Saturday, August 23, 2008

Meninos-lobos

Outro dia eu estava no ônibus quando entrou um pessoal com cara de subdesenvolvido. Nem dava para entender o que diziam. Era um negócio como "KAPUTALELÊ". Falavam alto. Logo passaram aos palavrões, "cantando". Eram Beavis e Butt-Head funkeiros, piorados e mal-encarados.

É muito difícil eu me emputecer. Naquela hora eu quase virei Mulher-Hulk. Como eu lia Camões, fiquei pensando nalgum gentil-homem dando um jeito naqueles palhaços. Nem precisava cravar a espada, não. Só uma chicotadazinha no rabo e pronto. Mas não tinha nenhum gentil-homem no ônbus. O jeito foi ter que aturar.

(E olha que o ônibus estava indo para a zona sul. Outros lugares tem pior fama. Com razão. Vou dar um exemplo. Os ônibus na Central que vão para certos lugares desolados só têm gente bizarra.)

Um amigo meu sempre diz que o Rio é a maior zona. Tem razão. Esses comportamentos horrendos já viraram rotina. Você está na sua no ônibus. De repente aparece um maluco e começa a falar merda. Isso quando não é um bando. Pior ainda quando sobra para você.

Muitos que se comportam assim têm menos de 18 anos. Sempre penso: "Professora, né? Só se me ensinarem o dim mak". Não nasci para ser domadora de bicho. É muito mais legal ficar na rua com uma placa de "compro ouro".

Tem gente que acha que escola é lugar para civilizar. Não, não. O carinha já tem que saber regras básicas de convívio social.

Do jeito que está, parece que nas escolas só tem menino-lobo. Existe condição de ensinar desse jeito?

###

Imagina se eu colocasse na roda a maravilhosa tosquice escolar. Só incluiria na lista do Pedro um outro indício de nonsense. É que estudamos um produto made for kids. O mais normal é que ninguém leve adiante o que aprendeu na escola. A gente cresce e mantém opiniões, er, "intelectuais" da época da TV Colosso ou Estrela Patrine. (Se você já era burro-velho quando passavam essas coisas, não tenho culpa.) Isso só serve para dar uma falsa sensação de conhecimento. Mais atrapalha que ajuda.

7 comments:

Carlos Kramer said...

hahaha! Fenomenal! Acho que foi a coisa mais politicamente incorreta que já li! "Os ônibus na Central que vão para certos lugares desolados só têm gente bizarra". Aliás, se aqui no Rio ser bizarro fosse crime, seria o maior problema: a corregedoria teria que ser maior que a polícia, pois os policiais estariam entre os piores criminosos. Opa! Já estão!

Eu desisti dessa coisa de ser professor quando comecei o estágio em História no Pedro II da Tijuca. Alguém me disse que aquilo era escola de elite; eu calculei que se aquela era a de elite, eu não iria mesmo querer ver as do povão. Acho que nem os jesuitas encararam tamanho desafio quando desembarcaram aqui por estas bandas. Todos os professores brasileiros da atualidade, até os marxistas esquisitões, são mártires e deveriam merecer uma indulgência plenária por cada hora de aula. :)

Grande abraço!

Cláudio said...

Não sei se você já viu um filme chamado Idiocracy. É um besteirol sobre uma fictícia sociedade americana do futuro. O chato é que eu identifico muita gente nos personagens do filme.

Tanja Krämer said...

Quando alguém me pergunta se quero dar aula, sempre respondo que só curto Mortal Kombat no videogame. =) Agora, tenho pena dos comunas não. Já que eles criaram a Cúpula do Trovão, que se matem lá dentro! ;-)

Pô, conheço o Idiocracy não, Cláudio. Mas costumo identificar o Rio com A ilha do dr. Moreau. =)

O Comentarista said...

O problema dos bárbaros é que eles fazem questão de ser bárbaros publicamente sonoros. Se eles fossem sonoros nas aldeias deles, dançando em volta do fogo e evocando seus demônios, tudo bem, menos mal.

As pessoas publicamente sonoras são muito chatas. Outro dia o cidadão atrás de mim no ônibus resolveu assoviar. Alguém deve ter dito para ele que ele assoviava bem. Caraca. Insuporável. Só parou depois que tomei a providência de falar com ele. Neguinho não consegue ficar quieto, não?

Professor de escola pública só se a lei do desarmamento for revista. A primeira providência de qualquer professor é dar um tiro de espingarda para o alto na sala de aula. Ou pelo menos que permitam dardos tranquilizantes.

Tanja Krämer said...

Dar aula em certos lugares é que nem Resident evil.

Bárbaros sonoros. Ai meu São Jerônimo. Você me fez lembrar de um vizinho. O cara era fanático por Scorpion. Todo dia botava para tocar alto demais "Still loving you".

O Comentarista said...

Vai ver o cara estava era paquerando você de uma forma meio obtusa.

Tanja Krämer said...

Essa foi boa! :-D Se for verdade, o tiro saiu pela culatra. :-)