Friday, August 31, 2007

paragrafo que hitler não leu do livro 5 de platão

Todo mundo que tem site deve se mijar de rir vendo como neguinho achou ele pelo buscador.

Eu podia criar uma sessão só disso. Já vi umas paradinhas trash. A mais bizarra da semana foi "parágrafo que Hitler não leu no livro 5 de platão".

Ó só, se você caiu por aqui procurando esse diacho, sorry. Nem desconfio qual seja. Nem o parágrafo nem o livro. Será do livro V da República que ele não leu? Deu molinho. Só por causa desse parágrafo não dominou o mundo!

Wow, isso é dúvida quase de erudito. Continua a busca. Boa sorte!

"Le christianisme des origines à Constantin"

O livro Le christianisme des origines à Constantin (autores: Simon Claude Mimouni/Pierre Maraval) vem me intimidando! É o primeiro tomo da coleção sobre a história do cristianismo.

As primeiras 143 páginas são só bibliografia. Constantino morreu no século IV. Então são 143 páginas de bibliografia sobre história de quatro séculos de religião. Imagina então quanta coisa deve existir sobre os dois mil anos de história do cristianismo! Ela inclui dicionários, fontes arqueológicas, papirológicas e epigráficas, trabalhos de ou sobre Padres da Igreja, cultos de mistério, relação entre cristianismo e educação clássica, formação do cânon, casos particulares da Igreja de Antioquia, Jerusalém etc, a ética familar e sexual, e mais uma pancadinha de coisas. Pode duvidar, mas fiquei umas duas horas só lendo bibliografia.

De assunto mesmo tem quase 530 páginas. E é do ano passado. Saiu pela famosérrima P.U.F., Presses Universitaires de France. (Olha aqui para ver as divisões do livro.)

Claro que não tenho muito que dizer sobre o livrinho. Mal comecei! Fiquei foi empolgada de dizer que ele existe!

Só posso dizer por enquanto que o livro mesmo não parece um negócio super-ultra-hiper-erudito, tirando aquelas 143 páginas de bibliografia. Esses dois caras souberam dar uma senhora espremidinha no assunto. E parece ser bem didático. Como é novo e faz links para três milhões de outros livros, serve de referência. Agora, se é bom mesmo, vai saber! Se não li, como é que vou resenhar?

Não sei se algum dia terminarei. Torça por mim!

Thursday, August 30, 2007

Parágrafos desconexos

Os antigos tinham Diógenes Laércio e Plutarco. A gente tem Caras.

O ideal é que a nossa vida seja delimitada como um círculo. Nossa razão de existir é o centro da circunferência. As nossas atividades são os raios. Nossa obra máxima é o diâmetro.

O maior desafio é limitar a necessidade.

Estamos quase sempre aquém ou além da gente mesmo. Sempre falta a nossa medida verdadeira.

Eu ser a melhor possível é o mesmo que eu ser a melhor que deu para o gasto?

Todas as nossas energias atuais servem para que não façamos nada com bastante vigor.

Pareço sentimental? A loucura, você sabe, é metódica.

A Criação II

O texto anterior me fez lembrar de Werther. Uns trechos:


Quando, outrora, do alto dos penedos eu espraiava o olhar para além dos rios, para o fértil vale que se alongava até àqueles outeiros e via tudo a germinar e a desabrochar em redor de mim; quando olhava esses montes, cobertos de copadas árvores desde o sopé até à crista, esses vales semeados de pequeninas matas, a água límpida do arroio serpenteado por entre os canaviais e refletindo a nuvem a que a branda brisa da tarde impelia no firmamento; quando, em seguida, ouvia o gorjear das avezinhas e extinto este, o zumbir dos besouros, que, até então ocultos na relva, surgiam aos últimos raios do sol poente; quando, enfim, atentava nesse tumultuar da vida, que do chão brotava em redor de mim, e no musgo que arranca da pedra o seu alimento, na giesta que cresce na areia ardente, revelando-me assim essa vida misteriosa e íntima da natureza; com que efusivo transporte a minha alma abraçava tudo e como, ante o espetáculo dessa superabundante vitalidade, ela se sentia iluminada! E as formas majestosas deste mundo infinito moviam-se e refletiam-se nela! Sim! Montanhas enormes me dominavam, cavavam-se precipícios a meus pés, despenhavam-se, ali, torrentes impetuosas, retumbavam as selvas e as serranias; nas profundezas da terra via cooperarem todas essas forças maravilhosas da criação, e depois, sobre a terra e sob o céu, inúmeras espécies de criaturas.

Um pouquinho mais adiante:

Desde a inacessível montanha, que nenhum pé humano pisou ainda até ao cabo do ignorado imenso Oceano, em toda a parte respira o alento do Eterno Criador, que em cada grão de pó conhece e dá vida.

Até aqui é uma descrição da beleza e majestade do mundo. Mas... as coisas são fugazes:

Poder-se-á dizer: “isto existe”, quando tudo se desvanece, quando tudo desaparece com a rapidez do raio, quando qualquer criatura tão raro e por tão pouco tempo conserva as forças vitais que possuía e se vê arrastada pela corrente, devorada pelo abismo, esfacelada contra os rochedos? Não há instante que não te devore, a ti e aos teus (...).

Tem mais. É tudo por necessidade! A geração implica corrupção. A maior aflição é essa necessidade natural. Contemplar o mundo pode chocar:

O que mina o coração é essa força imensa de destruição que a natureza contém em si própria, que nada edifica sem que destrua.

Não sei se é a melhor das traduções essa. Se deu para entender a idéia geral, beleza.
Uma pergunta. Contemplar a beleza do que quer que seja é também uma experiência melancólica?
Achou que eu ia responder, né? Sai fora! Não complica minha vida.

Wednesday, August 29, 2007

A Criação

Como é complicado descrever uma coisa bonita!

Um dia aí fiquei pasma. Estava no ponto de ônibus. E vi uma paisagem tão linda que fiquei hipnotizada. Só que era ao mesmo tempo bizarro. Na verdade, a paisagem não era assim. Ela estava assim. Foi um golpe de momento! De repente tudo tomou uma configuração fantástica e que podia sumir. E eu ali. Fiquei pensando. Pensei depois que era melhor parar de pensar. Eu tinha que olhar aquilo enquanto havia tempo. Tudo ia sumir num instante! Eu tinha muito pouco tempo e tinha que reproduzir em mim o que via.

Não sei se eu que sou louca ou se toda a beleza teima em ser circunstancial. "A" beleza pelo menos eu nunca vi. Vejo várias coisas bonitas. Foi-se a coisa, foi-se a beleza.

Toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva; secou-se a erva, e caiu sua flor

Por que tudo é desse jeito? Você tenta pegar mas sempre foge.

Eu estava esperando o ônibus e esperando que ele não aparecesse. Ele não podia dar uma de estraga-prazeres. Ele demora sempre. Por que naquela hora iria surgir do nada? Capricho? Não vinha. Ótimo. Pude olhar mais um pouquinho. Aquele momentinho seria meu para sempre!

E foi e é. O tempo passou. Lembro tudinho. Faz parte de mim. É eterno. Existem coisas que são para sempre mas que a gente capta num momento! É o mundo da Criação. Deus disse e tudo foi feito. Ainda hoje a Palavra ecoa. Porque

a Palavra do Senhor permanece eternamente.

Fiquei e fico muito feliz pelo privilégio. Não me importa mais como descrever aquilo. Importa é que eu ouço seu eco. Isso me vivifica.

***

Hm, dá uma vergonhazinha dizer essas coisas em público.

Saturday, August 25, 2007

Exemplos de como a Europa virou titica

Os exemplos dispensam explicações. Todos via The Brussels Journal:

A newly arrived Moroccan immigrant in the Italian village of Valaperta di Casatenovo, near Lecco, could not stand the statue of the Virgin Mary in a niche opposite the house which had been assigned to him. The immigrant’s Muslim faith forbids the depiction of humans. Every morning the poor man was confronted with the statue of the Madonna – an intolerable affront to his deeply-felt religious convictions. Consequently, yesterday morning the immigrant filled up the niche with concrete. Two elderly ladies were able to save the statue of the Holy Virgin, but two statues of little angels surrounding the Madonna were walled in by the zealous Moroccan.

The Madonna of Valaperta di Casatenovo had been in the niche since the 1850s. The statue was a popular place where the villagers came to pray. One wonders why the Italians do not do this sensitive immigrant a favour and send him back to Morocco or to a place where he will not be offended by statues of the Virgin Mary. Saudi Arabia, for instance.

Flanders

Badia Miri, a municipal civil servant and a Socialist trade union representative in Antwerp, Flanders, is angry because she is not allowed to wear a headscarf when working behind a desk serving citizens. The city council, which adheres to principles of “religious neutrality,” forbids civil servants who come into direct contact with the public to wear religious symbols, such as headscarves for Muslims or crosses for Christians.

Ms Miri, who is a Moroccan immigrant, demands that the city authorities assure her that Christmas trees will also be banned from municipal offices and that employees no longer get (free) chocolate eggs at Easter. “If the city council is really concerned about neutrality, then Christmas trees and Easter eggs should be banned as well,” she says.

One wonders why Ms Miri immigrated to Flanders and not to countries where she would not be disturbed by Christmas trees and chocolate Easter eggs. Saudi Arabia, for instance.

The Netherlands

The trade unions of the Dutch police are demanding that the country’s various police departments not only allow staff to celebrate Christian holidays, but also holidays of non-Christian religions, such as the Islamic Eid festival. “We are a multicultural department and integration is a very important topic. We have to be loyal to our non-indigenous colleagues,” Bert Verdijk of the Amsterdam Police Trade Union APV says. “We live in a pluriform society and have to respect other faiths,” Hans Burg of the The Hague Police Trade Union PVH says.

According to Verdijk the traditional holidays – Christmas, Easter, Whitsunday – date from a time when the Dutch population was predominantly Christian. “But this situation has changed fundamentally. I think the number of Catholics and Protestants has decreased enormously.”

France

Last Sunday, France’s far-right leader Jean-Marie Le Pen, while vacationing in Morocco, gave an interview to La Gazette du Maroc. According to Le Pen it is “absurd that those who deny Iran the right to develop nuclear energy have nuclear weapons themselves. This is unbelievable. This attitude of contempt for and dominance of other peoples is unacceptable.”

Le Pen warned that an “armed conflict with Iran will lead to the Third World War.” He said he “understands” Morocco and explained that he had opposed the independence of Algeria in 1962 and defended “l’Algérie française” because “I hoped that the young Algerian Muslims would be the spokesmen of the French flag in the Arab and Muslim world.” Commenting on the French President Nicolas Sarkozy, Le Pen said: “He is an Atlanticist, a Zionist and a Europeanist – all things which I am not.” During last Spring’s French presidential election campaign, which was won by Sarkozy, Le Pen began to court France’s Muslim immigrants.

Britain

Click here.


Ainda tem quem ache a Europa chuchu beleza!

Quer fugir do Brasil e parar na Europa? Vai na fé, amiguinho! Aproveita e fica na Bélgica. É onde você pode fazer o que quiser, como tratar mal as mulheres e ainda ser considerado funcionário importante.

Friday, August 24, 2007

Divindade

Meus irmãos, uma falsa ciência faz os ateus; uma verdadeira ciência prosterna o homem perante a Divindade; ela torna justo e sábio aquele que a teologia tornou iníquo e insensato.


Sermão do liberal crente. Se assoprar vira ateu.

Wednesday, August 22, 2007

Non angli, sed angeli



Vi essa fotinha por aí. Esqueci o endereço. Não podia deixar de colocar porque é um bebê muito lindinho!

And now, uma historinha legal. Foi contada por Beda, o Venerável, em sua História. Ele contou como o papa Gregório Magno conheceu por acaso uns anglos. Foi a partir daí que ele enviou Santo Agostinho da Cantuária e outros missionários para evangelizar a Inglaterra.

Achtung! Tradução MUITO livre. Aceito sugestões!



Não podemos passar em silêncio a história do beato Gregório, legada a nós pela tradição de nossos ancestrais, que demonstra o cuidadoso zelo que ele teve em prol da salvação de nosso povo.

Dizem que um dia alguns mercadores haviam chegado recentemente em Roma e puseram várias mercadorias à venda no fórum. Muitas pessoas confluíram para lá, entre elas o próprio Gregório. Ele notara que, dentre as mercadorias, havia uns meninos postos à venda, cujos corpos eram resplandecentes como a neve, rostos muito encantadores e com cabelos também belíssimos. Assim que os viu, ele perguntou:

− De qual região ou terra esses aí foram conduzidos?
− Da ilha da Britânia, cujos habitantes todos se lhes assemelham – responderam.

Gregório tornou a perguntar:

− Acaso tais insulares são cristãos, ou ainda permanecem enveredados em erros pagãos?
− De fato são todos pagãos – lhe deram como resposta.

Então Gregório sentiu uma viva emoção e suspirou do fundo do coração: “Ah, grande tormento!”, disse, “o príncipe das trevas goza de homens tão radiantes, tanta graça na aparência e uma mente desprovida de graça interior!” Ainda outra vez inquiriu:

− Qual o nome desse povo?
− São chamados Anglos – lhe disseram.
− Bem – afirmou −, eles têm faces de anjos, de fato, e muito convém que sejam co-herdeiros dos anjos do céu. Qual o nome da província onde foram comprados?
− Os nativos de lá são chamados Deiri.
− Pois seja. Deiri, de ira arrancados e chamados para a misericórdia de Cristo. Como se chama seu rei?
− Se chama Alle – foi o que lhe disseram.

Gregório, brincando com o nome, disse:

− Aleluia, seja cantado um louvor a Deus Criador em todas as partes.



Original:

Nec silentio praetereunda opinio, quae de beato Gregorio traditione maiorum ad nos usque perlata est; qua uidelicet ex causa admonitus tam sedulam erga salutem nostrae gentis curam gesserit. Dicunt, quia die quadam cum, aduenientibus nuper mercatoribus, multa uenalia in forum fuissent conlata, multi ad emendum confluxissent, et ipsum Gregorium inter alios aduenisse, ac uidisse inter alia pueros uenales positos candidi corporis, ac uenusti uultus, capillorum quoque forma egregia. Quos cum aspiceret, interrogauit, ut aiunt, de qua regione uel terra essent adlati. Dictumque est, quia de Brittania insula, cuius incolae talis essent aspectus. Rursus interrogauit, utrum idem insulani Christiani, an paganis adhuc erroribus essent inplicati. Dictum est, quod essent pagani. At ille, intimo ex corde longa trahens suspiria: ‘Heu, pro dolor!’ inquit, ‘quod tam lucidi uultus homines tenebrarum auctor possidet, tantaque gratia frontispicii mentem ab interna gratia uacuam gestat!’ Rursus ergo interrogauit, quod esset uocabulum gentis illius. Responsum est, quod Angli uocarentur. At ille: ‘Bene,’ inquit; ‘nam et angelicam habent faciem, et tales angelorum in caelis decet esse coheredes. Quod habet nomen ipsa prouincia, de qua isti sunt adlati?’ Responsum est, quod Deiri uocarentur idem prouinciales. At ille: ‘Bene,’ inquit, ‘Deiri; de ira eruti, et ad misericordiam Christi uocati. Rex prouinciae illius quomodo appellatur?’ Responsum est, quod Aelli diceretur. At ille adludens ad nomen ait: ‘Alleluia, laudem Dei Creatoris illis in partibus oportet cantari.’



História Eclesiástica do povo inglês, livro II, capítulo I

UPDATE, 23/8: Tem uma tradução de uma parte do livro I no site do prof. Ricardo Costa.

Sunday, August 19, 2007

A arte gótica

Eu queria escrever sobre A arte gótica (Formprobleme der Gotik), livro do Wilhelm Worringer. O problema é que estou cansada! Vou fazer umas indicações, dizer algumas impressões e dar umas interpretações.

É um livro pequeno e é de 1911. O título em português engana um pouco. Não é bem sobre a arte gótica. É sobre a psicologia do gótico. Worringer diz que é uma hipótese. É difícil ser de outro jeito. Se fosse um cientista, o livro seria um experimento. Não sem pé nem cabeça. Os indícios são as obras góticas e também de outros períodos. Mas o que ele quer encontrar é um movimento espiritual específico para identificar o que seria o ideal gótico. Por isso que ele analisa desde as primeiras manifestações artísticas dos povos germânicos.

O livro parece meio abstrato. Não é por acaso. Worringer está tratando de um ideal.

Achei bastante interessante o que ele disse sobre o gótico porque ele defende a idéia de que não é apenas um estilo artístico. É uma expressão da relação do homem com o mundo e com o transcendente. Essa relação é uma característica dos povos setentrionais. Sempre existiria alguma coisa de gótica em seu espírito. Não sei se tem mesmo razão. Mas acontece que Bach fez muita música que tem alguma coisa de gótica. Isso pode ser explicado por causa da afinidade que Worringer dizia existir entre o barroco e o gótico. A técnica da fuga, do contraponto, todas essas coisinhas lembram um pouco as complicadas tramas de linhas que desde o início os povos germânicos gostavam de representar em artefatos e em desenhos. Ortega y Gasset dizia que o europeu gostava em especial da linha. Ela marcaria o progresso. O grego teria mais apego pelo círculo. Talvez seja por causa do espírito gótico que se espalhou pela Europa.

Não lembro do Worringer ter dito alguma coisa sobre a cruz. Pode parecer que não tem a ver com o gótico. Não tem tramas complicadas. Não parecem representar um conflito. Mas são duas linhas que poderiam se expandir para o infinito. Tem só um ponto de contato. Cada uma vai para um lado. Parece que do centro as linhas se expandem. Não são fechadas. Poderiam sim abraçar o mundo! É um símbolo interessante. Deve ter chamado a atenção daqueles povos.

A catedral gótica é o coroamento do ideal. Wagner bolou a idéia da Gesamtkunstwerk ("obra de arte total") para suas óperas. Acontece que a catedral antecipou isso um monte de séculos antes! A ópera de Wagner é quase arte religiosa, só que não tem transcendência. A catedral, com sua arquitetura, suas imagens, seus coros, seus ritos, suas representações, é uma transfiguração total da realidade mais imediata! A pedra é alongada até uma altura absurda e lá de cima a abóbada parece flutuar. As colunas dão aparência de agilidade e leveza. O espaço interior é aproveitado para ajudar a causar ainda maior impressão. Ele se torna um elemento importante da construção. Worringer não disse quase nada disso. Me parece uma boa conclusão do que ele escreveu essa comparação com Wagner. Pode ser que não seja um acaso. O gótico é um movimento espiritual. Podem jogar pedras em mim por dizer que existe alguma coisa gótica em Wagner!

Existe sempre uma tensão em toda a arte gótica. Ela é "resolvida" pela transfiguração. Os elementos são distorcidos e apontam para alguma coisa mais além. O espírito daquela gente parecia bem agitado! Não que fosse de pânico. Essa é uma das diferenças entre o espírito gótico e o primitivo. O homem primitivo é meio apavorado porque o mundo parece hostil e o transcendente é esmagador! Sempre precisa aplacar as forças cósmicas. Ele acaba se voltando para si mesmo. É no seu espírito que ele busca ordem. Encontra nas figuras geométricas a melhor representação do que ele acha mais ideal. É a sua salvação. O homem gótico é um pouco diferente logo de início. Ele também é chegado à abstração. A questão é que é possível notar, em suas tramas de linhas complicadas, que ele é inquieto. Parece tentar encontrar vida no abstrato. Não resolve essa contradição. Justapõe. Só com o gótico desenvolvido ele achará uma solução. Mas nunca é algo tranqüilo. Essa é uma característica do homem clássico. Ao contrário do primitivo, ele sublima o conflito encontrando a tranqüilidade das formas na natureza. Diviniza o mundo e a si mesmo! Está longe de ser abstrato. Já é outro o espírito do homem oriental. Ele tende ao abstrato porque nada no mundo é real. Até seu eu não tem valor. Só terá se ele se desligar das ilusões do mundo e se apegar ao transcendente. Não há representação das coisas que o cercam porque nada disso existe de verdade. Só o transcendente importa. O homem gótico partilha um pouco dessa posição. Mas o homem foi divinizado no exemplo de Jesus Cristo e o mundo foi salvo. As coisas deste mundo podem apontar para o que é mais alto. Maior exemplo disso é a pedra. Pode ser dura como for, pesada... Mas ela pode ser domada e transfigurada! É essa relação tensa que toda a arte gótica acaba representando.

Li pela Edições 70. Não lembro quem foi o tradutor. Achei que faltou um pouquinho mais de cuidado. O negócio parece ter sido feito meio que correndo. Isso sobre uns errinhos bobos. Não sei dizer se é uma tradução tão horrível como a que o José Saramago fez do Georges Duby. Uma professora minha não parava de falar mal. Só usava o texto dele porque era em português.

Não conheço o principal livro do Worringer. Se chama Abstração e empatia (Abstraktion und Einfühlung). Foi sua tese de doutorado. Passarinho de Internet me contou que foi aí que ele desenvolveu suas idéias sobre psicologia do estilo. A arte gótica pode ser uma aplicação em particular de suas teorias.

Escrevi um mucado de coisas para dizer o seguinte. Não sei o que dizer sobre esse livro! Ele tem muitas sacações interessantes. Mas sei lá que dizer sobre o gótico ser um caos sofisticado no mais alto grau! Vou fazer uma citação através de um site, porque não estou com o livro:


A necessidade de ação que sente o homem nórdico não pode converter-se em conhecimento claro da realidade; e assim, excitada por essa falta de solução natural, descarrega finalmente em malsãs atividades fantásticas. O homem gótico, não podendo transformar a realidade em naturalidade por meio do conhecimento claro das coisas, as submete a essa atividade de fantasia e a converte assim em uma realidade fantasmagórica e desfigurada. Tudo entre suas mãos se torna inquietante e fantástico.


Esse elogio é meio esquisitinho. Não custa lembrar que Wilhelm Worringer foi muito lido. Ortega y Gasset mesmo escreveu alguns artigos sobre o livro A arte gótica. Manuel García Morente traduziu para o espanhol. Passarinho da Internet me contou também que seu livro Abstração e simpatia teve bastante influência nos meios artísticos da Alemanha. Há ligações entre o expressionismo e Worringer. Existem muitos links entre a arte moderna e essa arte não-clássica.

Não é coincidência o barroco ter sido reabilitado a partir dessa época. Worringer dizia que esse estilo era o resultado da influência gótica na onda clássica. O espírito era afim. Não sei se ele escreveu alguma coisa específica sobre o barroco. Nesse início de século as óperas de Handel foram desenterradas graças aos primeiros esforços da universidade de Gottingen. Houve um revival do barroco enquanto o gótico era reinterpretado. A arte primitiva também recebeu elogios. Foi também a época de A sagração da primavera (Le sacre de printemps) de Stravinsky, coreografia de Nijinsky. E foi a época da guerra bárbara, 1914. Bom link entre esse evento e o espírito da época é o livro A sagração da primavera de Modris Eksteins.

Meu comentário é um sei lá. Pelo menos o livro faz pensar. E é meio que um documento histórico.

Saturday, August 18, 2007

Algum tempo depois do meu pai ter lido meu blog

Pedi para meu pai dar uma olhada no meu blog de novo.

Ele lia o que eu escrevia e eu lia o que ele achava, pelas expressões faciais. Na sétima careta eu perguntei se ele não tinha gostado de alguma coisa.

- Mas minha filha, você escreve muito coloquialmente. E por que tanto palavrão? Isso estraga o que você escreve.

Não lembro quando foi que comecei a escrever palavrões. Lembro que tudo começou depois que entrei para faculdade. Juro que escrevia tudo muito bonitinho. [Segunda nota: se existe diferença entre forma e conteúdo, eu escrevi com uma forma toda empoladinha uns negócios bizarros. Um dia me achei horrenda no espelho, lembrei de uma coisa que ouvi num sermão de algum crente e escrevi bem assim: “Meu torpe corpo parece atado a um cadáver, conforme os costumes terríveis dos romanos.” Ou coisa parecida. Achei isso o ó do borogodó. Tenho muita vergonha dos meus 17 para 18 anos.] Antes eu também não falava muito palavrão. Mas então fui parar na faculdade. Não, ninguém lá me incentivou a ser desbocada. Ao contrário! Esse “ao contrário” que me deixou p...ossessa.

Tudo começou quando escrevi a expressão “esforço homérico” numa prova. Tirei 5, não tinha estudado. Bem feito. Agora o detalhe. A professora destacou com umas voltinhas de caneta vermelha a expressão, fez um rabinho que terminou em seta e escreveu assim, no cantinho da folha: “Essa não é uma expressão acadêmica.” Na página anterior [Terceira nota: nessas faculdades malucas a gente é incentivada, sob pena de reprovação, a escrever que nem louco.], eu tinha chamado Karl Marx de “esse homem”. Lá foi a professora fazer aquela brincadeira toda e escrever: “Não se diz ‘esse homem’, mas autor. Isso denota desdém.” Naquela época só achava "esse homem" meio enjoado. Se eu quisesse desdenhar (ai, palavrinha...), eu teria escrito PILANTRA ou GORDO ESCROTO, FEIO E MALVADO. Dizer "esse homem" ao invés de "autor" é muito feio. Depois que li essas duas observações, de repente veio um click! meio breguinha. Comecei a prestar atenção no estilo de falar e de escrever lá dentro, e aí reparei que todo mundo era cheio de frescurites quando o assunto tinha a ver com a Academia. Aí resolvi avacalhar aos pouquinhos. Nunca cheguei a mandar alguém para a merda na prova. Mas abusei de propósito do jeitão coloquial de escrever. Cansei de ver comentários do tipo: “Você precisa trabalhar mais seu linguajar”. O que mais gostei foi: “Esse modo de expressão é incompatível com trabalho acadêmico e, o que é pior, parece que você faz de propósito.” Um dia vou compor os apoftegmas acadêmicos.

Isso acabou me viciando. Quando converso com alguém que adora usar aquele linguajar e tal, de repente já estou no quinto “porra”, sem perceber. Quantas vezes tive de segurar minha língua conversando com professor! Nossa!

Acho que o palavrão acabou servindo pra mim como tábua da salvação.

Agora lembrei de outra coisa. Outro dia, peguei um livrinho chamado “Fábulas Medievais: os fabliaux nos séc. XII e XIII”. Saiu pela Martins Fontes. [Quarta nota: essa editora e a Mandruvá até que publicam um monte de coisas legais da Idade Média.] Fabliaux eram uns contos metrificados e meio sem-vergonha. Aquele pessoalzinho adorava uma moral no fim. Por mais cafajestes que fossem, eles sempre tinham a moral. Quem escrevia aquelas coisas devia ser admirador dos goliardos, porém menos, hm, letrado. Era um tal de neguinho fazer mudanças de tempos verbais do nada que vou te contar! Ou então eles estavam de birra com algum acadêmico na época! No livrinho havia alguns fabliaux muito engraçados. Um dos que mais gostei era um chamado “Berengário do cu longo”. Era a história de um cavaleirozinho que se metia na floresta e ficava dando porradinhas na armadura e escudo e depois voltava contando que enfrentou um monte de gente e tal. Aí a mulher dele ficou um dia desconfiada, se armou como cavaleiro e encontrou o cara fazendo aquelas palhaçadas. Ela o ameaçou e disse que só não ia acabar com ele se ele beijasse o cu dela. Quando ela empinou a bunda para ser beijada, o cara disse: "Por Deus, nunca vi um cu tão longo na vida!" (Se você tem mais de 14 anos, deve ter entendido a reação do cara, espero.) As outras histórias têm um monte de palavrões também. E o que tem de sacanagem... nossa senhora! Às vezes parecem coisa de um Ary Toledo mais culto e medieval. Resumindo, está entre um goliardo e um Ary Toledo, mas sempre com uma moral. “Deus escreve certo por linhas tortas”.

E Cícero, Marco Túlio? Ele chamou Marco Antônio de pederasta juvenil, ladrão, bêbado, imbecil, animal, louco rematado... Disse que ele, bêbado, vomitava na toga, sujando-a com pedaços da carne que acabara de comer. Não chegou a mandá-lo pr'aquele lugar. Fez coisa muito pior. Deve ter sido engraçado escutar um discurso de umas 3 horas só com ofensas horrendas. Acabou morto. Há coisas bem piores que um palavrão!

Esqueci de escrever o que eu disse para meu pai. Gosto de assistir a lutas de boxe e jogar coisas tipo Street Fight e Mortal Kombat. [Quinta nota: luta não é coisa só de homem, tá?] Eu disse o óbvio. Se acho legal ver duas pessoas brigando (com regrinhas), eu vou lá achar feio uma palavrinha? Se gritarem comigo de repente eu até choro, mas escrever um negócio feio e ficar cheia de prurido aí já é demais! Ôxi!

O negócio é o seguinte. Tudo bem que não é bonito ficar xingando toda hora. Mas ficar horrorizado aí também é demais. E outra coisa. Acho que qualquer pessoa normal deve achar anormal como a gente da universidade se expressa. Vixe Maria! Sei que seria mais bonitinho se eu me expressasse de outro jeito. O problema todo é que isso virou uma terapia bizarra pra mim! Só consigo ficar boa se começar a xingar quando neguinho vem com aquelas “estruturas estruturais de estruturas estruturantes” [Sexta nota: não inventei essa doidera] ou com aquele papo mole de “a multiculturalidade é...” Dá vontade de completar “... é uma porra!” Então não impliquem comigo se acharem que sou boca suja. [Sétima nota: esse plural é retórico. Não sei pra quem estou escrevendo essas coisas. Perdi a oportunidade de ficar de bico calado. Sempre perco. Podia estar lendo o diabo do livro que peguei dia desses na biblioteca. Mas nãããão, tenho que ficar enrolando. Essa nota virou um esporro contra mim mesma.]

Posso ser a maior boca suja. Mas sou calminha, sabia? ;)

Grande conversação e religião

Se você for um cara honesto e resolver um dia estudar algum assunto, uma das coisas mais óbvias que fará será pesquisar uma bibliografia mínima a respeito. Depois que tiver uma idéia geral das discussões principais, você vai se aprofundar cada vez mais, descobrir as opiniões contrárias entre si, descobrir também aquelas questões que até hoje pelo menos não tiveram solução... e por aí vai. No final de tudo, você terá uma idéia razoável do assunto, poderá até expô-lo, ao menos em parte. Você não começará fazendo objeções a torto e a direito nas primeiras dificuldades. Mas se realmente acabar fazendo, vai ser mais para esclarecer do que para refutar.

Praticamente tudo que existe já foi estudado demais. A prudência aconselha então, meu amiguinho, toda a calma do mundo. Uma idéia que você tenha já deve ter sido pensada por fulano, analizada por ciclano e refutada ou emendada por beltrano. Como você vai saber disso? Só entrando na comunidade de pesquisas, ou então aquilo que Mortimer Jerome Adler chamava de "grande conversação". Os livros estão aí como testemunhas. Você terá que encará-los para ver o que os mais sábios disseram sobre as idéias. Como eles também fazem referência às idéias uns dos outros, haverá um espírito de diálogo em seus escritos. É isso que significa "grande conversação".

O problema é quando um carinha não é honesto. Ele não vai participar da "grande conversação". Vai ouvir lá de longe o papo e com a maior sem-cerimônia vai meter o bedelho onde não foi chamado. Esse carinha desonesto é um desses empregados que ficam com o ouvido grudado na porta da sala de reuniões do patrão só para fofocar depois o que mal entendeu com seus amigos.

Uma perguntinha. O que isso tudo tem a ver com religião?

Jesus Cristo ensinou há quase dois mil anos. De lá para cá, um monte de gente se aprofundou em seus ensinamentos. A Igreja sempre foi pedagoga por excelência e chamou a isso tudo de tradição. Quando você se depara com a religião, há uma enorme tradição que precisa ser levada em conta. É que nem no caso do fogo. Você pode de repente fazer fogo meio que do nada, mas não é mais fácil se alguém ensinasse a você ao invés de quebrar a cabeça fingindo que ninguém sabe? Poupa um trabalhão! Com a religião é a mesma coisa. Por isso nosso papa Bento XVI, quando ainda era cardeal, disse que a Igreja é um barco velho porém muito experimentado.

A quantidade de escritos dos Padres da Igreja é enorme. Só Santo Agostinho é um estudo para quase uma vida! Ou peguem o caso de um doutor como São Tomás de Aquino. Ele estava por dentro da "grande conversação". Ele tinha um espírito pedagógico e expôs tudinho em sumas de teologia. Elas são um manual, mais ou menos como esses FAQs. Se você tem alguma dúvida, pode ir lá e consultar. (FAQ mesmo é o catecismo.) São Tomás de Aquino tinha a característica de aparar arestas. Então freqüentemente comparava opiniões contrárias entre si e resolvia o problema. Levava em consideração também as objeções mais pesadas. Era mesmo um mestre! Só que não é por acaso que citei Santo Agostinho e São Tomás. Se você for um cara honesto e estiver cheio de dúvidas, antes de fazer objeções tente encarar esses dois santos primeiro, como exemplo. Não seria surpresa nenhuma se suas dúvidas já tiverem sido respondidas.

Se você fosse falar de física, você teria também essa prudência. Por que não ter com a religião?

Wednesday, August 08, 2007

Kay Nielsen, François Couperin



Sabe, seria bom se as coisas fossem tão bonitas como nesse desenho. Dá vontade de ser essa bailarinazinha. Mesmo dançando no fogo.

Couperin Le Grand dizia que seria ótimo se a vida fosse só belas músicas e danças (danças não lembro se ele disse, mas coloco na conta). Pode parecer coisa de gente boba. Mas não. O que o desenho do Kay Nielsen e Couperin, François, indicam é que existe um mundo maravilhoso. É preciso imaginação. Imaginação e senso poético!

Acho que falta um pouco de sensibilidade em todas as coisas. Os prédios são funcionais. As pessoas também são funcionais... Os filmes não têm encanto nenhum. A música ou é coisa de epígono ou um experimentalismo meio maluco.

A sensibilidade é boa porque ajuda a gente a entender a beleza de todas as coisas!

Como é que a gente vai desenvolver a sensibilidade se está acostumado apenas a ver coisas que no mínimo não têm a menor graça, não são nada graciosas? É por isso que a tríade "bem-belo-verdadeiro" se tornou oca! Soa meio ridículo invocar tudo isso junto e a sério. É uma pena.

Pior para que não conhece Kay Nielsen e François Couperin.

Wednesday, August 01, 2007

Diário sobre nada

Agora um texto idiota no estilo diário. Mas muito idiota mesmo. Se tivesse alguma coisa interessantinha...

11h, segunda: com um baita sol na cara, acordei.
11h30: hora de verdade que acordei.
11h50: pão com queijo no esquentador; Nescau genérico.

Magnífica tela me mostrando às 11h sendo despertada pelo sol.

12h30: começo a ver Crepúsculo dos deuses
14h10: amigo resolve ligar no fim do último ato; marcamos de sair para uma loja de quadrinhos às 15h, quinta-feira – talvez com o irmão doidinho dele.
14h40: fim do primeiro ato.
14h42: alguém da Credicard liga para falar uma merda qualquer.
14h50: começo a ver o segundo ato.
15h45: termina o segundo ato, que me deixa impressionada; fico andando pela casa que nem bicho; leio uns trechos da Antologia da Literatura Universal, editada pelo Mário Ferreira dos Santos, aquele volume que tem um monte de frases legais.
16h05: vejo o último ato.

Zuloaga ressuscitou às 10h53 da sexta-feira anterior e me pintou às 11h08.

17h30: vejo o fim toda empolgada; vou para a cozinha colocar a lasanha no forno; começo a assistir a trechos de Siegfried, que já tinha visto sexta passada, a partir das 17h.
17h52: lasanha pronta; fico comendo e assistindo aos trechos ainda.
18h30: acabo de comer; dou uma entrada na Internet para ver e-mails e tal.
19h02: leio de novo a Antologia enquanto ouço música.
19h05: fico puta por causa do chiado do rádio.
19h06: me conformo com a chiadeira.
19h35: ouço o quarteto de cordas n.3 do Bártok, que tinha baixado às 3h05.
19h52: termino de ouvir e fico achando que se parece com os últimos quartetos de Beethoven; penso em alguma coisa nonsense sobre música.
19h58: vou assistir à reprise da outra semana de Lost.
19h59: lembro que às 15h23 de domingo eu tinha falado para uma amiga que com certeza não passariam a reprise de Lost, só porque eu não tinha assistido na outra semana.
20h: começa Lost; o que eu falei é confirmado; episódio é só encheção de lingüiça dos produtores.
20h32: assisto à Família Dinossauro, mas acho ruinzinho.

Versão da ópera que vi: Patrice Chéreau, 1980 (acho).

21h02: assisto ao episódio inédito de Lost, mas boiando um pouquinho.
21h39: meu pai chega em casa; começa a falar e a me atrapalhar, porque afinal de contas eu estava assistindo ao Lost!
21h50: o seriado acaba; dou umas lidas sobre Schumman em Uma Nova História da Música do Carpeaux.
22h02: lembro que começou o programa Collegium Musicum na Rádio MEC, às 22h, e vou ouvir.
22h03: fico assustada com as músicas bizarras do programa, dedicado à música antiga grega.
22h29: entro na Internet para baixar o talk show do Olavo, terminar de baixar o Te Deum do Bruckner (que tinha baixado em parte às 23h07 de domingo) e para pegar mais alguma coisa.
23h02: conexão uma merda, reinicio o PC; meu pai avisa que tem pizza pronta me esperando.
23h29: o PC continua baixando tudo, vou comer pizza.
23h41: meu pai me pergunta quem era o careca que apareceu adoentado no jornal das 23h (na verdade começou às 23h18); começo a explicar a história do coronel Litvinenko e faço vários links com o Brasil.
0h12: ainda falo sobre aquilo tudo; meu pai dorme comigo falando.
0h14: lavo a louça, escovo os dentes e dou uma olhada no PC.
0h15: xingo o cara de quem eu estava baixando o Te Deum porque ele sumiu.
1h02: entro no MSN e converso com amigos.
2h32: me dá vontade de baixar uns trechos de Siegfried.
3h20: meus amigos vão embora, mas um fica e começa a perguntar se quero namorar ele.
3h24: tento chamar outra amiga no MSN que está on, mas ela parece estar dormindo; as usual.
4h15: meu amigo vai embora conformado, porque não quero namorar ele.
4h23: me dá vontade de baixar a Pavane pour une Infante Défunte (claro, do Ravel, né?).

Monsieur Ravel au piano.

4h35: chamo de novo minha amiga; nada.
4h51: vou para a cama; o sono não vem.
4h58: volto pro PC, mas aí o sono vem.
5h04: durmo toda encolhida sob cobertas; agradeço por causa do tempo; friozinho é legal.

14h48 de hoje: tenho a idéia de escrever esse texto.
15h11: termino o texto; resolvo escrever a versão II
15h52: acabo a versão II, esta aqui; vou almoçar e ver Gilmore Girls, 16h.