Saturday, March 29, 2008

estudar a filosofia é coisa de gente revoltada?

O título é uma palavra-chave de alguém que acabou no meu blog. Divertido. Talvez seja do mesmo cara que digitou filosofia: gente-revoltada-que-não-gosta-de-religião. Dá para imaginar Marco Aurélio de toga rasgadinha, escrito atrás Imperium merda es, com a imagem do Enéias mostrando o dedo?

Mas sabe o que é coisa de gente revoltada? A primeira paixão. Musil:

Pois a primeira paixão adolescente não é amor por uma pessoa, e sim o ódio a todas as pessoas. Sentir-se incompreendido e não compreender o mundo não é o efeito de uma primeira paixão, mas sua causa. A paixão é apenas um refúgio, no qual estar com o outro significa solidão duplicada.


Espera. Tem outra coisa legal aqui:

Quase sempre a primeira paixão pouco perdura e deixa um ressaibo amargo. Trata-se de um logro, uma decepção. Quando ela passa, não compreendemos como fomos capazes de tudo aquilo, nem sabemos a quem culpar. Isso acontece porque as personagens desse drama em geral se encontram por acaso: eventuais companheiros de uma fuga enlouquecida. Apaziguados, não se reconhecem mais. Percebem que são diferentes, porque já não se dão conta do que têm em comum.


Acho que isso acontece com amizade também. Você pensa:"Caraca, por que fui quase atropelada quando andava com essa gente mesmo, hein?" É algo que acaba caindo na conta das "tosquices juvenis". Não fica amargo demais porque dá a sensação de termos feito a porcaria na época certa. Como se juventude fosse um passe-livre para fazer merdas. Tipo patrocínio do Ministério da Cultura.

Minha dúvida é a seguinte. Se Romeu e Julieta vivessem mais um pouco, será que, quando tudo se acalmasse, eles pensariam de repente: "Mas hein? Por que a gente fez tudo isso mesmo?" A pergunta vale também para Tristão e Isolda.

2 comments:

The Black said...

Hola.. muy bueno tu blog.!!

Tanja said...

Muchas gracias!