Thursday, March 13, 2008

Raiva cósmica

(Tentativa de expressão.)

Ah! Existem horas frias. Uns intervalos escuros que criam pequenos buracos na camada mais dura e profunda da nossa pessoa. (Se é que houve tempo para a formação da rocha!) O ao redor parece feio. A realidade se esfarela. A poeira nos cobre. Viramos para lá e para cá, incomodados. O coração ofendido murmura uma sensação de pobreza. Os dentes se chamam, apertados. Tudo se desdobra numa indignação genérica. Dá vontade de gritar qualquer coisa. Um pensamento ímpar aparece sem grande educação: "Este mundo é bom mesmo?" A ordem do mundo... ela não parece nos acomodar. Neste momento, que é queda, parecemos mais belos que tudo o que nos cerca. Só que isso tudo, agora mera circunstância enviesada de nós mesmos, nos imobiliza em paradoxo. É mais fácil apenas aquecermos a nossa garganta com um grito de dor. Disfarçamos o gelado que nos tomou.

A repetição desses momentos desgasta a raiz da nossa pessoa. A sensibilidade é perdida. Mas compensamos com uma força aparente. Primitiva.

Não há nada mais perigoso para nós que permanecer em atrito com tudo o que nos cerca.

5 comments:

Evelyn Mayer de Almeida said...

"Não há nada mais perigoso para nós que permanecer em atrito com tudo o que nos cerca."


Fan-tás-ti-co!

Amei!
Esta frase, além de verdadeira, é mto, mto séria...

Ta inspirada, hein, Filha?
Bjocas =)

Tanja said...

Brigada, mami! d:OP

Paola Giovana said...

Ultimamente têm existido muito mais horas frias do que o necessário, o ao redor tem parecido muito mais feio do que deveria e o atrito com o que nos cerca acaba por revelar com mais aridez as nossas misérias interiores. Para onde correr?

Tanja said...

Oi, Paola. Não sei se você está certa sobre tudo estar pior ultimamente. (Não estou duvidando. Eu não sei mesmo.) Não sei se tudo, que já não parece ser muito bom, está pior. (Se bem que eu acredito que as coisas são boas sim.) Só sei que a única solução para evitar o ressentimento em relação a tudo-isso-que-está-aí é o amor às coisas. Amor desinteressado! Se a gente ama, vai querer sempre o melhor. Para querer o melhor, você vai ter que enxergar como tudo tem que ser por si mesmo. Afasta-se o "olho destrutivo" de todas as coisas que às vezes participa de nós.

(Só dá para amar coisas concretas. Uma pessoa. Um bichinho. Deus.)

Acho que é necessário correr para "fora do mundo". Acredito MESMO que o mundo é uma ponte que nos liga às "úlimas coisas que valem a pena". Sem mundo não há fundo... O problema é resistir à tentação de colocar o mal em todas as coisas. Isso é uma fonte para ressentimento.

Desculpa pela vagueza da resposta.

Tanja said...

Correção: acho que NÃO é necessário correr para "fora do mundo".