Sunday, December 30, 2007

Lula

Foi sexta que o presidente fez o pronunciamento? Não vi. Posso adivinhar o que disse. Que está tudo muito lindo. Que a oposição destruiu a saúde. E mongolices do tipo.

Alguns defeitos são tão bizarros que são admiráveis. O Lula como um todo (e seus representados, legião) é exemplo. Ele e Pamonha Alckmin debatiam nas eleições. Sempre que se via acuado (quase sempre), Lula ficava abrindo e fechando os braços que nem o macaco Tião. Parecia um besta. O populacho entendeu que Lula venceu o debate. Claro. É que ele deu várias narigadas na mão do Pamonha. Outra. Quando o papa visitou o país, Lula ficou repetindo toda hora que Igreja e Estado tinham que estar separados. Claro que eram seus acessores que assopraram essa idéia. E o quico? Bastava perguntar ao papa. Ele diria a mesma coisa. Acontece que essas afirmações eram coisa de gente histérica. Não tinham nada a ver. O papa não veio se candidatar a presidente do Brasil.

A outra, mais notória, foi do mensalão. O cara preferiu sustentar a versão de que era um completo irresponsável e débil mental. Não sei como não falou que governava bêbado. Lindo foi que a desculpa colou. Agora, com a CPMF, a mesma coisa. Apostou tudo na votação. Perdeu. Diz agora que a saúde foi sabotada. Retórica, né? Só que é confissão. De novo, diz nas entrelinhas que é um irresponsável que foi pego com as calças na mão.

Não é admirável a capacidade que ele tem de se humilhar para se desculpar? O cara está abaixo da cretinice. Ele e o seu partido.

***

Genoíno e Dirceu são outros dois que não valem nada. Cara, até hoje fico espantada quando me lembro da cara de idiotas que faziam diante das acusações. Eles se achavam (e se acham) os gostosões. Quando o negócio apertou, ficaram se fazendo de mongolóides. Os heróis da guerrilha. Não foi à toa que levaram na cabeça, se ferraram. Uns palhaços desses jamais teriam coragem de fazer nada. A não ser que estivessem bem escondidinhos, sem que a vítima pudesse reagir.

Thursday, December 27, 2007

Help

Situação:

Você tem uns 50 contos. Só pode escolher um dos itens abaixo:

1) Teatro completo de Shakespeare, tradução do Carlos Alberto Nunes (acho);
2) Do amanhecer à decadência, Jacques Barzun;
3) Les pères de l’Église, do Drobner, tradução francesa do original alemão.

Considerações:

a) Você adora estudos sobre Igreja; não tem nenhum livro sobre patrística; esse do Drobner é um manual de mais de 600 páginas;
b) Há tempos você vem querendo o diacho do livro do Barzun;
c) Shakespeare, bem, é Shakespeare, mesmo através do Nunes; está barato (dá para desconfiar);
d) Você não sabe quando terá oportunidade de comprar qualquer um deles de novo;
e) Você tem pouco tempo para se decidir.

Ay, caramba! Que fazer?

(Que fim terá esse drama de fim de ano? Qual deles a Espectadora escolherá? Haverá alguma reviravolta dramática? O ano que vem trará a resposta; paciência!)

Wednesday, December 26, 2007

Aristóteles, porém

Gosto de filosofia. Só que às vezes ela me deprime. E algumas vezes duas vezes!

Deprime quando é uma espécie de sistema fechado em si mesmo. Quando é um idealismo. Quando é um ceticismo também. Detestável quando nos prendem numa jaula. Hoje ou ontem mesmo pensava assim sobre materialismo enquanto ouvia alguma música. Dá para levá-lo a sério? A ferro e fogo? Você acabaria se podando todo orgulhoso. Mas estaria perdendo muita coisa importante. Alguma coisa de vital. Não acredito nesse tipo de coisa. Nem consigo imaginar que alguém leve a sério o materialismo. Deve ser alguma pegadinha. Mas, seja ou não uma pegadinha, tomar uma filosofia fechada em si mesma como expressão da verdade é para mim experiência péssima.

Às vezes deprime duas vezes quando a gente faz um salto que ignora a experiência e cai na ciência. Não sei se já disse que sou alguém que tende para abstrações mas que sente saudade de uma coisa palpável. Uma idéia como amor. Pode parecer bonito dizer algo do tipo “ei, devemos amar a alma, porque ela é, em nós, algo universal e que se comunica com o divino.” E o fato palpável? Fulaninho ama cicrana. Ponto. Ama tanto que a vida chega a ser curta para tanto amor. E vai ao supermercado comprar uma laranja para fazer suco a fim de agradá-la. E dá um beijinho em seu calcanhar gordinho enquanto ela dorme, antes de sair para trabalhar. O que significa de um ponto de vista palpável aquela frase na vida amorosa do Fulaninho e cicrana? Se não significa nada, é oca. Blábláblá. Como deve acontecer com as idéias na guerra. Outro dia vi um filme em que um soldado disse mais ou menos o seguinte “Só agora percebo que todas as frases que ouvi sobre coragem, patriotismo e honra não significam nada.” Pode ser até que existisse algum valor nelas. Mas se eu pego um atalho direto para a ciência, sem passar pela experiência, tudo não passa de um amontoado de frases vazias. Elas ficam passeando diante de mim. Dou meu assentimento uma hora pela elegância, outra pela lógica aparente, outra pela vontade, enfim pela minha vaidade. O que elas representam mesmo? É nessa parte que a filosofia pode ser duas vezes deprimente. É quando vira só um monte de textos legais. Aí você (eu) pensa (penso) num belo dia: “Mas o que isso quer dizer para mim mesmo?” Só mais um exemplo. O belo. Caraca, dá para a gente sair divagando sobre o belo, ou sobre os três transcendentais. Olha só que idéia imponente, “os três transcendentais, o belo, o bom e o verdadeiro, estão unidos; seja o homem voltado para a sua contemplação”. Inventei agora essa frase, não a idéia. Se eu nunca tive uma experiência bela, nem uma boa, nem uma verdadeira, isso tudo é blábláblá. Filosofar é só uma palavra bonita para a hipocrisia, o pedantismo e a vaidade.

Acho que existe uma ligação entre a filosofia, a vida pessoal, o particular e a poesia. A filosofia pode ser corrompida naquele duplo efeito deprimente. Acontece uma coisa parecida na vida pessoal. Existe sempre uma figura nossa, exterior, e nós mesmos. Se a sua figura exterior não está em sincronia com você mesmo, o descompasso faz com que a gente se falseie. Com o particular, há problema quando a gente faz abstrações ou generalizações que acabem destruindo, digamos assim, a essência do particular. Não que cada coisa em particular não permita o acesso a alguma idéia universal. O problema é quando você passa por cima dele por causa de alguma questão de método, de comodismo ou de algo do tipo. Enfim, a poesia. Se ela não tem nada de individual, é apenas um esquema ou exercício estéril. Pode ser também uma boa cópia. Tem algum valor. Mas no fundo é cópia. Acontece. Há máquinas de xérox muito boas. O resultado pode ser satisfatório. Só que nunca vai deixar de ser cópia, mesmo quando bem feita. Uma coisa é você encontrar uma ponte nas coisas para um outro mundo. Coisa muito diferente é você apelar para idéias e frases que não criaram raízes em seu coração. A partir delas, criar um arremedo do outro mundo.

Pode ser que o parágrafo anterior tenha ficado obscuro. São idéias que espero um dia desenvolver mais um pouquinho.

O título do post talvez agora seja mais compreensível. É bacaninha estudar Aristóteles. O homem era um fenômeno. Agora, o que isso vai adiantar? Como na Ética. Ele mesmo escreveu que seu estudo exige experiência de vida. Jesus Cristo disse uma vez que é coisa de burrinho ouvir suas palavras e tal sem praticar nada do que ele ensinava.

Olha, deprimente é quando você imagina que há o dilema de decidir entre a falsidade e o desespero. Deprimente-deprimente mesmo é o que levou a gente a meter na cuca esse raio de dilema.

Tudo isso é para deixar a gente meio pinel. E preciso ser menos confusa. Mas enfim.

***

Então chega um poeta. Mete em dois versinhos toda uma filosofia. Como ele conseguiu contrair tanto uma idéia? Goethe:

O que desejamos na mocidade
Temos em abundância na velhice.


Puxa, isso é um ensinamento que para ele não tinha nadinha de formal. A idéia é dele porque ele a conquistou para si mesmo. O que nos vemos são as jóias dessa conquista. O mérito foi para o túmulo com ele. Sobre a conquista, acho que o Marquês de Maricá foi quem disse uma idéia assim, mas como se estivesse espelhada:


Os defeitos da mocidade são os vícios da velhice.

Essas frases grudam no cérebro que só!

Eu, aqui, tentando expressar umas idéias, cheia de dificuldades... Aí chegam uns caras como o Goethe e o Marquês de Marica e numa frase só resolvem seus problemas.

Deve ser legal ser poeta.

***

O entorno é importante para nossa vida. Ele nos marca. Seria bom deixar o Goethe fazer uma reflexão: “(...) a tarefa da biografia é, segundo me parece, descrever e mostrar o homem em suas relações com a época, até que ponto o conjunto o contraria ou favorece, que idéias ele forma em resultado disso a respeito do mundo e da humanidade, e – se é artista, poeta, escritor – de que modo as reflete.” O entorno pode ter um efeito deprimente ou não. Importa no fundo como ele nos molda. (Não parece com aquela frase do Ortega, “eu sou eu e minha circunstância”? Ele adorava o Goethe.) Me refiro a tendências. Porque é claro que nem tudo de uma época é ruim ou bom.

Tuesday, December 18, 2007

Pintura romântica

Um amigo meu me mostrou uma garota e começou a refletir: “Não acha que ela parece ter saído do século XIX? Suas roupas não tem nada a ver. Mas pensa comigo: sua camisa de banda de rock... Aposto que o vocalista dessa banda seria seu cavaleiro medieval às avessas. Sua roupa escura é de um romantismo perfeitamente gótico. Não é bem pálida? A luz a deixa ainda mais. É muito magra. Você acha que a musa dos românticos (ou exaltados, como você me disse outra vez) era virginal, mas olhe bem para essa garota. Virginal sempre me pareceu uma idéia de afastamento do mundo. Essa idéia também tem a ver (você pode notar) com magreza, palidez... (Percebe que é uma coisa cultivada? Ninguém perde um pouco da própria vida, sendo nova, à toa.) Mas seus lábios são bem salientes, não acha? Sua expressão é até forte. Tem longos cabelos. Não acha isso esquisito? Ela não tem mais nada de estranho. É gótica por causa de alguma conexão estranha com o passado, mas essa roupa de banda e outras coisas são provas de que ela vive mesmo em nosso tempo. Como tudo isso é curioso!”

Meu amigo sentimental parecia estar vendo um quadro. Ele se empolgou e saiu decompondo o que via ou queria ver. Tentei ver com os olhos dele. Difícil. Por que afastamento do mundo lembra fraqueza? E a Capela Sistina? Do que ele dizia só guardei a forma exterior. Palavras...

Sunday, December 02, 2007

Contraponto


Ou "momento Felícia". Estou quase apertando a tela do computador. (Acho que peguei no Fotocats. Faz tanto tempo que nem lembro mais.)