Tuesday, January 30, 2007

Segunda variação Hoelderlin

Não sou mais bela e mais hospitaleira, desde que te amo mais intimamente em minha quietude? Por que então me adoravas mais quando aos olhos supérfluos meu comportamento era mais liberal, meu gênio era caprichoso em demasia, e me esquecia e me lembrava de todos sem o menor compromisso?

Ah! Só um'alma bela sonda meu coração, e, como astróloga, decifra e antecipa meus sinais mais luminosos, enquanto ao espírito servil só agrada o pequeno e a violência da necessidade.

Só crêem no verdadeiro amor aqueles que podem amar profundamente; todos parecerão amáveis quando um for amado de verdade.

Friday, January 26, 2007

Alma bela

(Aqui vai para quem amou e tem esperança. Não ria de mim. O sentimento íntimo que surge em público às vezes parece ridículo. Eu sei. Mas antes de mais nada, uma coisa. Aqui vai uma palavra íntima para quem cultiva o coração, a intimidade. Se há fingimento, é o de tornar presente o que está ausente. A lembrança, boa lembrança, faz o sentimento surgir em tranqüilidade.)

Se agora não amo, lembrarei de quando eu olhava meu antigo amor e sentia alguma coisa estranha dentro de mim. Se agora não rio, lembrarei de quando meu antigo amor me dizia qualquer coisa e eu já ria (quando nos apaixonamos, tudo parece feliz). Se agora me sinto sozinha, lembrarei das vezes em que um só telefonema de meu antigo amor me fazia ganhar o dia.

Lembrarei sempre do meu amor. Ele, em minha casa, sentado, dizia alguma coisa de um jeito bonito que só ele sabia dizer. Eu, na casa do meu antigo amor, dava razão à mãe dele em tudo e era por isso uma boa moça (ou pretendia ser). Na rua, andávamos como se o mundo existisse só para a gente. Na biblioteca, ele apontava vários livros e indicava para mim um por um. Na loja de cd, ríamos por termos gostos musicais tão diferentes.

Ele era meu amor por ter alma bela. Mas há muitas pessoas na rua. Onde estará outra alma bela?

Thursday, January 25, 2007

Variação Hoelderlin

Por que meu coração se encolhe, como se eu me sentisse sozinha, desamparada? Nos momentos em que podia ter a graça do peito amigo, ficava altiva e rude, falava aos quatro ventos, exceto para aquele que me olhava com atenção, com carinho.

Embora seja pretendente do céu, os sentidos me deliciam e me confundem, e apenas ao pensar naqueles lábios íntimos que desejavam tocar nos meus fico estática e servil.

Por que não amei quando tinha o amor perto de mim?

Sunday, January 21, 2007

Magnificat, para um eventual protestante chato

Você por um acaso teima com Maria? Acha que ela não é tudo o que os padres dizem? Nunca entendeu direito em que grau ela é venerada pelos católicos?

Seus problemas acabaram! Há séculos!

A quem interessar possa, minha sugestão é o Magnificat do protestantérrimo João Sebastião Bach. Essa música, amiguinho, vai fazer você levar mais em consideração Maria e entender melhor as razões de os padres gostarem tanto dela. Agora, se depois de ouvi-la você continuar teimando, é que você tem um baita mau gosto e não entende patavinas do assunto.

***

Algumas notas:

Honestidade é ser humilde, e ser humilde é matar um pouco a si mesmo (by Schuon). O que estou a dizer? Algo próximo do que disse o Senhor. "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti".

Quão difícil é agir assim! Que duríssimas palavras!

Vamos ver isso por uma perspectiva muito singular.

Como me parece ser a vida na verdade? Me parece ser uma vida dedicada após uma preparação muito longa. Nós vivemos com alguma orientação para a verdade. De início nossa vida não é muito "colada" a ela. A vida lhe é excêntrica. É preciso deslocá-la aos poucos para a verdade até que ambas se casem direitinho. Mas é difícil. Há uma inércia que atrapalha o deslocamento da nossa vida para a sua meta, aquilo para onde ela está orientada.

Aristóteles chamava o homem que vive totalmente segundo a verdade (=viver totalmente segundo o belo, o bom e o verdadeiro, clássico triplo transcendental) de "homem magnânimo". Nada mal. A tradição grega já tinha uma palavra sugestiva para designar um homem nobre - kalos kagathos, "belo e bom"*. O "homem magnânimo". Um asceta. Negando a si mesmo (não confundir com os gnosticismos) ele afirma a verdade. Esta lhe é superior. Logo, é preciso que o "homem magnânimo" não seja centrado em si mesmo, mas nela, a verdade, para elevar-se até ela.

Como asceta, o "homem magnânimo" terá que fazer sacrifícios. O mais difícil é o sacrifício de si mesmo. Nas palavras de Sâo Gregório Magno, "difícil não é entregar seus bens; difícil é entregar-se a si mesmo. É mais fácil renunciar ao que se tem do que ao que se é." Por isso o conselho de Jesus Cristo. É como arrancar o próprio olho. Só o "homem magnânimo" consegue isso. Demanda tempo. É uma pessoa experiente.

*Segundo Henry George Liddell e Robert Scott, agathos admite outras traduções. Em se tratando de pessoas, significa valente, bom no sentido moral, nobre (sentido arcaico)... Neste último sentido, é também associado a riqueza e poder, principalmente no termo kalos kagathos. Este termo equivale a noção de gentleman do séc. XVIII. Até na Idade Média cavalheiresca existe algo equivalente. As damas da Provença na época dos trovadores imaginavam que o homem ideal deveria ser prou e courtois, valente e cortês. É nesse sentido que a expressão grega aparece simbolizada nas figuras de várias personagens (Menelau, p.ex.) na Odisséia. Na Ilíada o seu sentido tem a ver com virtudes militares. Os kaloi kagathoi da Ilíada são os grandes chefes guerreiros. Suas habilidades em combate os destacam da multidão. Ver Werner Jaeger, Paidéia - A formação do homem grego.

Thursday, January 18, 2007

Aos homens brutos, com carinho

Os estadunidenses são legais

Claudio Avolio pergunta o que leva alguém a usar o termo estadunidense. Essa é fácil. Bastar ser no mínimo universitário.

Num chat, no meio do papo, eu disse que os americanos... e lá veio meu interlocutor dizendo que americano ele também era, que eu deveria estar me referindo aos estadunidenses. Despeito de cucaracha! O papo prosseguiu e lá pelas tantas ele disse o segredo. Era estudante. Era universitário. Era esquerdinha. Era pretendente a jornalismo. Era da cUSPe (é que parece que lá nego não é formado, é escarrado).

Tive um professor de história (tinha que ser, né?) que também era um inconformado. Repetia sempre que o correto é estadunidense!, estadunidense!, estadun... (na terceira vez eu já estava pensando em algo tipo tomar coca-cola ou outra coisa gostosinha.)

Quem usa esse termo também gosta de dizer que não vai a McDonald's. É que lá é coisa de gente vendida, entende? Isso aqui na selva. Para não dizer que estou pegando de novo no pé da Botoculândia, na França já andaram quebrando uns McDonald's faz um tempinho. Hm, o mundo está se tornando verde e amarelo.

Agora é para finalizar, meritíssimo. O blog do Claudio é legal. Eu só trocaria o termo "terceiromundice" para "terceiraimundice". E pausa para os comerciais:




Essa roupa dá uma fominha...



Para acompanhar, nada melhor que uma boa bebida bem capitalistona saborosa (imagina que tipo de coisa os cubanos devem tomar... Deve ser pinga direto, porque só muito doidão alguém aguentaria viver por lá.)


Até nossos tataravós gostavam!


E o ursão também!

Saturday, January 13, 2007

Errata

Nada demais. Só corrigi umas coisas erradas no post do combate ao crime.

No post anterior escrevi quase dormindo e não teve muito problema. Esse do crime escrevi acordadérrima e cochilei nos erros. Eu hein.

Não se intimide. Me avise dos errinhos. A Espectadora não é tonta. Nem infalível!

Friday, January 12, 2007

Catálogos

O texto a seguir é apenas uma impressão geral baseada em algumas observações de Ortega y Gasset.

Catálogos são uma coisa! Todo mundo quer colocar todo mundo segundo padrões. Você tem que se identificar com uma série de "roupagens" para melhor ser entendido.

"Roupagens" são generalizações. São determinados modos de vivência. Eles têm relação em princípio com profissões. Você tem que vestir a "roupagem". Esse camarada aqui é engenheiro - veste "roupagem" da engenharia; esse outro veste da medicina; mais aquele ali veste de mecânico. O mesmo para todo o resto. Fulaninho está de rockeiro; beltraninho de cristão; ciclaninho de filósofo.

E o famoso antes de mais nada? Posso estar como médica e rockeira, mas médica e rockeira são apresentações sociais que não dizem muito de mim. Sou Tanja. Por acaso estou de tal e tal maneira. O antes de mais nada é a pessoa mesma. É a raiz de todo o resto. Não é generalização. É um caso particular.

À pergunta o que você é?, a resposta é: sou eu. E para a seguinte, quem é você? Quem é você? Quanta filosofia está contida espremidinha nessa pergunta! O problema está entre nós e a nossa salvação. Responder a essa pergunta significa entender o que se passa com a gente e qual é a nossa missão.

A pergunta é o principal problema de cada um. Que cada um procure saber.

De novo as "roupagens". São apenas meras convenções sociais? Sim e não.

As "roupagens" são um modo de usar alguma espécie de máscara para podermos interpretar melhor o nosso papel. Se não existisse a medicina, eu não seria médica, minha vida estaria incompleta. Como existe um fazer social que é a medicina, posso despejar minhas cargas ali. E na época em que não existia a medicina? O que se dava? Por suposto, o ímpeto de cada um tinha que se dirigir para outros afazeres. Mas com um pequeno detalhe. É certo que um determinado indivíduo enfrentou desde sua vida um problema que exigia ou uma solução original ou a abdicação do sentido de sua própria vida. Esse indivíduo encarou uma situação onde deveria descobrir as coisas por si só. Era a questão de sua vida. Na falta dos instrumentos, inventou-os. Surgia assim o primeiro médico. Ele inventou a arte da cura porque sua vida assim exigia. A necessidade de ultrapassar o problema fez com que ele criasse a arte. Foi capaz. A repercussão foi tão ampla que esse novo tipo de afazer logo se disseminou em toda a comunidade. O primeiro médico, surgido da mais premente necessidade de resolver o mais original dos problemas em sua vida, deu a seguir o lugar a um segundo. Este já está em posse das invenções do primeiro. Basta aplicá-las. Aquele modo de ser peculiar de tal pessoa se torna propriedade da comunidade. Aí se torna "roupagem" transmitida ao longo dos tempos. Ele foi médico autêntico, radical. Eu seria médica pela repercussão da primeira experiência.

Que significa tudo isso? Significa que cada uma das "roupagens" na verdade não era isso. Era a solução de um sujeito para uma questão originalíssima. A solução se tornou patrimônio de todos. Mas a relação com a arte é muito diversa.

Tuesday, January 09, 2007

Mantra do combate ao crime

Nosso governador Sérgio Cabral tem andando de um lado para o outro. Um dia foi aos hospitais. Outro dia falou do plano para acabar com a violência. Ele tem mostrado a todos que está agindo.

Atenção. Eu disse mostrado.

A Espectadora é nova, é ingênua, mas não é tonta. Ela tem visto desde bebezinha a mesma encenação. Fazer política é teatrinho. Importa não o que é, mas o que parece. Ele, o governador, está mostrando a todos que está fazendo alguma coisa.

Até hoje não acabaram com crime na base da intenção ou do mostrar-se. Isso já está até ficando repetitivo. Virou ritual. Mas aqui no Brasil, terra das aparências, os indígenas gostam muito disso.

Guilherme Fiúza acertou bem quando escreveu o artigo A burocracia do terrorismo:

O presidente desabafou, diante da escalada da barbárie: “Passei o dia deprimido por ver seguidamente cenas de violência”. Ele ordenou que o ministro da Justiça acelere as medidas do plano nacional de segurança pública, que vai apertar a legislação contra o crime e aumentar a integração entre as forças policiais do país.

O presidente era Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Justiça era José Gregori, a barbárie era o seqüestro do ônibus 174 (sete anos atrás) e a indignação presidencial era a mesma de hoje. As medidas anunciadas também.

O brasileiro é mesmo um crédulo. Engole pacotes de segurança pública com mais facilidade do que aspirina. O caso do ônibus 174 deu filme, deu muita literatura para jornal, farta estética mundo cão para consumo da população culta. E em que deu o badalado pacote de segurança de José Gregori?

Acertou. Em nada. Mas foi emocionante ver, no governo seguinte, boa parte daquele mesmo punhado de idéias sensatas, sempre enunciadas por gente inteligente e charmosa, voltar às manchetes de jornal como o novo plano de ação contra a violência.

Estava lá: “Criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), para agilizar o fluxo informativo entre instituições e melhor combater a criminalidade”. Achou bonito? Tem muito mais. “Integração dos Sistemas de Informações Criminais, através do Sistema Nacional de Inteligência e de Informação”. E por aí a coisa ia.

Mais quatro anos, mais um governo, e chega-se à conclusão inevitável: esse formidável repertório de integrações, agilizações e inteligência rara deve dormir há décadas na mesma gaveta de algum burocrata federal. O buquê de medidas sai dali sempre arrumadinho do mesmo jeito, não muda nem o arranjo.

Ou melhor, muda um pouco. Em lugar de criar o SUSP – quatro anos depois não ficaria bem criá-lo de novo, embora ele continue não existindo –, agora está escrito “consolidar o SUSP” (daqui a quatro anos, como nada terá acontecido, possivelmente estará escrito “implementar a consolidação do SUSP”, ou alguma dessas construções eruditas que envaidecem os burocratas da esplanada).

O Fundo Nacional de Segurança Pública teria que ter tido o papel de “induzir os princípios e práticas policiais”. Como do ponto de vista de Marcinho VP e Marcola isso não fez a menor diferença, agora está lá a grande transformação: “Ampliar o papel de indutor de princípios e práticas policiais do Fundo Nacional etc etc…”. É impressionante como a alquimia lingüística dos burocratas faz renascer idéias que pareciam sepultadas.

A cada novo ato de barbárie desses que paralisam o país, os governos tucanos e petistas gritam basta e avisam que vão integrar (que palavra abençoada) as instituições do Sistema de Justiça Criminal e de Segurança, para “articular (outro vocábulo mágico) prevenção e repressão, fortalecendo os sistemas de inteligência (benza Deus) e informação”.

Fora o que está escrito no plano de governo 2007/2010 de Lula, devidamente reciclado dos quadriênios anteriores, há as medidas de emergência que empolgam a população. A mais espetacular é a constituição da Força-Tarefa de segurança pública, uma entidade imaginária que ganha as manchetes toda vez que algum mal ronda o país. Também causa grande impacto e provavelmente deixa a bandidagem tremendo de medo o bom e velho “gabinete integrado de segurança”, uma entidade capaz de emocionar os governantes só pelo ato de pronunciar seu nome.

A coqueluche agora é a força nacional de segurança pública, um esquadrão que nunca atuou em lugar algum, mas que deve ser invencível, porque tem aparecido como a bala de prata contra o crime organizado.

E assim o Brasil vai combatendo a violência. Não tem como dar errado. Até porque, como se sabe, não há frustração da vida mundana que a boa literatura não console.

É isso aí. A gente parece ter um dom para ser feito de otário. Não deve ser por acaso. As pessoas gostam tanto de dizer que brasileiro é malandro... Com tanto malandro assim, no fundo todo mundo é mesmo um bando de otário.

Vamos ver até quando os ritos do pajé mais uma vez surtirão efeito nos botocudos.

A indisfarçável vontade governamental de controlar a expressão

Foi pelo programa True outspeak - Sinceridade de fato, do Olavo, dessa segunda, que fiquei sabendo que por ordem judicial a Brasil Telecom bloqueou o YouTube.

Aconteceu o seguinte. Como todo mundo já sabe, a Cicarelli deu na praia e alguém filmou. (Já imagino que só por dizer "Cicarelli" e "praia", um monte de tarados vai parar nesse bloguinho. Adiante.) O filme circulou em tudo que é canto. No YouTube também, lógico. Ela ficou chateada, entrou na justiça, ganhou a causa. O vídeo teria que ser retirado. Acontece que, segundo disseram, não dava para tirar um vídeo. Conclusão? A Brasil Telecom bloqueou o acesso ao YouTube.

Vamos ao chavão: tinha que ser no Brasil.

A Cicarelli, coitada, não tem culpa. Menos por um motivo. Por querer proibir todo mundo de vê-la dando por aí em público. Para isso existe o quarto e o motel. Se está na rua ou na praia, amigo, então não há privacidade.

Se o processo em si já é muito doido, bloquear o YouTube é ridículo. Na verdade, é pior que ridículo. É ditadura.

Pois é. O todo-poderoso governo brasileiro, através da Brasil Telecom, exerceu censura. Mas o caso não é isolado. Vou lembrar de algumas notícias básicas.

Ano passado, sob a alegação de combate à pedofilia, o governo imperial de El-Rei Lula intimou a Google a ceder informações, chegando a ameaçar a empresa de fechamento de sua sede por aqui. (Imagine que beleza que seria caso um dos maiores sistemas de busca da Internet um belo dia sumisse, não é verdade?) Provavelmente o governo imperial queria saber direitinho os dados de usuários a fim de rastreá-los. Claro, não tinha nenhum interesse suspeito por trás disso, era tudo em nome da moral, dos bons costumes e da lei. Mas o motivo de até agora ninguém ter pressionado o presidente até hoje para dizer direitinho quais são as relações que têm com narcotraficantes, ah, isso ninguém quer saber.

No final do ano passado, um mocorongo que por acaso é senador, Eduardo Azevedo, inventou que o acesso à Internet deveria ser controlado pelo estado imperial brasileiro. (Observação: o senador é do PSDB, aquele partido que todo mundo diz ser o maior inimigo do PT; partido cuja principal figura, Fernando Henrique Cardoso, disse ao então senador petista Cristóvam Buarque que a única rixa entre os dois partidos é saber quem vai mandar no Brasil.) Ao menos por enquanto houve quem sentisse nojinho da proposta. Ela foi retirada. Fizeram até um deseínho engraçado sobre isso. Mas calma, calma, ainda tem mais. No mínimo bizarro foi o argumento contrário do secretário Rogério Santana, que faz parte do Ministério do Planejamento. Ele não achou ruim porque isso é contrário à noção mais lambida do direito à liberdade que todo mundo tem. Achou ruim porque isso não seria eficaz. E o cara é de uma contradição ímpar. Embora dissesse que o projeto era ruim por causa do "espírito de censor" nele presente, disse também que seria bom caso houvesse "o fortalecimento de organismos internacionais, e a criação de mecanismos mais rápidos de solução de controvérsias envolvendo mais de um país, uma espécie de 'OMC da Internet'". Trocando em miúdos, o secretário Santana acha que a solução é criarem um organismo internacional que tenha poder de fiscalização da Internet. A idéia dele está longe de ser utópica. A ONU também tem discutido sobre isso.

Esse mesmo secretário participa de um projeto cujo objetivo é "popularizar a Internet em banda larga". (Quando alguém vier com historinha de "popularizar", tenha sempre em mente que ele vai usar o Estado para extorquir e chantagear.) Ele de dizer: "com os futuros auspícios de um órgão controlador internacional".

Como recordar é viver, alguém se lembra daqueles programas horríveis do João Cléber na Rede Tv!? (A exclamação no nome da emissora chega a doer.) O governo imperial também não gostava e pressionou a Rede TV!, em nome da decência e do valor dos gays, de todos os deficientes, dos velhinhos e de toda uma cacetada de gente. Ele chegou a obrigar a emissora a transmitir no lugar de um dos programas do João Kléber programas da própria lavra do, er, Ministério Público e de ONGs que deviam ser puxa-sacos disfarçados do governo. Como a Rede TV! descumpriu o "trato", veio nova pressão. No fim, João Kléber pediu demissão.

Provavelmente essa mesma classe (repara a minha cara de nojinho) inventou a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", que reúne um monte de gente cujo objetivo é meter coleira na imprensa em nome da moral, etc, etc. A iniciativa é de anos. Foi posta para frente através da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Veja só como funciona a hierarquia moral dessa gente. São de uma delicadeza ímpar, não pode ouvir um "puta que pariu" ou "vai te à merda". Mas a delicadeza fica só nisso. Quando o assunto é a quantidade absurda de homicídios por ano no Brasil sem que ninguém seja responsabilizado, ninguém faz nada. Essa gente é tão ridícula que chegam a divulgar até um top ten dos programas mais horríveis, por ordem de número reclamações recibidas pela Agência Câmara. Isso que é defender os direitos humanos! E quem é o coordenador dessa empreitada é um deputado chamado Orlando Fantazzini. Um doce para quem adivinhar o partido dele.

Ainda na classe do "recordar é viver", houve também a proposta de controle da imprensa através de um órgão federal. Alguém lembra da idéia tenebrosa do Conselho Federal de Jornalismo? Mais uma vez, a iniciativa era pintada como uma coisa maravilhosa. Nada mais saudável para a democracia que podar a imprensa de seus, hm, excessos. De novo, a iniciativa veio do todo-poderoso governo imperial. Como não faltou neguinho metendo pau na proposta, o governo rapidinho se vez de bobo (é uma de suas características mais comuns, sua cara de pau infinita) e fingiu esquecer o assunto. Naquele mesmo ano, El-Rei Lula O Mongo já havia ficado nervosinho quando um jornalista disse que ele era bebum...

Não custa nada mencionar as enrolações do Lulinha, aquele que era um pé-rapado e de repente ficou ricão. Menciono assim por alto só para demonstrar como as coisas são feitas com dois pesos e duas medidas. Lulinha é sócio de uma empresa de tv que, certa vez, num programa de vídeo-games às 18h, convidou a ex-puta Bruna Surfistinha para, entre um jogo e outro, falar de seu livro e de sua época de putarias. Um monte de moleque deve ter visto aquilo, afinal é para gente nova que um programa de vídeo-games é feito. A mulher falou numa boa que dava o traseiro por R$200, R$250, que fazia voz sensual para seduzir clientes no telefone e coisas do tipo. Cadê que apareceu alguém da campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania"?

Ó céus! Será difícil entender a unidade subjacente em tudo isso? Está na cara que o governo está fazendo das tripas coração para meter na coleira todos os meios de informação. Mesmo que você não saiba que o PT tem como objetivo instaurar o "socialismo democrático" (tradução: ditadura com nome bonito) no Brasil, são muitas as notícias no mínimo sugestivas para você não saber o que dizer. Nota bene. Tudo ocorreu apenas no primeiro mandato de El-Rei Lula, exceto o caso do YouTube.

Virá coisa muito pior daqui em diante. Mas na verdade eu é que sou a doida, tipo aquelas tias que ficam dando comida para gatinho na rua. Afinal de contas não é de quatro em quatro anos que festejamos a democracia? O voto é a arma do cidadão, passamos dos anos de chumbo, diretas já, blá blá blá...

Saturday, January 06, 2007

Encadeando fatos

Ficarei devendo o complemento do post de ontem sobre a perspectiva pessoal como fundamento do saber. Em compensação, uma reflexão sobre o baixo-mundo do Rio de Janeiro, tudo segundo o que tem sido dito ultimamente:

- Narcotraficantes tomavam conta de quase todos os morros;
- Polícia há anos vem tentando acabar com o tráfico de drogas;
- Governos ao longo dos anos não custeiam o suficiente a polícia;
- Narcotraficantes atacam esporádica e violentamente policiais;
- "Milícias" formadas por alguns polícias, bombeiros, etc., expulsaram narcotraficantes de vários morros;
- Narcotraficantes atacaram com extrema violência alvos policiais e alguns civis durante alguns dias;
- Representantes do governo dizem que os ataques foram em represália a atuação das milícias;
- Estado promete acabar com as milícias;
- Governo federal promete enviar auxílio.

Postos os fatos da devida maneira (e ainda faltam alguns no encadeamento), a coisa toda parece ser muito, muito mais feia que o que se costuma dizer por aí.

***

Não sei quando, se daqui a dois dias ou seis anos, escreverei algo cuja tese é: o Brasil é socialista, mas ninguém dá bola para isso.

Friday, January 05, 2007

Olavo de Carvalho e o nosso país

Ortega y Gasset vivia espinafrando a Espanha. Olavo de Carvalho faz a mesma coisa com o Brasil. Não sei quanto a Espanha, mas o Brasil merece mesmo alguns puxões de orelha. O filósofo brasileiro tem mais que razão.

Em recente artigo, ele diz mais algumas verdades. Um trecho, com alguns grifos meus:

No Brasil, o sujeito possuir uma erudição superior é considerado uma aberração, uma falha de caráter, uma doença. Cada um tem de ler apenas o pouco que seus colegas leram, nem uma linha a mais. Se passar disso, ofende e humilha a corporação, sendo automaticamente condenado por delito de "pedantismo".

Para redimir-se, deve provar genuflexa humildade ante seus detratores, retribuindo a difamação com favores servis como Otto Maria Carpeaux retribuiu aos comunistas. Pode também compensar a indecente pletora de conhecimentos com demonstrações de modéstia populista, escrevendo sobre samba, futebol, comida ou sexo, para mostrar que erudito também é gente. Mas isso nem sempre funciona. José Guilherme Merquior jamais foi perdoado, pois não fez uma coisa nem a outra. Gilberto Freyre tentou a segunda, mas já era tarde: nenhum populismo, estético ou lúdico, poderia jamais absolver o pecado mortal da adesão ao movimento de 1964.

Qualquer que seja o caso, o excesso de leituras pode ser perdoado em vida, mas sempre restará uma nódoa póstuma. Comentando o segundo volume dos Ensaios reunidos de Carpeaux (Topbooks), muitos resenhistas se mostram irritados com a erudição do genial ensaísta e historiador literário, só a desculpando quando encontram, com mal disfarçado alívio, algum defeito que a seus olhos o reduza a dimensões mais humanas. De passagem, observo: neste país é proibido escrever sobre os grandes homens com respeito genuíno e admiração humilde. Um ar de superioridade, pelo menos de intimidade desrespeitosa, é absolutamente necessário à boa auto-imagem do crítico, bem como à sua reputação.
Ortega y Gasset, em seu clássico A Rebelião das Massas, dizia que era típico do homem-massa a insubordinação. O homem-massa não está satisfeito em ser pequeno. Ele quer que todo mundo seja como ele, não reconhecendo nada que esteja para lá de seu horizonte curtinho.

Uma história contada pelo próprio Ortega em outro lugar: durante a Revolução Francesa, uma nobre era levada para a prisão. Uma camponesa disse a ela: "Hoje serei a nobre e você a camponesa!" Um advogadozinho revolucionário, típico ressentido, ao ouvir aquilo lhe respondeu: "Não, senhora, todos seremos camponeses!"

A historinha representa bem o que é o homem-massa. Ele transborda de filisteísmo.

Sabe o que é pior? É que esse tipozinho realmente gosta de chamar os outros de pendante quando ele mesmo é pedante. Pedantismo é simplesmente ter estudado alguma coisa além dele. Em suma: o cara é um chato de galocha.

Yo soy yo y mi circunstancia, ensinava o meu guru. Se a cirunstância é esse pau que dá em doido que é o nosso país, aff... Estoy muerta, mierda!

Perspectiva pessoal como fundamento do saber

Primum vivere deinde philosophari

Deus. Providência. Santidade. Imortalidade. Sentido da vida. Todos querem conhecer cada uma dessas coisas. Todos querem saber se cada uma dessas coisas são verdadeiras. Todos têm alguma opinião sobre essas coisas.

Nada mais natural. Nossa inteligência tem propensão a altos vôos. Mas há uma questão anterior. A questão anterior é você. Sim, você.

Porque eu e você somos representações em miniatura de cada uma dessas questões. Nós agimos (bem ou mal), vivemos, envidamos esforços, galgamos um fim. Nossa vida é representação em escala reduzida de problemas maiores. Além de representação, é a nossa vida uma perspectiva. É de nossa vida e não da de outro que podemos compreender as grandes questões.

Sendo eu o que sou e você o que é, é de cada perspectiva pessoal (minha e sua) que podemos nos dirigir aos principais problemas. Nossa carta de recomendação para a filosofia é a nossa vida pessoal. Sem ser sábio na própria vida, nada feito. Esqueça Deus. Esqueça a Providência. Esqueça tudo.

Esqueça tudo. É da capacidade de compreensão da verdade de nossas vidas que adquiriremos a verdadeira compreensão dos grandes problemas. Antes de saber se Deus age no mundo, você tem que saber como foi, é e, de algum jeito, parece que será sua própria vida. Tem que saber quando você foi responsável por ser o que é e quando não foi. Tem que saber se a sua vida é verdadeira ou só auto-engano. Tudo para responder a pergunta "Quem é você?" Se você não sabe nem quem é você, por que acha que teria capacidade mesmo de intuir o que (quem) é Deus? Se você não tem a capacidade de saber a história de sua própria vida, como pode imaginar a forma com que Deus conduz o mundo? Em última instância, se sua alma é opaca, pesada, mal formada, como você poderia conhecer a luminosidade, a magnitude e a sutileza do mundo e de Deus?

Livros são bonitos. Mas a vida é mais bela. Livro é letra morta, embora certas palavras vivifiquem. Não é mais bonito alguém agindo de um jeito belo que uma frase bela? A frase bela tem um quê de coisa, de algo estático. A vida bela não - é puro dinamismo e poesia. Muito mais belo é entender a própria vida. Entender é perceber, novamente digo, quem é você. É se tornar senhor de si mesmo.

Amanhã completarei o post. Só faço questão de repetir o seguinte: se você não consegue articular os vários eventos de sua própria vida, se não consegue explicar a si mesmo a história da sua vida, não tente entender Deus e a Providência. Esqueça a imortalidade. Esqueça tudo. Nade primeiro nas águas rasas do rio antes de se atirar nas fortes correntes do mar. Tal é a lógica da formação pessoal bem empreendida. Há uma quantidade infinita de pessoas de coração duro e alma pequena que arrogantemente insistem em distorcer tudo para que melhor caiba no pequeno mundo delas.

Thursday, January 04, 2007

Novamente a dizer sobre pessoas boazinhas

Momento egotrip: vou comentar um texto meu.

Escrevi o seguinte em Napalm Death:
As pessoas foram tomadas da síndrome do bom-mocismo. Todo mundo quer ser racional, pacífico, analítico, multicolorido, complexo, tolerante.
Ótimo exemplo disso é a mania de tanta gente dizer "respeito a sua opinião" ou o velho "bem, gosto não se discute". Às vezes tem quem emende aquela frase que dizem ser de Voltaire: "Posso não concordar com a sua opinião, mas vou defender até a morte o seu direito de expressá-la." That's so cute...

Esse bom-mocismo é o filisteísmo dos nossos tempos. Prazer.

O filisteu de nosso tempo é isso tudo e muito mais. Ele é comportadinho, corretinho. Quando escreve, escreve com um esforço de correção que mais parece que está prendendo os intestinos para não borrar as calças. Quer ser amado. Então tenta não ser pedante em opiniões gerais. Mas se for apertado, se defenderá com a velha pedanterie (em francês, para ficar plus chic). É contra todas as injustiças do mundo. Quando fala do menino de rua se enche de emoçãozinha. É como o cidadão comum deve ser (by von Mises). Ser filisteu, sonho de todo intelectual brasileiro.

Tenho uma bronca especial contra esse tipo de gente. São sempre forçados. A pedanterie é casca. Se você cavar um mucadinho, vai descobrir um tremendo mongol esperneando. A mistura cai tão mal para meu estômago quanto carne junto com sorvete. Só de pensar embrulha!

Outro dia eu passeava por um blog quando encontrei a expressão mais maravilhosa do mundo para definir esse tipo de gente. Meus olhos chegaram a brilhar. A expressão era "jagunço parnasiano". Não é uma belezura? Quem disse isso podia ser chamado de filósofo, descobriu a essência do fenômeno. O jagunço parnasiano, casca de mocinho esperto mas fundo de aborígine, é a praga moderna.

Agora vou tirar o coelho da cartola. Vou mostrar o segredo por trás dessa gente boazinha.

O segredo se chama maniqueísmo. A praga que Santo Agostinho tanto se esforçou para chutar o traseiro (dúvida: praga teria bunda?) está de volta. Não sozinha. Os erros desses tempos são a aliança de todas as heresias juntas (by São Pio X). É o tal do modernismo. Porém existe o fundo maniqueu, e maniqueu soa como gnóstico. Vamos só cuidar do primeiro.

Quando você diz assim: "existe mocinho e bandido", "fulano está certo, outro está errado", e coisas desse tipo, muita gente costuma dizer que não existe esse papo de bem e mal, mocinho e bandido, certo e errado. Outro dia me disseram que o mundo é cinza, ao que perguntei se por um acaso ele se parecia com o céu de Londres, pois tem gente que diz que lá sempre é cinzento. Preto e branco é ilusão, tudo é cinza. Por essa lógica, não há homem e mulher, criança e velho, alegria e tristeza. O homem é mulher e mulher é homem, criança é velho e velho é criança, alegria é tristeza e tristeza é alegria. Homem age como mulher e mulher como homem, criança age como velho e velho como criança... e por aí vai. Confusão do cacete e me deu até dor na cuca só de tentar encadear essas frases. O mundo seria o bem e o mal juntinhos. É como o lema do IngSoc, o Partidão do livro 1984:

Guerra é Paz
Liberdade é Escravidão
Ignorância é Força

Quem dissesse o contrário seria o maniqueísta. Ou bestão. Ou... inimigo...

For God's sake! Não é ser maniqueísta apontar o certo onde está o certo e o errado onde está o errado. Ser maniqueísta é apontar numa só coisa o errado no certo e o certo no errado. O melhor provérbio para entender o que estou dizendo é que "tudo tem dois lados". Eu diria: exceto a bola!, a menos que você use um giro de linguagem para incluir o tal do lado de dentro e o de fora. Um ponto não tem lado. Nem extensão. Quantos lados têm o 5? Deus tem um lado ruim? Somente o maniqueísta sempre achará que tem que encontrar sempre o bem e o mal juntos e amarrados. O pior de tudo é quando ele acusa o cristão de ser... maniqueísta. Nunca um cristão será maniqueísta pelo simples fato de Deus não ter um contrário. Satanás não é o oposto simétrico de Deus. Com os maniqueístas o papo é outro. O bem tem um equivalente, o mal. É a luta perpétua entre duas entidades de sinais contrários, Aura-Mazda e Arimã. O primeiro é a verdade, o segundo é a mentira. Os reis persas chegavam a dizer que eram a tal ponto servos da verdade que preferiam se abster de dizer uma verdade caso ela soasse a alguém como mentira.

É por isso que quando você diz a um maniqueísta que fulano está certo e o outro errado, isso soará para ele esquisito. Não, não pode! Se ele for um maniqueísta que não sabe o que é maniqueísmo, ele irá te chamar de maniqueísta. (Este é o brasileiro típico, universitário, pessoal legal.) Se você pedir a opinião dele sobre uma coisa, ele vai te indicar o lado bom e o lado ruim, abstendo-se de dizer no final das contas se a coisa é boa ou ruim. É como se você perguntasse a alguém se o macarrão está quente ou frio e o camarada dissesse para você que por um lado está quente, mas por outro está frio. Vai achar que isso é ser espertão. Aqui no Brasil não falta gente assim. Dariam péssimos cozinheiros.

As pessoas boazinhas são as mais ferozmente maniqueístas. Mesmo para o evento mais tenebroso ela vai achar o lado bom. Se o mal está junto com o bem, então um sujeito mau pode ser um sujeito bom. O maniqueísta achará então que mesmo um bandidão tem suas razões legítimas. Quem não for maniqueísta achará que realmente um bandidão pode virar alguém legal, mas a possibilidade disso acontecer é infinitesimal. Para efeitos práticos, inexistente. Como o Olavo de Carvalho disse uma vez, qual a probabilidade de o Champinha se tornar santo?

Foram pessoas assim que tomaram o controle das escolas, do rádio, da justiça, da tevê, culminando com a política. Às vezes, na política elas resolveram ensaiar um apocalipse. Acharam-se representantes do Bem na luta final contra o Mal, a fim de salvar toda a humanidade. Claro, todos se ferraram. Mas levaram milhões com eles. Essa é a essência do nazismo, do comunismo e de muita coisa tenebrosa. O nazista era uma pessoa boazinha. O comunista é também uma pessoa boazinha. Os simpatizantes de cada um desses movimentos são mais bonzinhos ainda. Vão lutar contra o mal. Uns contra os judeus, outros contra os exploradores capitalistas. (Nota rápida. Os nazistas achavam que os judeus controlavam o grande capital. Os comunas lutam - é o que dizem - contra os capitalistas. Os nazistas, lutando contra os judeus, tinham quase os mesmos inimigos dos comunas. Não foi à toa que os soviéticos e os nazis chegaram a assinar o Pacto Germano-Soviético. Nazismo e comunismo são muito parecidos. O próprio Stálin dizia que o nazismo é o navio quebra-gelo da Revolução. Se você cospe na cara de nazi, tem que cuspir na cara de comunista também. Obrigada.) Lutar, entenda-se, é matar quem não for que nem eles. Cem milhões de mortos só pelo comunismo, número de mortes maior que o de todas as guerras, pestes e calamidades juntas em toda a história da humanidade (não estou usando jogo de expressão, realmente é verdade), dá bem a medida da feiúra do comunismo. Sobre o nazismo, bem, todo mundo está careca de saber.

Pessoas boazinhas ajudaram e tem ajudado bastante o Chifrudão. Até quando vamos tolerar essa gente e sua expressão nacional, o "jagunço parnasiano"? A julgar pelas 50 mil mortes anuais em nosso Brasil, sem que os bonzinhos parem com esse papo de bandido oprimido pela sociedade e polícia corrupta, ainda correrá muito sangue. E lágrimas. Todos sacrificados no altar da demência e da maldade camuflada. Como diria outro provérbio, a melhor tática do capeta é fazer com que acreditem que ele não existe.

Update: Junto às pessoas boazinhas, coloco também aquela raça que vive choramingando dizendo "oh, o Deus do Antigo Testamento era tão malvado...", principalmente certo subgrupo de ateus enjoados que primeiro diz que não crê em Deus mas logo em seguida revolve julgá-Lo.