para cancelar o programa. Tem um vídeo dele aqui (não de ele sendo assassinado (pena); é um outro). Taí uma coisa que sempre me faz lembrar o que disse Jesus Cristo uma vez: "Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.")

É no Ocidente onde somos oprimidas? Lógico! Eu até poderia escrever essas coisas sem o menor problema em [escolha o país muçulmano da sua preferência]. Quanta opressão eu sofro nesse país!

Para não dizer que as mulheres são sempre perseguidas, tudo é uma maravilha se:

a) fizerem parte de um grupo como o Jaish al Mahdi, no Iraque, para dar uns tiros em mulheres sunistas,

b) ou imitar a Ghazwa Farahat e fazer política no Hammas (como outras fazem em outros países),

o que, no final, parece ser a mesma coisa...

Saturday, February 23, 2008

Je m'accuse (4)


Aussi.

A musa disse que no princípio era o caos. O filósofo disse que o cosmo é obra do Demiurgo e que ele teve o mundo supra-sensível como paradigma. Disse Deus: Faça-se luz. E se fez a luz. Pausa. Os amantes se encontram debaixo da lua. (Amor é lunático.)

Je m'accuse (3)


Aussi.

(Ilha. Um Itinerário. Encontre um arco-íris. Caminhe nele até o fim. Não se distraia com o potinho de ouro.)

Je m'accuse (2)


Même chose.

Je m'accuse



Je m'accuse. Oui, j'ai volé la photo. (Je ne me rappelle pas où.) Parce qu'elle est très belle. Vous me pardonnez? (Rostinho da Shirley Temple para conquistar o júri. Gutigutiguti.)

Sunday, February 10, 2008

Variedades

(Sem PC; Fora de casa; madrugada; post escondido no computador dos outros.)

Reli há semanas atrás O afeto que se encerra, Paulo Francis. Divertido como de se esperar. Instrutivo também. Dois motivos em especial. Um é por causa do assunto do livro, ele mesmo, PF. Outro para confirmar que (Karl Marx+Freud) x juventude = embananamento cerebral. Cura? Milagre. Ok, sei que você sabe disso. Só que é meio, sei lá, chatinho ler um cara que você gosta dizendo que "toda a classe média brasileira é culpada pela miséria". É como se o cara que você adora de repente soltasse um punzão na sua frente. E não foi só aquilo! Tinha mais desses negócios. Houve algo como "quem desceu o cacete nos nazistas foi a URSS". Só faltou chamar de "a gloriosa pátria da Revolução". Como, ô Francis? 20 milhões de mortos é lá triunfo militar? (Nota: ninguém tira da minha cabeça que um monte de milhões aí desse total foi marca Stálin. Deve ter mandado matar uma porrada de gente e colocado na conta do Führer.) Nem existiram bombardeios ad nauseam no Reich pelo visto por parte dos Aliados. (Melhor não dizer nada sobre os milhões de soldados que desembarcaram na África, Itália e França.) É tão melhor ler o que ele tem (tinha) para dizer sobre teatro, sobre jornalismo, sobre um montaréu de coisas! Disso você entendia, amigão! Pois é. Um pouco triste esse desperdício.

Mês foi bom também porque li Cinco dias em Londres, John Lukacs. Esse é historiador dos bons. Eu já o conhecia pelo ótimo O Hitler da história (a Espectadora recomenda). A tese é que se não fosse Churchill naquela semana crucial em que assumiu o governo, com Dunquerque e tudo, a Inglaterra poderia se ver forçada a pedir penico. Muito legal o movimento político no Gabinete de Guerra. Poderiam fazer um filme. De repente até fizeram. Lukacs conseguiu também articular a reação popular diante dos acontecimentos da guerra. Povo sempre sabendo tudo com delay. Normal. Surpreendente (para esta Espectadora ignorante) foi a importância de Chamberlain nisso tudo. Para mim ele tinha sido aquele mequetrefe que entregou o ouro em Munique. Nada. Era um homem sério. Surpresa das surpresas: alguns achavam que Churchill tinha medo de Chamberlain. Ah, e o Império? Churchill pensou que o que importava era a existência da Inglaterra. Achou também que ela serviria como inspiração para a resistência mundial contra o nazismo. (Se a Alemanha tivesse invadido a Inglaterra, é bem certo que veríamos algum tipo de Stalingrado também.) Os derrotistas (embaixador americano incluso) pensavam em se salvar entregando tudo de uma vez. Achavam que era melhor depender da Alemanha do que serem destruídos. (O embaixador achava que era melhor entregar a Inglaterra a entrar numa guerra furada.) Legal mesmo foi o cálculo político do Churchill. Considerou que a Alemanha era mais perigosa que a URSS. Era um perigo mais imediato e a longo prazo mais inquietante. Não caiu na conversa de a Alemanha ser a guardiã do ocidente contra a barbárie comuna. Se aliou com os comunas, mesmo não gostando deles. E o homem era vidente! Churchill 1950 circa: "Daqui a 30 e poucos anos, acabará o comunismo no Leste Europeu". Batata! Só não sou lá muito chegada à idéia do Lukacs de que nazismo não tem nada, mas nada a ver com comunismo. Hm, isso é outro conto. Seguirei leitora entusiasmada dele. Estou louca para pegar O duelo e A última guerra européia. Ah, uma observação. Ele conhece muito, muito mesmo, Hitler. Ponto para ele.

Estive namorando as memórias do Goethe. Dei uma pausinha. Goethe é o tipo de escritor cuja inspiração desliza ao longo das páginas (by Juliás Marías, em parte). Não tem só frases legais aqui e ali. Há páginas e páginas magníficas! É como Georges Bernanos ou Robert Musil. Em As afinidades eletivas (livro bom e ruim ao mesmo tempo), há mais frases que páginas boas. Só que são frases, vocês me perdoem, fodas. Como: "Todo o gênio está ligado ao seu século através de algum defeito". E: "O maior consolo do medíocre é saber que o gênio não é imortal" (meio lesco-lesco, eu sei, mas dá um tempo, está cheio de filisteu por aí). Ou: "Não há nada que demonstre melhor o caráter de uma pessoa do que aquilo que ela acha ridículo". E uma tirada quase olaviana: "A boa pedagogia é justamente o contrário das boas maneiras". Olha, o Goethe pode ter umas idéias, hm, bem bizarras sobre religião e tal. Continua sendo "o cara" para mim. Tem um detalhe importante também. As personagens femininas são tratadas com elevação. Pega a Ifigênia em Táuride e vê. Não tem nada a ver com feminismo boboca ou aquela literatura-boteco ou literatura-domingo-de-futebol. Dá alívio perceber que ele é um cavalheiro sem (muitas) frases feitas.

E o Carnaval. Tenho um livro lá em casa do René Guénon, o esquisitón que achou very cool morar no Cairo em vez de ficar em Paris com aquelas coisas horríveis tipo Sainte-Chapelle, Louvre e católicos. (É coisa muito típica de europeu moderno, se meter no cu do mundo porque está cansadinho da civilização moderna.). Se chama "Os símbolos da ciência tradicional". Há um capítulo sobre Carnaval. Fiz questão de anotar num papelzinho os nomes de outros llivros que estão na orelha desse: "O yoga espiritual de São Francisco de Assis"; "Cristianismo zen"; "Buda e Jesus"; "O evangelho esotérico de São João"; "O cristianismo esotérico"; "O cristianismo místico". Pela porta dá para imaginar como é a casa. Essas coisas são engraçadas. Li faz tempão um livro do Frithjof Schuon, uma coletânea de artigos. Era legal. Na época não estranhei nada. Mas era um tal de falar de Islamismo... Esse cara é o Rambo dos chamados estudos tradicionais. Deram (ou se deu) uma missão secreta e precisava usar os músculos (do cérebro) para completá-la na marra. Mas o negócio que eu queria dizer é que acho bem bizarra essa salada exótica. Pô, se é chique ser oriental, Cristo apareceu no oriente também! Se você parar para pensar, Ele é bem exótico. Não precisa de indianos ou ocidentais, bem, exóticos. Pega um cara sensato como Chesterton e leia que nem doido os livros Ortodoxia, São Francisco de Assis ou São Tomás de Aquino para você sacar qual é o ponto do Catolicismo. Acho que tinham que ter oferecido um exemplar de qualquer desses livros para o Guénon. Então, para que você vai viajar 15 milhões de quilômetros para falar com algum Rami-rami-rami-rami se ali na esquina tem o padre João preste a te dar uma forcinha? Se o motivo for uma coisa mais diferente, o que não falta é ordem religiosa diferente. Olha, esse negócio de ficar com turbante e conversar com mestre sufi ou meter um negocinho brilhante no meio da testa e falar de energia, ou morar com xamãs do raio que o parta é comigo não.

O Carnaval me fez pensar também em como deviam ser umas belamerdas (é, tudo junto, que nem belonave) aqueles festivais greco-romanos. Minha imagem das dionisíacas é a seguinte. De repente aparecem uns doidos carregando um pintão esculpido no meio da rua. Aí começam a falar merda e sacudir o pintinho deles para todo mundo. Tocam alto uma música ruim. Nego bem louco, enchendo a cara. Festa como dizem que rola em baile de Carnaval. Só que a céu aberto, em procissão, não procriação, em homenagem a um deus. Tinha coisa pior por aí (por aí = fora da Grécia). O Xenofonte disse que uma vez estava com um exército mercenário na Ásia e aí eles toparam com várias tribos estranhas. Ele dizia que em uma delas (vou citar tudo errado de cabeça, ai ai) as pessoas "agiam juntas como se estivessem sozinhas e sozinhas como se estivessem juntas". Donde eu concluo que... Bom, é isso aí que você está pensando. Se eu botar na conta as músicas gregas antigas que ouvi num programa ano passado, wow! Foi mal aí Jaeger, Willamowitz-Moellendorff, Snell, Vernant e patota. Eu iria surtar bonito na Grécia sem nem querer saber de mané Paidéia, milagre grego e tal. Sou mais o Brasil. Ainda bem que a Grécia c'est fini. A gente aproveita o que sobrou de bom sem passar por aquela coisa toda. Tirando a gente ter que aturar Platão escrevendo aquelas coisas horríveis sobre viagem da alma e outros detalhes, está tudo bem. (Tá bem, estou sendo escrotíssima.)

Update: É Vernant (dãã)!