Thursday, March 27, 2008

Filípicas III

Hoje eu estava falando com um amigo sobre aquele ministro que fez o maior embromation para no fim dizer um montão de besteiras sobre os embriões. Ministro em latim (minister) pode significar escravo, lacaio ou cúmplice. Então eu disse que não havia termo melhor para designá-lo. Ele se comportou mesmo como servente de abortista. E de vez em quando eu xingava o lacaio. Aí o meu amigo me disse para respeitá-lo. O termo hoje em dia tem outro sentido, o cara deve ter feito alguma coisa para merecer o cargo, ataques pessoais não adiantavam nada... Eu disse ok. Mas tinha um problema. Como é que ele me pedia para ter mais respeito com um cara que diz que gente não é gente? Aproveitei e disse que tomava aquilo (o que o ministro tinha dito) como insulto pessoal. Meu amigo quis saber o motivo. Era claro, ué! Na opinião do ministro, teve uma época que eu não era gente. Era algo que nem ele sabia explicar. Mas gente eu não era. Se eu não era gente, então eu só poderia ser coisa. Pô! Se o cara vira para mim e fala que não sou gente (falando sério), ou que tem gente que não é gente, como é que eu não vou tomar isso como insulto pessoal? Esse cara só pode ter brita na cabeça! Ademais (expressão meio chique), o cara não é nenhum barnabé. É ministro do STF. Todo mundo espera que alguém nesse cargo não diga tronchices. Posso não ter qualquer governo em alta estima, mas sei que ser juiz de uma coisa dessas é algo sério. Se eu estou dizendo que esse ministro é pilantra, não é por falta de respeito. Ao contrário! É que tenho profundo respeito pelo cargo desse trouxa. (Na Bíblia, os juízes são comparados a deuses. Repito, é algo sério.) Aproveitei para dizer que alguém tinha que dar um "pedala Robinho" bem dado no ministro Ayres Britto. Por respeito ao cargo, lógico. E para ele deixar de ser bestão também.

(Um carinha, depois do voto do ministro, disse que ele (o voto) foi "antológico". Nada disso. Foi outra coisa. Voto de anta, é lógico!)


Update: Muita gente tem escrito coisas legais sobre esse assunto. Júlio Lemos foi um. Se bem que o post todo (cheio de outros assuntos) está legal. Só não conheço a banda Labradford.

3 comments:

Julio said...

Obrigado pela menção, Tanja! :)

Vamos dizer assim que a crise dos sem-cultura já está atingindo até a cúpula do Judiciário.

Evelyn Mayer de Almeida said...

Aff, Tanja, vc falou tudo.
Eu ainda não tinha parado pra pensar que o que o Ayres disse é mesmo um insulto pessoal. Eu estava tão presa à questão de salvar os embriões que não me atentei à ofensa pessoal: ele foi ridículo contra os que não nasceram, mas também com os que nasceram. E o pior é ver gente aplaudindo uma anta destas!

Fala sério, é cada coisa que a gente tem que ver...

Tanja said...

A pior ofensa pessoal é negar a "pessoalidade" de alguém. Coisificar alguém é brutal.