Wednesday, April 02, 2008

Mas o Estado-babá tem amantes

Para variar, Artistas pedem lei para bancar teatro nacional.

Cerca de 150 representantes de grupos teatrais de todas as regiões do Brasil fizeram um protesto no Memorial de Curitiba, sede do Festival de Curitiba, no começo da tarde desta quinta-feira. O ato pediu a criação de uma lei que estabeleça o Prêmio Teatro Brasileiro, para sustentar a produção teatral nacional.

O ator e fundador do grupo Os Satyros, Ivam Cabral, fez a leitura da Carta de Porto Alegre, redigida pelo movimento Redemoinho, que congrega grupos de 11 estados, entre eles o Galpão, de Belo Horizonte, e o Teatro da Vertigem, de São Paulo. Na carta, havia críticas à Lei Rouanet, tachada de “privatizante’’ e “excludente’’. O coordenador do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz, apoiou o ato.

O ator Luís Melo foi um dos primeiros a assinar o abaixo-assinado pedindo a lei. “Não há patrocínio para grupos de pesquisa, precisamos mudar isso”, defendeu. “Já é difícil fazer teatro no Rio e em São Paulo, imagina em outros lugares.’

O ator Sérgio Marone, que não pôde ficar até o fim do ato porque tinha vôo marcado para deixar a cidade, fez questão de deixar seu apoio. “Em qualquer lugar civilizado do mundo, o governo banca a cultura”, disse. “O teatro, sobretudo o de grupo, não consegue se sustentar com a bilheteria.”


Esses caras não tomam jeito!

Antes existiam aqueles caras que faziam artes nas ruas em troca de dinheiro. Agora existe mais uma nova categoria. É o artista pedinte estatal. Ele sai de sua casa bonita, se junta a outros artistas pedintes estatais, aí eles fazem um manifesto exigindo grana do governo e depois voltam de avião. Nem se dão mais ao trabalho sequer de fingir que fazem arte. É que o método de arrecadação de bilheteria já está muito ultrapassado. Não tem coisa mais eficiente do que o método da bilheteria compulsória. Obrigar a população inteira a pagar pelo "espetáculo" vale mais a pena. Financiamento estatal da cultura é isso.

Nem vou dizer nada sobre a independência de uma cultura dessas. Se o Schopenhauer já reclamava do Estado se meter no ensino de filosofia, imagina o que diria sobre arte patrocinada pelo governo.

E depois reclamam do fascismo.

3 comments:

Anonymous said...

Oi, Tanja
Parabéns por seus textos agradáveis; num deles vi que você admira Napoleão Mendes de Almeida, eu o adoro, apesar do que dizem, há outros autores aqui muito legais também (alguns que eu desconhecia),que bom! :-)
Abração
Carla Cristina

Evelyn Mayer de Almeida said...

Hei, Lindona.

É nossa obrigação pagar este povo. O do governo é apenas dobrar o salário deles em 100% e os artistas ganharem horrores sem terem - alguns - o mínimo básico de estudo, apenas bunda e dente.
;-)

A gente morre e não vê tudo...

Tanja Krämer said...

Oi, Carla! Não sou uma grande conhecedora do Napoleão. O pouco que conheci eu gostei.

Eve, pois é! Aqui no Brasil o negócio é o seguinte. Oprime quem conseguir meter a mão no Estado primeiro. Aí depois colocam a culpa no "neoliberalismo".