Monday, April 21, 2008

Holiday in Camboja

(Feriado, como te quis!)

Antes de ir passear (e talvez, talvez viajar):

1. Às vezes dizem que a virtude é um dever. Não, não. Se a virtude for um saco, ninguém vai querer ser virtuoso. (Sorry, mas dever sempre tem uma dose de malquerença.) Outra coisa. Eu sei que dá para impor um dever. Mas nunca, nunquinha ouvi falar de alguém que impôs uma virtude. Podia dar certo se dissessem: "Agora você vai ser virtuoso, porra! Senão vai pedir para sair!" Não é assim que o bonde anda.

Gente, vamos esquecer essa história de que virtude é um sofrimento bacaninha. Só é sofrimento para quem não é virtuoso. Por essas e outras eu não gosto da expressão "dever de mãe". Se ser mãe fosse um dever, a gente estaria fo-di-da (e os filhos também).

2. Detesto, me dói o dente, é ouvir Chico Buarque cantando, dá-me náuseas (by Pedro) qualquer código moral ou regra de conduta. Pelo menos se for uma coisa entendida a ferro e fogo.

Não acredito nessas coisas porque:

a) as pessoas não são ideais andando de lá para cá. O modo de agir de cada um é muito particular e circunstanciado. Não dá para aplicar a ferro e fogo esse tipo de coisa. É necessário aceitar todo tipo de variação segundo cada pessoa;

b) um código moral ou regra de conduta é quase uma estatização da vida;

c) a sociedade vira ídolo;

d) neguinho acaba achando que regra de conduta ou código moral são o ó do forrobodó, quando na verdade são um problema de mera conveniência pública;

e) tudo isso, absorvido em nossa vida mais pessoal, interna e profunda, é uma falsificação intolerável de nós mesmos;

f) and last but not least, é coisa de capial deslumbrado.

3. Vira e mexe alguém me diz que ter muitos feriados é coisa de país magrinho e cabeçudo (termo mais pedante: subdesenvolvido) Ok. Lindo mesmo era o Faraó, que não dava feriadinho nenhum para os judeus. Já a Idade Média era uma farra. Sabe como é, aquela mania intolerável de festejar dias de santos, perder tempo indo à igreja e tal. (Sem contar a mania irresponsável de não exigir identidade, CPF, comprovante de residência, carteira de motorista, xérox autenticada, carteira de estudante, comprovante do IR...) Era um tempo bem vagabundo, não? Mas lindo mesmo é o Faraó redivivus. Saiu do sarcófago para de novo nos oprimir com manhas. Todos viramos judeus agora e Faraó é nosso Estado.

O Brasil é o país do samba do crioulo doido. Resolveu aprontar uma bizarria. Como de costume. Juntou uma porrada de feriados com a necessidade de a gente trabalhar feito um condenado para saciar o Estado-Faraó. Brasil, o país do futuro, viva!

5 comments:

Evelyn Mayer de Almeida said...

Se não sendo dever viver as virtudes já é difícil (e porque não um saco) imagine se dever fosse?

Estávamos mesmo FO-DI-DA e mal pagas ;-)

Evelyn Mayer de Almeida said...

Amei, Tanja!

Muito mto mto obrigada!
Quje a Virgem te abençoe.

jean said...

Oie...tudo bem por ai??? faz tempo que a gente nao se fala hein?rs ate jah fui pro Brasil e jah voltei rs..espero que esteja tudo bem..bjoo

Anonymous said...

Esse post não tem nada a ver. Bem, o texto é ótimo para variar. Mas é só para dizer que no dia 29/09 às 19 horas vou aparecer no programa Happy Hour do GNT. O tema é "filhos autistas" - ou coisa parecida.

Falando nisso, quanto mais me dedico a entender o autismo e as variadas manifestações do chamado "espectro autístico", concluo que algo dessa malemolência brasileira, algo dessa vontade de ser regulado pelo Estato....tem alguma coisa de autista nisso.

Abraços

NO.

Tanja Krämer said...

Oi, Jean! Precisamos tricotar. Estou com saudades.

Espero assistir à sua participação, NO! E gostei da sua tese. Politicamente incorreta na dose certa. :-) Já ouvi falar do problema da sífilis congênita (ou coisa assim) no Brasil. Epidemia e muitas gerações doentes teriam mongolizado o brasileiro. Mas sei lá. Acho que o Brasil não foi o único a sofrer de epidemia de sífilis por muito tempo.

A propósito, dia desses um amigo meu me falou de um filme. Se chama "O cubo". Se tornou cult. O herói é um autista. Não fiquei surpresa. O romance moderno começou com um personagem cujo maior traço era ser pancada das idéias. Tinha que acabar num troço desses.

Abraços!