Friday, August 22, 2008

Greve, passeata

O assunto cansa a minha beleza. Mas vamos lá. Outro dia rolou (de novo) uma greve dos funcionários da Cedae. Disseram que quase todos (70%) aderiram. Você sentiu alguma diferença? Não percebi nadinha. Todo mundo com quem andei conversando a respeito semana passada também não. Tinha gente que nem sabia o que aconteceu. Não notem niguém fedido na rua. Pelo menos mais que o normal.

Raciocina comigo. A empresa deu conta do recado com 30% do efetivo. O que a maioria faz por lá então?

Imagino que a rotina desse pessoal seja assim:

8h: desenho
11h: almoço
12h: sobremesa
12h30: sesta
13h30: Nintendo
15h15: trabalho
15h20: fofoca
15h24: discussão sobre a próxima greve
15h54: adiós, muchachos

Trabalhar na Cedae até parece uma colônia de férias por outros meios.

Coincidência ou não (nunca é, mas enfim), aconteceu também uma passeata de privilegiados do Estado (porque servidores somos nós, lacaios) em frente ao Palácio das Laranjeiras. Motivo: pedição de grana. Claro, com lindos adornos. Melhoria nos serviços etc. Se o governo (que também não vale nada) bate o pezinho, aí eles reclamam: "Descaso com a saúde! Descaso com a educação!" Mordomia agora tem outro nome. Me engana que eu gosto.

Procurei no jornal Inverta (que só eu e mais três pessoas lêem) alguma coisa sobre os dois assuntos. Topei com um editoral sobre a Cedae:

Greve na CEDAE

Os trabalhadores da CEDAE (Companhia de Águas e Esgotos do Estado do Rio de Janeiro) entraram em greve de 24 horas com indicativo de paralisação geral pela intransigência dos patrões em não aceitar negociar o acordo coletivo da categoria, que é sempre negociado em 1º de Maio. As questões principais para os cedaeanos são a garantia no emprego e a manutenção da jornada de trabalho de 40h semanais, ou seja, os trabalhadores querem impedir o desemprego, e, com o aumento da jornada de trabalho, maior exploração dos funcionários da empresa, já que a proposta de aumento salarial não existe. A greve tem como objetivo provocar a abertura dos canais de negociação trabalhista porque os chefões da empresa já ajuizaram nos tribunais trabalhistas suas propostas de mais exploração e garantia de desemprego a qualquer momento já que as ameaças começaram.


"Patrões", "chefões", "cedeanos". Ai, ai. Mas deixa esses termos para lá. Outra coisa é mais importante. Você pensou que peguei um editorial recente, não foi? Nada! Ele é de 2003. A mesma porcaria de antes se repete agora. Esses grevistas são robozinhos teleguiados.

Um trecho de outra matéria do Inverta:

Os trabalhadores da CEDAE estão dispostos a manter a tradição dos últimos anos e enfrentar o governo do Estado (Garotinho), a fim de evitar a continuação do sucateamento da empresa e impedir sua privatização, conquistar na luta um acordo coletivo onde: a recuperação das perdas salariais, a garantia de emprego, concurso público para melhoria dos serviços prestados à população; e somar-se à luta dos trabalhadores das empresas de saneamento básico do país inteiro, para impedir a privatização desse setor como quer o governo federal. Estas foram as falações feitas na Assembléia.


De novo, retocando aqui e ali, tudo poderia ser repetido hoje. As "falações cedaenas" (quase termo acadêmico) são de 2001. Slogans recicláveis.

A loucura tem método. Os privilegiados do Estado fazem greve como forma de pressão. Os pretextos lindos são só isso mesmo: pretextos. O que querem é desestabilizar tudo quando convém.

A verdade é que os serviços básicos estatais são ninho de comunas. Quer dizer que todo privilegiado estatal é comuna? Não. Mas os comunas sabem aproveitar as chances. Como ninguém quer saber de política, eles tomam a cabeça dos sindicatos. Outra coisa. Isso tudo significa que eles seqüestraram os serviços. Imagina um monte de fanáticos de prontidão, prestes a sabotar os serviços básicos de uma cidade a qualquer momento! Nem preciso martelar a gravidade da situação.

Pompeu dizia: "Se eu bater os pés no chão, surgiram legiões do nada para derrotar César." Depois ele tomou na cabeça... Mas quem controla essa gente do sindicato pode ser mais eficiente que Pompeu. Eles podem mesmo convocar uma cabeçada de gente do nada. Eles podem botar uma cidade como o Rio de Janeiro de joelhos. Eles são como Marco Antônio incitando a plebe a caçar os assassinos de César.

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