Wednesday, October 10, 2007

Trechinho do Napoleão Mendes de Almeida

O Napoleão Mendes de Almeida escreveu uma nota muito engraçada lá no início da lição sobre métrica em Gramática latina:

Para o "modernismo", nome que engloba o "futurismo", o "suprarrealismo", o "dadaísmo", o "verde-amarelismo" e toda uma longa série de variantes da paranóia intelectual sob que se abrigam revolucionários de ideologias políticas mais do que conceituadores da estética, a arte poética não existe em nenhum idioma: o verso, para esses apadrinhadores e propagandistas do relaxamento, é mero aglomerado de palavras; o poema, simples trecho de prosa com linhas fingidamente distribuídas à maneira de versos. Homens de estudo têm-nos em conta de demagogos das letras, dilapidadores da tradição, destruidores da cultura e -- coincidência a um tempo fatal e triste -- defensores da leviandade, quando não da própria imoralidade.


(Por essas e outras eu disse que não sabia escrever poesia quando escrevi uns negócios por aí, e que não era poeta.) [Agora uma notinha básica. Nunca gostei de "poetisa". Para mim é "o poeta" ou "a poeta". "Sacerdotisa" já soa melhor que "sacerdota". Seria feio assim. Rima com "bolota". E é feio para pronunciar! "Musicista" também não gosto muito, não. Dizer "eu sou uma música" seria poético. Talvez poético demais para uma profissão. É engraçadinho. Sei lá qual feminino seria melhor para "músico"!]

Que legal esse trechinho. É um exemplo dos motivos de sempre ter algum cara falando mal do Napoleão. Eu não acho que ele disse besteira...

6 comments:

Diego Aurino said...

Pena hoje ser difícil de encontrar intelectuais como o professor Napoleão. Há quem prefira viver em uma país com cotas...

Anonymous said...

Comprei hoje a minha Gramática. Matava tempo depois do almoço na Da Vinci quando esbarrei nela.As primeiras lições foram tão leves de ler - pelo menos para alguém cujo conhecimento de latim se resume à cena de exorcismo do filme de mesmo nome - que não resisti e comprei o livro.
Ainda vou demorar um pouco para chegar à lição de métrica, mas acho que valerá a pena.

­ said...
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Alexandre said...

Parabéns pela sobriedade do "Blog", que encontrei procurando pelo Napoleão. Apesar do tom incisivo que lhe era peculiar, as palavras do nosso maior gramático são incontestáveis.

José Antonio said...

Embora tivesse razão em muitas de suas críticas, o Prof.Napoleão, levado talvez por seu purismo, caia às vezes no exagero. No seu Dicionário de Questões Vernáculas chega a chamar de suinos àqueles que não compartilham de suas opiniões linguísticas.

Andreambrosio said...

Seria de suma conveniência corrigir o aforismo que encabeça a página:
Não existe no mundo assunto desprovido de interesse. O QUE PODE HAVER É PESSOA QUE NÃO SE INTERESSE.