Saturday, November 24, 2007

Sobre um comentário bocó

Resolvi fazer um post para responder a um comentário de um carinha chamado Gustavo. Ele fez o seguinte comentário em meu post Tropa de Elite (comentário de dois comentários):

Tanja, desculpe mas, com todo o respeito, tenho que falar:

Você é tão radical nas críticas que realmente me fez lembrar um líder fascista qualquer, ou um desses que se dizem cidadãos mas que são uns grandes nazi, daqueles que acha que bomba na favela "não é a melhor solução, mas inegável que teria seus lados bons"... Desculpe, mas foi minha impressão.

E mais.

Criticar opiniões de maneira tão violenta - e, direi, partidária - sem ter sequer visto o filme de que falam, chega a ser canalhice. Ou patético, não sei.

Abraços,
Gustavo.



Gustavo, resolvi dedicar um post a você. O que você disse é bem característico. Então é como se eu estivesse respondendo a muita gente que raciocina do mesmo jeitão.

Você chega e diz que pareço líder fascista porque fui radical em minhas críticas. Olha, como prometi que não diria um palavrão nessa resposta, vou me segurar. Pelo amor de Deus, será que você não sabe o que é fascismo ou nazismo? Se você sabe, tem noção de que me colocou abaixo de filha da puta. (Não deu para manter a promessa.) Se você não sabe, perdeu oportunidade de ficar quieto. Errado dos dois jeitos. Você, os Cuencas e Blochs da vida não têm vergonha nenhuma de saírem carimbando na testa dos outros esse tipo de coisa quando topam com opiniões contrárias. E eu que sou a escrota porque escrevi reclamando desse tipo de crítica babaca? Ora, você só pode estar de sacanagem comigo.

Me diga uma coisa. O Bloch disse que o filme era fascista. Até onde sei, o fascismo é um regime genocida. O Bloch quis dizer várias coisas. Que o filme fazia apologia ao genocídio. Defendia alguma mitologia nacional. Pregava a liderança de um grande homem. O Cuenca ainda por cima teve o descaramento de dar umas cutucadas nos militares e na Igreja. E falou mal do público. Não perdeu tempo. "A ocasião faz o ladrão". Reclamei dessas opiniões. Quer dizer então que na verdade quem disse uma barbaridade fui eu? Na sua cabeça é muito feio discordar dos outros. É coisa de fascista. Reclamar de quem chama os outros de fascista do nada é coisa de fascista na sua opinião.

Veja mais uma coisa, Gustavo. Em nenhum momento eu disse que comentaria o filme. Não entrei nesse mérito. Qualquer um que sabe ler entendeu que meu problema foi com o tipo de comentário do Bloch e do Cuenca. Está na cara que eles usaraqm o filme como escadinha para as suas papagaiadas. Os dois foram bem filisteus e eu disse as razões. Fiz citações. Não inventei nada. Eu demonstrei a palhaçada. Agora você vem me dizer que fui "partidária"? Partidária do quê? Só se for do partido da não-canalhice. Partidário foi o Cuenca que tomou as dores da crítica à classe média chincheira. Partidário foi o Bloch que assumiu logo uma crítica ideológica (o Cuenca fez a mesma coisa) para queimar o filme. O que é coisa de fascista é o que eles fizeram. Partidarizar tudo. (Na verdade o que eles fizeram nem foi crítica. Foi só associação mental. O texto do Cuenca foi todinho escrito nessa clave. Fez jus ao título de "primata superior". Homem-homem mesmo está além disso.)

Se eu lembro a você algum líder fascista, você não só me lembra um palhaço que não tem o que fazer como é de fato um. Dos mais sem-graça. Note bem. Estou sendo polida. É muito pior ser fascista que palhaço. Poderia ter te chamado de vagabundo. Continuaria barato.

Esse tipo de ofensa é o pior. Nego te dá umas porradas achando que está sendo muito legal. Depois pede desculpas, como quem diz: "Olha, eu te acho uma desgraçada e desalmada. Você deveria apodrecer na cadeia. Mas sou tão bonzinho e limpinho... Me desculpa, tá?" Aí quando alguém resolve ir além das intenções e põe para quebrar, o cara bonzinho fica todo escandalizado. Pô, está achando o quê? Parece o Mime vindo de papo para cima do Siegriefd. Mas olha. Me deixa contar uma coisa. Ninguém sabe. É que o Siegfried me deu um pouquinho do sangue do dragão também. Percebo as suas intenções. Apesar do que você diz. É por isso que você está tomando na cabeça agora. Não te desculpo coisa nenhuma. Vai lá dar as mãos para o Cuenca e o Bloch. Pulem do penhasco. E não me torra mais a paciência.

PS: Acho que farei contagem regressiva para moderação.

3 comments:

Eduardo Araújo said...

Tanja, estou conhecendo o seu blog hoje, a partir do (ótimo) Observatório da Perseguição, da Liz e do Danilo. Por esta razão, estou escrevendo este comentário um pouco tardio à sua postagem.

Porém, não poderia deixar de manifestar minha concordância com sua resposta ao achincalhe desse sujeito.

Aproveito para comentar o que considero um mal destes tempos: as pessoas atacam verbalmente as outras de forma leviana ou por ignorância do significado dos termos empregados.

É comum, por exemplo, você emitir uma opinião desfavorável a uma minoria e ser de imediato esculhambado como preconceituoso, racista. Em outras discussões, dependendo da sua opinião, vêm os qualificativos de moralista, falso moralista (às vezes juntos!), hipócritas, reacionários, e aí a lista não pára.

Isso já aconteceu comigo, quando certa vez pronunciei-me contra a adoção de bebês por homossexuais. Era um tempo sobre o qual já havia refletido, ponderado com o máximo de isenção e concluído por uma posição divergente. Como poderia minha opinião, face a tudo isso, ser rotulada de preconceito?

Outro pejorativo comum é a palavra "hipócrita". O significado desse termo remete à falsidade, num sentido mais pesado que o termo incoerência. Ora, para alguém ser caracterizado por hipocrisia é indispensável que se tenha conhecimento dessa duplicidade mentirosa entre o que ele diz ser ou fazer e como verdadeiramente age. Ou seja, é necessário saber muito bem da vida e do cotidiano da pessoa. Como, então, um desconhecido que antes sequer sabia de minha pobre existência pode me rotular de hipócrita simplesmente porque proferi uma opinião contrária à dele?

Como disse no início - ou é ignorância ou leviandade. Este é o caso também de imputar a outro o rótulo pesadíssimo de fascista.

Quanto às "desculpas" e a afirmação de ser "com todo respeito", é de um tremendo cinismo. São as lágrimas de crocodilo ou a condolência do algoz após a execução.

Finalmente, é uma grata surpresa encontrar uma conhecedora da saga dos Nibelungos. Você a conhece da literatura ou dos libretos de Wagner?

Abraços

Tanja said...

Oi, Eduardo. Me desculpe pela demora em responder.

Gosto bastante do "Observatório". Espero que a iniciativa deles se propague muito.

Não tenho o que acrescentar ao que você disse a respeito desses ataques. Tem toda a razão. Quero dizer, na verdade só diria mais uma coisa. Esas ofensas equivalem a urros. Linguagem revolucionária é isso. Bizarro é o fenômeno do "urro polido". O cara dá um berro e em seguida pede desculpas. Coisa de louco. Essa história de morde-e-assopra comigo tem vez não. Eu hein.

E a saga dos Nibelungos. Então, conheço graças ao Wagner e também ao Fritz Lang, que dirigiu o filme "Os nibelungos". Existe uma diferença. Wagner pegou a versão nórdica. O Lang pegou a versão germânica. A história não é a mesma. Recomendo esse filme, se você curte filmes alemães mudos da década de 20. :-) Não li o poema. Qualquer dia desses pegarei a versão em prosa.

Abraços!

Tanja Krämer said...

"Esa" não! É "essa"! :-)