Friday, November 09, 2007

Faculdade

Rory, o que acha disso?

Mas digo eu. Só sei que no meu caso também tive aulas com mestrando/doutorandos. (Uma vez tivemos que comprar um livro de um desses caras porque ia cair na prova. Era a tese de doutorado. Ou mestrado? Sei lá. Um belo dia apareceu um monte de livros da editora da UFRJ nas mãos do professor. Reservinha chumbrega de mercado, hein?) Uma vez rolou de graduandos sob orientação do professor do curso darem uma aula ou outra.

Já teve uma vez que mudaram de professor do nada. Peguei a porra da disciplina porque disseram que o cara era bom. Aí entrou uma Maria não sei das contas. No outro semestre fui fazer outra disciplina com ele. Antes perguntei se ia ter troca-troca de novo. "Da outra vez eu estava naquele curso até arrumarem substituto", ele contou. Quis dizer que estava quebrando galho. Pô, devia ter avisado antes, né?

Mudando um pouquinho de assunto. Vida em determinadas faculdades de determinadas universidades é uma m-e-r-d-a. Minha principal aporrinhação eram as disciplinas-Kinderovo. Você vai toda feliz se inscrever num curso de nome maneiro. Por um acaso deixa de ir na primeira semana. Quando chega, é um curso que não tinha nada a ver. E sabe-se lá o motivo, mas não tem mais como pedir exclusão. Uns exemplos. Fui me inscrever num curso chamado "Pensamento Medieval e Universidades". Cheguei toda contente, sentei. Daqui a pouco a mulher está me falando um negócio sobre judeus no Egito. E início da formação da Torá. E estilo de escrita na Bíblia. "Vai ver é uma dessas digressões malucas que nego gosta de fazer", pensei. Depois de 40 minutos: "Puta merda, tô na sala errada de novo." [nota: indicações de sala errada não são muito incomuns nesses lugares zoneados.] Olhei para a turma. Umas sete cabeças. E agora? Não lembro se perguntei pra alguém ou a professora que viu a minha cara de boi olhando pra palácio. Me disseram o assunto do curso. "História da Formação da Bíblia". Ou qualquer coisa assim. Ok, é um assunto que pode ser bacaninha. Mas cadê a disciplina que me inscrevi? "É que eu queria dar aula disso, mas na grade não dava para usar esse nome. Peguei um curso que ninguém daria esse semestre e deixei o nome por causa da burocracia", a resposta. E eu que me ferro. Acha que foi a única vez? Lá fui eu estudar de novo alguma coisa de medieval. Cheguei na sala. Mesma professora do outro semestre sobre a formação da Bíblia. "Esse negócio vai ficar frenético de novo, já tô vendo", pensei. Não deu outra. Lá foi a mulher me inventar um curso sobre o corpo na Idade Média. "Porque o corpo para eles..." Dessa vez consegui escapar. Último exemplo. Fiquei toda boba por causa de um curso chamado "Historiografia Clássica". Na época eu tinha enfrentado por conta própria Tucídides. Estava empolgada para discutir a respeito. Já estava imaginando ler Heródoto, Suetônio, Tácito e mais uma porrada de gente. Só que aí me chega a professora e começa a falar de Foucault. Uns papos sobre sexo definir o homem. Passa uma entrevista dele com um cara que agora estou com preguiça de dizer quem é. Diz depois que na verdade a disciplina vai ser sobre problema de gênero na Grécia Clássica. Ha, pfui!

(Dizem que no curso de filosofia da UFRJ o negócio é mais punk. Sem contar que você pode sair montando sua grade de disciplina de um jeito que talvez leia nunca São Tomás de Aquino, só uma vez Aristóteles, mas Nietzsche direto. Fui testemunha. Quando tinha aula sobre Aristóteles, tipo algo sobre a Ética, havia cerca de sete pessoas. Quando o negócio era o professor Roberto Machado ensinando Nietzsche (ele era o "dono" de Nietzsche, como tinha um "dono" de Aristóteles, e por aí vai)... Cara, havia tanta gente que nego ficava até do lado de fora ou sentado no chão.)

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