Thursday, March 08, 2007

Vinda do Búxi/Bãxi

Eu tinha escrito essa budega quarta passada. Só que o PC (sempre ele!) deu pau e só deu para postar agora. Como o Búxi (Bãxi para os brasileiros e brasileiras) já veio e foi embora (fez muito bem em ficar pouco), o bonde deixou o post para trás. Mas deixa. Vou fingir que escrevi esse negócio quarta mesmo e você finge que acredita. Para o fingimento ficar mais lindo, vou trocar a data. Em vez de dizer a verdade (escrevo no domingo de manhã), digo a mentira - que escrevi antes. E fecha a conta.

Andava eu toda contente pela Cinelândia (a despeito da sujeira e vadiagem que têm ali) quando topo com uma manchete aberrante do Jornal do Palerma, ops, Jornal do Brasil:

EUA INSULTAM O BRASIL

Sempre os brasileiros insultam o Brasil. Todo mundo diz que é um país injusto, preconceituoso, atrasado e tal. O problema agora era que o insulto partia dos yankees...

Fui ver qual era o insulto. Era só o seguinte. Os EUA ousaram fazer um relatório dizendo que a criminalidade aqui na nossa terrinha era um absurdo. A impunidade era generalizada. Morria neguinho a dar com o pau. O Rio de Janeiro era um bom exemplo. Três mil pessoas assassinadas por ano. A polícia matando a dar com o pau. E outras coisinhas mais.

A reação do governo brasileiro foi dar uma de machinho e dizer que não reconhecia o relatório. Palmas para a macheza brasileira!

O Brasil não tem o menor direito de exigir nadinha. É um país bobo e governado por um parceiro de terroristas e bandidões. Quando a ONU colocou em votação uma nota de repúdio ao governo do Sudão por causa da matança em Darfur, o Brasil foi contra. Em casa não faz nada que presta. Os índices de criminalidade só aumentam. Se o governo brasileiro não fosse vigarista e cara de pau, teria é que aceitar com humildade e vergonha o relatório dos EUA.

Se o Brasil é tão cioso de sua soberania, porque deixa o pessoal da ONU fazer o que bem entende? E as ONGs estrangeiras? E o Foro de São Paulo?

O que está implícito nessa manchete e na macheza do Brasil é o seguinte. Nem os jornalistas, nem os intelectuais e muito menos o desgoverno do Brasil gostam dos EUA.

Sobre o Jornal do Palerma, ops, Jornal do Brasil, basta uma menção rapidinha. Clara Cavour escreveu no finzinho de fevereiro alguma coisa que não agradou o embaixador cubano. Que fez ele? Escreveu uma carta e exigiu que a resposta fosse publicada. Resposta curiosa. Diz que leu "com surpresa o artigo publicado", porque aquele jornal até então "tinha se referido ao meu país com certa objetividade [Nota: objetivo para aquele senhor só se for o Granma], mediante artigos de muito boa qualidade, escritos por personalidades de elevado calibre intelectual." (Observação: ele não estava ironizando.) Mal passamos para o parágrafo seguinte e o mesmo infeliz diz não lhe estranhar "que publiquem sobre Cuba artigos desse tipo, porque conheço que o governo dos Estados Unidos de América dispôs 80 milhões de dólares para financiar uma campanha de mentiras, manipulações e descrédito contra meu país, sobretudo na América Latina." O embaixador ainda diz que isso foi questão de puxa-saquismo, porque o presidente Bush (perdão, "Imperador Bush II", segundo ele) está para visitar o Brasil.

Vamos com calma agora. Num parágrafo ele diz que o jornal era mais ou menos objetivo e que vários colunistas de grande "calibre intelectual" escreviam artigos de boa qualidade sobre o país dele. No parágrafo seguinte ele me vem com o papo que o artigo escrito contra seu país era fruto de uma maquiavélica e ardilosa política americana de difamação de Cuba, através de incentivos financeiros que já chegaram a 80 milhões de dólares. Mas cacete, como é que o Jornal do Palermas, ops, Jornal do Brasil pode ser as duas coisas ao mesmo tempo? Esse embaixador ou é muito burro ou é muito sacana ou uma mistura dos dois. Nada surpreendente, sendo capacho do Fidel e tendo recebido a maravilhosa (des)educação cubana (olha a dialética marxista aí, gente!). Se um cara assim pode ser embaixador, eu seria a imperatriz de Cuba.

Nem preciso dizer nada sobre os intelectuais. A publicação do horrível Dicionário Crítico do Pensamento de Direita já fala por si. (Uma nota pessoal. Quando eu pastava ali pelo IFCS, esse livro bunda era ostentado numa vitrine, junto com mais alguns outros. A galera de lá tinha orgulho dele. É mais ou menos como a criancinha que joga a papinha no chão e fica toda boba olhando para a gente. Outra nota pessoal. Quando entrei em História, uma das coisas que mais ouvi das pessoas era que eu devia votar no PT. Quando eu ia discutir qualquer coisa, o pessoal já vinha com papo de que eu era idealista. E coisas do gênero. Na época eu achava uma certa graça. Hoje vejo que todos tinham razão. Quando a gente entra nesse tipo de faculdade, acaba começando a andar só de chinelo e cantando Chico Buarque. Sem contar que neguinho vira gay e maconheiro. Agora chega de nota pessoal.) Pegue aí uns cinco ou seis intelectuais brasileiros e pergunte a eles se são católicos ou protestantes, se são seguidores de Platão e Aristóteles e se acham o barato o Direito Romano. Neca. Pergunta também se eles admiram os EUA. Pode contar o número de voltas que darão para dizer que aquele país é bunda. O último que me disse isso contei seis voltas.

E o governo? Precisa dizer muita coisa? Governo de esquerda é sempre a mesma coisa. Mente pra cacete para acalmar as pessoas enquanto por baixo dos panos faz das suas. Os alemães sabem bem disso. Não me refiro à Alemanha Oriental, mas ao Terceiro Reich. Hitler mentia direto para agradar a todos enquanto fazia sua revolução. Exemplo disso (como se com os olhos da cara qualquer zebedeu não percebesse) é o que está acontecendo no Itamaraty. Ele há muito tempo vem sendo controlado pelo que os diplomatas chamam de "barbudinhos", a galera esquerdóide, os machinhos que arrotam superioridade moral para os EUA enquanto puxam o saco de Fidel. Só que agora parece que a marmelada sofreu um upgrade. Foi o que disse dias atrás Roberto Abdenur, ex-embaixador nos EUA. Ele afirmou que o Itamaraty é antiamericano, ideologicamente esquerdista e que os embaixadores sofrem doutrinação esquerdista. Isso todo mundo sabe. Só causa rebuliço quando resolvem publicar um negócio desses, afinal de contas jornalista geralmente é esquerdista, como professor de História, de Geografia, de Matemática, de Biologia, de Ciência da Computação... A reação ao que Abdenur disse foi uma série de difamações e enrolações por todos os lados. Disseram até que o camarada estava ressentido porque não quiserem publicar um livro dele. (Nota pessoal: o Brasil está cheio de gente que se acha o dr. Freud. Brincadeira. Todo mundo que se acha sabido tenta tirar uma explicação psicológica/psiquiátrica de tudo, geralmente depreciativa. Virou praga. Até gente do povão faz.) Mas ninguém negou o que ele disse.

Bien. É esse o cenário para a visita do Bush. Vão mentir pra cacete para ele, dizendo que tudo está uma maravilha, que esse falatório todo nada tem a ver com o governo e tal, ao mesmo tempo que irão promover uma série de tumultos contra ele. Vão fazer o mesmo que o Hitler fazia quando um estrangeiro lhe perguntava se seu governo era anti-semita e belicoso, como as manifestações de rua (patrocinadas pelo Partido Nazi) demonstravam. Quando uma vez um americano lhe perguntou se eram verdadeiros os rumores de anti-semitismo, ele disse: "Não vamos discutir por 2%, se concordamos em 98%." Quando se voltava para a base do partido, gritava que não descansaria até pendurar todos os judeus pelo pescoço na Alemanha... É o que faz Lulinha paz e amor. Como a Bíblia dizia, "Sim, sim, não, não. O resto é conversa do demônio." Por quê? Porque é a serpente que tem língua bifurcada. Não é sem razão que o pai da mentira assumiu a forma desse animal.

***

Tem mais uma coisa. Quando neguinho fala do Bãxi, fala com narizinho em pé. "Esse cara só quer saber de guerra"; "o país dele quer dominar o mundo". Blá. Como balbucia a Tati Quebra-Barraco (patrocinada e elogiada pelo nosso ministro da (des)Cultura), fico boladona. Se quem dissesse essas coisas vivesse num país ao menos limpinho, beleza. Mas a gente vive num lugar todo escroto e ferrado, com neguinho se matando até não poder mais. A meia dúzia que é educada na verdade é cum grano salis. Não dizem que em terra de cego caolho é rei? Então. Quem lê dois livros por ano vira autoridade máxima de tudo que está entre o céu e a terra (e mais além). Se pelo menos, sei lá, o pessoal que fala com narizinho em pé do Bãxi desse como exemplo algum presidente muito melhor ou país melhor sucedido que os EUA... Mas não, nego acha mesmo que Cuba e China são mais valorosos que os EUA, que Fidel é dez, e por aí vai. Ah, vão lá chupar prego. Ah, sem contar o modo com que avaliam os EUA e titicas como Cuba. Quando o assunto é a terra do tirano Fidel, sempre alguém tira da manga um argumento sentimentalóide ou alguma meia-verdade. Quando o papo cai nos EUA, aí nego resolve medi-los por critérios mais angélicos que os de Jesus Cristo. Ô régua de araque que mede cada um de um jeito...