Sunday, August 24, 2008

Tarja Turunen

A Tarja Turanen é o Andrea Bocelli do rock. Com ou sem Nightwish, é metal brega. Eu só não sabia que ela é admiradora do Paulo Coelho: "Li quase todos os livros dele. Sua obra me influenciou bastante." Hm... Ela também reclamou da falta de divulgação da cultura brasileira na Europa. Com certeza deve achar que o P. Coelho é nosso representante máximo: "É triste que a cultura brasileira não seja muito bem difundida pela Europa. Lá nós ouvimos um artista e não sabemos se ele vem do Brasil, da Argentina ou da Colômbia." Pois é, dá tudo na mesma chumbreguice. Agora, imagina essa cultura bastante difundida. Céus.

Fico emocionadérrima quando alguém faz questão de dizer que ela é soprano. Muitos acham que canto lírico e alta qualidade formam um combo. Opinião de caipira deslumbrado. É o mesmo que pensar que É o Tchan seria mais sofisticado se a Svetlana Zakharova rebolasse no lugar da Scheila Carvalho. Se uma dessas dançarinas rebolasse num violino, com certeza não faltaria quem visse nisso uma transgressão artística, logo, arte. É o fetichismo artístico. Pior, sem um pingo de conhecimento artístico decente. Basta ter os elementos exteriores da arte para o fulano considerar o conjunto de alto valor. Tem orquestra? Vocal lírico? Logo, sofisticado. Logo, alta qualidade. Metallica caiu nessa. Embregou-se ao cometer o S&M. Até eu que gostava do Load e do Reload detestei. (Proposta de tese aos fanáticos: o paradigma metallico pós-Black Album.)

(Lembrei de uma coisa. Aconteceu numa apresentação de música clássica/erudita/ocidental. Quatro pessoas estavam perto de mim. Eram duas mulheres (uns 40 anos cada) e dois garotos (16 anos cada). Os garotos: mulatinhos, roupa humilde, bonezinho, concentrados. As mulheres: branquinhas, cara de quem fez curso de humanas, faladeiras. Pela expressão, elas pareciam ter acabado de papear com São Pedro em pessoa. Estavam MUITO satisfeitas! Não era com a música, porque a apresentação nem tinham começado. A expressão continuou igual até o fim. No intervalo e na saída, elas gesticulavam e falavam alguma coisa que eu não conseguia entender. Os olhos chegavam a brilhar. Elas não piscavam. Era um troço esquisito. Do nada a minha ficha caiu: elas trabalhavam com jovens pobres. Talvez fossem de alguma ONG. Ou malucas pedófilas. Ou tomaram ecstasy. Ou tudo junto. Sei lá. Mas era claro que elas estavam com seus pobrinhos de estimação. Elas estavam apresentando àqueles dois as vias da salvação. O "trabalho social" é fetiche. Um dever sagrado. Claro que eu achava uma graça enorme daquilo.)

Não é que eu tenha raiva do estilo musical da T. Turanen, não. Só acho um saco. É kitsch pra cacete. Quanto às letras, bem, ela gosta de Paulo Coelho, não é mesmo? Passo a régua.

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