Monday, November 26, 2007

Nevermore



Então você assistia a um filme de terror e quando olha para o lado... seu gato está assim! Ele diz meio rouco: "Nevermore!"

Não. Isso não aconteceu comigo. Só quis compartilhar minha surpresa quando vi essa foto no Fotocats.

Sunday, November 25, 2007

Cultura de doido

Hoje eu estava pensando em como entretenimento, er, cultural, é coisa de louco.

Há teorias bizarras sobre conspiração. Vida após a morte. Deus. Cosmogonia. Homem. Tudo isso vira motivo para HQs, RPG, ficção científica... Vou dar um exemplo comum.

É a maior moda falar em ET. Por que da Idade Moderna para trás ninguém dizia nada sobre viagem planetária? Simples. Porque viajar para um planeta seria equivalente a viajar para dentro de um vulcão cheio de lava. É impossível. Os planetas não seriam feitos como a Terra. Aqui tem rocha, tem água, tem ar, tem fogo. Os planetas são compostos por outra substância também e de modo progressivo. Quero dizer o seguinte. Não daria para pisar em Marte porque a composição de lá não é a mesma da Terra. A Lua seria o mais “sólido” dos planetas. Por isso é o que está mais próximo. Teria éter em composição menos pura.

Como haveria homens vivendo no éter? No éter vivem os deuses (by Hölderlin).

Mas e se os planetas fossem que nem o nosso? Galileu observou a Lua e descobriu crateras e vales. Era possível pisar nela. Era uma idéia meio bizarra imaginar um monstro de pedra flutuando no espaço. Pois é. Mas não dava para duvidar do que era visto.

Outra coisa. E se houver muitos mundos (by G. Bruno)? Se este não for o centro, porque é pesado? Se há múltiplos centros, pode ser que haja múltiplas criaturas por aí. (Observação: Einstein escreveu que nunca havia sido encontrado um “centro físico” do universo.) Pronto. A concepção teórica de cosmos permitiria supor a partir daí várias Terras. Ciência e ficção andando juntinhas.

(Mas olha. Não estou entrando no mérito de localizações perfeitas para haver vida. Estou apenas comentando um pressuposto.)

É engraçado esse negócio de ET porque é meio que uma concepção da Terra como centro do mundo às avessas. Os ETs viajariam uma cacetada de quilômetros só para nos dar alguma coisa muito boa (ou dominar o mundo). Há quem acredite nesses negócios de confederações intergaláticas e tal. Estaríamos alheios à política universal... Sempre os desenvolvidos são eles. Os ETs vêm trazer uma mensagem linda porque são desenvolvidos demais. (Essa é a explicação que já ouvi algumas pessoas darem para quem lhes pergunta se há ETs maus. “Você acha que criaturas tão desenvolvidas vão ser mesquinhas que nem nós?” Supondo, por exemplo, que nível de tecnologia seja equivalente a nível espiritual. Ou que a forma material seja indício de bondade. Muito estranho isso.) Esses caras que acreditam em ETs parecem com os brasileiros. Tudo aqui não presta e tudo de fora é lindo. Parece também que é como se a Terra fosse uma enorme União Soviética e os ETs fossem aqueles grupos de combate à fome que salvaram milhões de russos.

(Mais engraçado é quando um ateu acredita em ETs e tal. Por essas e outras que o Chesterton dizia que o ateu não é quem não acredita em nada, mas em tudo, até que Deus não existe.)

Existe uma concepção de mundo segundo a qual a Terra é oca. Outro dia eu estava lendo uns trechos do livro de um cara meio doido que acreditava nisso. (O cara assinava como Van Helsing.) Os nazis também. Não sei dizer de onde veio essa idéia. Desconfio que tenha alguma coisa a ver com interpretação esquisita de mitologia nórdica. Parece que no passado eles acreditavam haver uma raça inteira vivendo debaixo da terra. No Anel do Nibelungo há até um nome para esse lugar. É o Nibelheilm. Na ópera Siegfried, Wotan diz:

Na profundeza da Terra
vivem os nibelungos:
Nibelheim é seu país.
são elfos das sombras;

(Tradução daqui.)

Não sei se é verdade, mas já ouvi falar que os nazis tentaram bolar um plano para levar o povo alemão para as profundezas da terra quando as coisas começaram a engrossar para o lado deles.

Viagem ao centro da terra foi em parte inspirado nessa concepção de mundo. Não sei por quê, mas segundo essa teoria uma entrada estava localizada na Islândia. Os protagonistas da história do Júlio Verne encontraram essa entrada por lá. Engraçado que havia na história respaldo científico! Já li faz muito tempo, mas me lembro que era um geólogo que liderou a expedição. Parece que os nazis também achavam que ficava na Islândia esse buraco.

Ficção científica explora até a demência essas teorias bizarras. O que me chama atenção é a onipresença dessas coisas. Filmes, HQs, RPGs e livros de terror ou ficcção científica servem como panfletos de divulgação. Coloco no bonde histórias de terror porque acontece muito de elas serem usadas como escadinha para idéias bizarras de religião. Pior quando juntam história de terror, conspiração mundial e teorias científicas amalucadas. Muito anime poderia ser definido assim. Um que é mais ou menos assim é Vampire hunter D.

(Duas coisas básicas agora. A mera descrição de uma obra pode demonstrar que ela é ruim. Só você descrever a história de um filme, quase sempre basta. Esse anime até tem uma coisinha ou outra legal. Mas leia na Wiki o primeiro parágrafo do enredo. Já será satisfatório... A outra coisa é o seguinte. Vampiros sempre são kitsch. Entrevista com vampiro é coisa de emo. Já vampiros sofisticados e cheios de enfeite são mistura de emo com Clóvis Bornai.)

Nem vou comentar nada sobre jogo de videogame. É panfleto do panfleto. (Olha que gosto de jogar.)

É fácil ver que existe uma shitstorm cultural. Não é fácil saber até que ponto isso é feito de propósito. Mas não sou partidária das opiniões de alguns religiosos mais hardcores. Já ouvi algumas vezes gente dizer que muitas empresas têm pactos com o coisa-ruim. Eu não posso afirmar uma coisa dessas porque não sei de nada. Outro motivo de eu não partilhar desse tipo de opinião é que não costumo ver um problema cultural como reflexo direto de uma batalha sobrenatural. Mas veja só. Acredito que existam criaturas sobrenaturais lutando pró ou contra os homens. Deus existe. Tudo isso pode muito bem interferir nos negócios aqui do mundo. O que não tenho o costume de fazer é despersonalizar as ações individuais para atribuí-las a um espírito do mal ou do bem. Não concordo em ser radical nesse ponto porque senão tudo seria quase uma discussão religiosa. Eu não acho mesmo que quem concorda com idéias do tipo “há ETs bacanas” é porta-voz de alguma entidade maligna ou está possuído. Acredito mais que seja um cara meio doido. Eu acho até que ser radical nesse ponto é um tipo de recaída pagã. Você fez isso porque Afrodite quis, fez aquilo por causa de Apolo, fez mais isso por causa de Atena. O último motivo é que sou uma mistura de pessoa que pensa em causas gerais e alguém que faz questão de ter algum pé no chão. Quando a causa começa a ficar muito geral, não gosto. Um exemplo. Você diz que ficar chateado tem como causa o Pecado Original. Não está errado. O problema é que um motivo mais particular “empurrou” sua chateação para fora. Se eu perguntasse assim: “Por que fulano gritou com cicrano?”, acho que a melhor resposta, ou pelo menos a causa mais imediata, não poderia ser: “Por que Adão e Eva comeram o fruto proibido.” Essa resposta pode ser até mais elevada. Mas não explica os motivos particulares. Por isso não gosto de chegar e dizer do nada que a indústria cultural tem em quase 90% dos casos influência do coisa-ruim. Mesmo acreditando que ele exista.

Saturday, November 24, 2007

Sobre um comentário bocó

Resolvi fazer um post para responder a um comentário de um carinha chamado Gustavo. Ele fez o seguinte comentário em meu post Tropa de Elite (comentário de dois comentários):

Tanja, desculpe mas, com todo o respeito, tenho que falar:

Você é tão radical nas críticas que realmente me fez lembrar um líder fascista qualquer, ou um desses que se dizem cidadãos mas que são uns grandes nazi, daqueles que acha que bomba na favela "não é a melhor solução, mas inegável que teria seus lados bons"... Desculpe, mas foi minha impressão.

E mais.

Criticar opiniões de maneira tão violenta - e, direi, partidária - sem ter sequer visto o filme de que falam, chega a ser canalhice. Ou patético, não sei.

Abraços,
Gustavo.



Gustavo, resolvi dedicar um post a você. O que você disse é bem característico. Então é como se eu estivesse respondendo a muita gente que raciocina do mesmo jeitão.

Você chega e diz que pareço líder fascista porque fui radical em minhas críticas. Olha, como prometi que não diria um palavrão nessa resposta, vou me segurar. Pelo amor de Deus, será que você não sabe o que é fascismo ou nazismo? Se você sabe, tem noção de que me colocou abaixo de filha da puta. (Não deu para manter a promessa.) Se você não sabe, perdeu oportunidade de ficar quieto. Errado dos dois jeitos. Você, os Cuencas e Blochs da vida não têm vergonha nenhuma de saírem carimbando na testa dos outros esse tipo de coisa quando topam com opiniões contrárias. E eu que sou a escrota porque escrevi reclamando desse tipo de crítica babaca? Ora, você só pode estar de sacanagem comigo.

Me diga uma coisa. O Bloch disse que o filme era fascista. Até onde sei, o fascismo é um regime genocida. O Bloch quis dizer várias coisas. Que o filme fazia apologia ao genocídio. Defendia alguma mitologia nacional. Pregava a liderança de um grande homem. O Cuenca ainda por cima teve o descaramento de dar umas cutucadas nos militares e na Igreja. E falou mal do público. Não perdeu tempo. "A ocasião faz o ladrão". Reclamei dessas opiniões. Quer dizer então que na verdade quem disse uma barbaridade fui eu? Na sua cabeça é muito feio discordar dos outros. É coisa de fascista. Reclamar de quem chama os outros de fascista do nada é coisa de fascista na sua opinião.

Veja mais uma coisa, Gustavo. Em nenhum momento eu disse que comentaria o filme. Não entrei nesse mérito. Qualquer um que sabe ler entendeu que meu problema foi com o tipo de comentário do Bloch e do Cuenca. Está na cara que eles usaraqm o filme como escadinha para as suas papagaiadas. Os dois foram bem filisteus e eu disse as razões. Fiz citações. Não inventei nada. Eu demonstrei a palhaçada. Agora você vem me dizer que fui "partidária"? Partidária do quê? Só se for do partido da não-canalhice. Partidário foi o Cuenca que tomou as dores da crítica à classe média chincheira. Partidário foi o Bloch que assumiu logo uma crítica ideológica (o Cuenca fez a mesma coisa) para queimar o filme. O que é coisa de fascista é o que eles fizeram. Partidarizar tudo. (Na verdade o que eles fizeram nem foi crítica. Foi só associação mental. O texto do Cuenca foi todinho escrito nessa clave. Fez jus ao título de "primata superior". Homem-homem mesmo está além disso.)

Se eu lembro a você algum líder fascista, você não só me lembra um palhaço que não tem o que fazer como é de fato um. Dos mais sem-graça. Note bem. Estou sendo polida. É muito pior ser fascista que palhaço. Poderia ter te chamado de vagabundo. Continuaria barato.

Esse tipo de ofensa é o pior. Nego te dá umas porradas achando que está sendo muito legal. Depois pede desculpas, como quem diz: "Olha, eu te acho uma desgraçada e desalmada. Você deveria apodrecer na cadeia. Mas sou tão bonzinho e limpinho... Me desculpa, tá?" Aí quando alguém resolve ir além das intenções e põe para quebrar, o cara bonzinho fica todo escandalizado. Pô, está achando o quê? Parece o Mime vindo de papo para cima do Siegriefd. Mas olha. Me deixa contar uma coisa. Ninguém sabe. É que o Siegfried me deu um pouquinho do sangue do dragão também. Percebo as suas intenções. Apesar do que você diz. É por isso que você está tomando na cabeça agora. Não te desculpo coisa nenhuma. Vai lá dar as mãos para o Cuenca e o Bloch. Pulem do penhasco. E não me torra mais a paciência.

PS: Acho que farei contagem regressiva para moderação.

Sunday, November 11, 2007

Conservador Kaaos

John J. Miller fez um top 50 das melhores músicas de rock conservadoras. Bem, não sei se serviria para um top 50, mas eu queria acrescentar mais duas. Da banda dos caras da foto aí de baixo.

Você os convidaria para tomar um chá em sua casa?

Essa é uma das trocentas formações do Kaaos. Banda finlandesa de punk hardcore. Surgiu no início dos 80. Da formação inicial, só sobrou o guitarrista Jakke, que também canta.

A qualidade? Banda de punk hardcore finlandesa. Preciso dizer mais? (Pessoal lá de fora deve pensar a mesma coisa ouvindo um negócio tipo Olho Seco.)

Os caras fizeram uma música chamada Natsit ja Kommunistit. A tradução é Nazistas e comunistas. Está no álbum Totaalinen Kaaos. Olha como a letra é bonita:

Nazistas e comunistas,
Não há diferença,
Mesmo tipo de assassinos,
Mesmo tipo de açougueiros.

Nazistas e comunistas,
Mesma merda.

Exploração da liberdade,
Violência e medo.
Pessoas são violentadas,
Pessoas são mortas.


O álbum Totaalinen Kaaos.

Um minuto e cinco segundos. Começando com um grito. Tudo bem rápido. Som esquisito. É tosca até não poder mais. É, em idioma punk, o que qualquer conservador sabe. Nazistas e comunistas dão na mesma. Mesma merda.

Tem outra. Se eu fizesse um filme sobre Revolução Russa [nota: eu não acredito que existiu Revolução Russa; não naquele sentido de um monte de caras românticos tomando poder, que nem muita gente pensa sobre a tomada da Bastilha], teria mais uma do Kaaos. Sotatila. Significa Estado de guerra. Parece até que os caras viveram na época do Lênin na, ecow, URSS. A letra não faz referência à URSS. Mas serve para qualquer país comunista:

Policias e soldados patrulham as ruas,
Pessoas são dominadas,
Governo em estado de guerra.

Greves e revoltas,
Temor e angústia.
Milhares de pessoas
Jogadas na prisão.

Estado de guerra, estado de guerra, estado de guerra,
Governo em estado de guerra.


Nada disso quer dizer que a banda seja conservadora. Mas dá para colocar na conta do garçom as duas músicas. Agora vamos repetir em finlandês o refrão:

Natsit ja Kommunistit,
Samaa paskaa
.

Friday, November 09, 2007

Faculdade

Rory, o que acha disso?

Mas digo eu. Só sei que no meu caso também tive aulas com mestrando/doutorandos. (Uma vez tivemos que comprar um livro de um desses caras porque ia cair na prova. Era a tese de doutorado. Ou mestrado? Sei lá. Um belo dia apareceu um monte de livros da editora da UFRJ nas mãos do professor. Reservinha chumbrega de mercado, hein?) Uma vez rolou de graduandos sob orientação do professor do curso darem uma aula ou outra.

Já teve uma vez que mudaram de professor do nada. Peguei a porra da disciplina porque disseram que o cara era bom. Aí entrou uma Maria não sei das contas. No outro semestre fui fazer outra disciplina com ele. Antes perguntei se ia ter troca-troca de novo. "Da outra vez eu estava naquele curso até arrumarem substituto", ele contou. Quis dizer que estava quebrando galho. Pô, devia ter avisado antes, né?

Mudando um pouquinho de assunto. Vida em determinadas faculdades de determinadas universidades é uma m-e-r-d-a. Minha principal aporrinhação eram as disciplinas-Kinderovo. Você vai toda feliz se inscrever num curso de nome maneiro. Por um acaso deixa de ir na primeira semana. Quando chega, é um curso que não tinha nada a ver. E sabe-se lá o motivo, mas não tem mais como pedir exclusão. Uns exemplos. Fui me inscrever num curso chamado "Pensamento Medieval e Universidades". Cheguei toda contente, sentei. Daqui a pouco a mulher está me falando um negócio sobre judeus no Egito. E início da formação da Torá. E estilo de escrita na Bíblia. "Vai ver é uma dessas digressões malucas que nego gosta de fazer", pensei. Depois de 40 minutos: "Puta merda, tô na sala errada de novo." [nota: indicações de sala errada não são muito incomuns nesses lugares zoneados.] Olhei para a turma. Umas sete cabeças. E agora? Não lembro se perguntei pra alguém ou a professora que viu a minha cara de boi olhando pra palácio. Me disseram o assunto do curso. "História da Formação da Bíblia". Ou qualquer coisa assim. Ok, é um assunto que pode ser bacaninha. Mas cadê a disciplina que me inscrevi? "É que eu queria dar aula disso, mas na grade não dava para usar esse nome. Peguei um curso que ninguém daria esse semestre e deixei o nome por causa da burocracia", a resposta. E eu que me ferro. Acha que foi a única vez? Lá fui eu estudar de novo alguma coisa de medieval. Cheguei na sala. Mesma professora do outro semestre sobre a formação da Bíblia. "Esse negócio vai ficar frenético de novo, já tô vendo", pensei. Não deu outra. Lá foi a mulher me inventar um curso sobre o corpo na Idade Média. "Porque o corpo para eles..." Dessa vez consegui escapar. Último exemplo. Fiquei toda boba por causa de um curso chamado "Historiografia Clássica". Na época eu tinha enfrentado por conta própria Tucídides. Estava empolgada para discutir a respeito. Já estava imaginando ler Heródoto, Suetônio, Tácito e mais uma porrada de gente. Só que aí me chega a professora e começa a falar de Foucault. Uns papos sobre sexo definir o homem. Passa uma entrevista dele com um cara que agora estou com preguiça de dizer quem é. Diz depois que na verdade a disciplina vai ser sobre problema de gênero na Grécia Clássica. Ha, pfui!

(Dizem que no curso de filosofia da UFRJ o negócio é mais punk. Sem contar que você pode sair montando sua grade de disciplina de um jeito que talvez leia nunca São Tomás de Aquino, só uma vez Aristóteles, mas Nietzsche direto. Fui testemunha. Quando tinha aula sobre Aristóteles, tipo algo sobre a Ética, havia cerca de sete pessoas. Quando o negócio era o professor Roberto Machado ensinando Nietzsche (ele era o "dono" de Nietzsche, como tinha um "dono" de Aristóteles, e por aí vai)... Cara, havia tanta gente que nego ficava até do lado de fora ou sentado no chão.)