Saturday, September 01, 2007

Católicos resistiram ao nazismo

Isso nenhum filho da mãe diz ou divulga! De Zenit:

Católicos resistiram ao nazismo

Conferência em Barcelona de Martin Kugler

BARCELONA, terça-feira, 28 de agosto de 2007 (ZENIT.org).- Os católicos resistiram ao nazismo, e se não o fizeram mais contundentemente foi por «um certo complexo de inferioridade».

É a idéia central comunicada nesta terça-feira em Barcelona pelo historiador austríaco Martin Kugler, convidado à Mostra Internacional de Cinema sobre a Família, organizada por CinemaNet.

Martin Kugler é o fundador de Europe4Christ.net, um movimento multi-confessional e sócio-político contra o relativismo moral.

Kugler, que é um dos maiores especialistas nas relações entre a Igreja Católica e o nazismo, acrescentou que este «complexo católico de inferioridade» e o «meio» guarda certas «analogias» com a situação atual dos católicos.

Por outra parte, o historiador esclareceu que Pio XII «tinha amor pelo povo alemão», mas isso «não significa conivência com os nazistas».

Kugler explicou que «em 40 dos 44 discursos que o cardeal Eugenio Pacelli (depois Pio XII) fez sendo Núncio na Alemanha, havia críticas «ao totalitarismo e ao racismo».

«E se não foi mais contundente sendo Papa era por sua preocupação por não desatar uma perseguição maior contra os católicos, já que houve experiências neste sentido», expressou Kugler.

Assim, «dizer que era anti-semita e pró-Hitler é uma tolice», manifestou Kugler, revelando que a diplomacia da Santa Sé salvou do Holocausto ao menos 700.000 judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Kugler explicou que «nos anos da pós guerra mundial se reconhecia como muito positiva a atividade da Igreja e do Papa em favor dos judeus».

Um dos filmes projetados nesta mostra de cinema familiar, da qual participou Kugler, foi «Sophie Scholl», filme que mostra os valores éticos de alguns jovens e algumas famílias que lutaram contra a ditadura nazista por princípios éticos e religiosos, mais que por considerações políticas.


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Quem quiser ler textos sobre Pio XII e o nazismo, aqui. Aproveita e lê um comentário sobre o livro cascateiro de John Cornwell, O Papa de Hitler. Ou uma resenha de Bruno Cardoso Reis. Aí você não vai escrever palhaçadas tipo essa do Rafael Galvão. Diz que não leu o livro e resolveu criticar mesmo assim algumas teses do livro. Com a desculpinha de que estava na verdade criticando uma resenha do livro The Myth of Hitler's Pope. (Ah, esse cara ia ser o primeiro a ajudar os judeus, eu sei, é verdade. Rafael Galvão para mártir, ha ha ha). Inventou novo gênero de crítica. Resenha-por-tabela. Nunca vi tosqueira tão grande. Ou que nem um carinha aí chamado Flavio Vaz. Ele escreveu besteiras tipo "John Cornwell, um dos historiadores especializados em Vaticano" e "[esse livro] é uma aula de história". Puta merda, ai, ai... (Isso que dá colocar link pra site de Tio Chico Buarque.) É tão especialista quanto aquele tal de Horta lá do jornal O Globo. O Pedro S. Câmara já mostrou que aquele cara entende porcariada nenhuma.

Neguinho sai escrevendo essas coisas em público. Ai que vergonha.
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Conhece a história de Maximiliano Kolbe? Se não conhece, agora a ignorância não servirá mais como desculpa! E Edith Stein?

Sofreram o terror porque só conhece a Cruz aquele que segue o Salvador carregando Sua Cruz.

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Rascunho (acho).

Hitler achava que não era muito legal se meter em assuntos religiosos, porque isso era coisa, uai, de religiosos! Não de líder políticos. O negócio era deixar o povo lá com seus credos. Por isso ele disse no Minha Luta:

Os partidos políticos nada têm a ver com os problemas religiosos, a não ser que estes, estranhos ao povo, venham solapar os costumes e a moral da própria raça. A religião também não se deve imiscuir em intrigas do partidarismo político.

Quando os dignitários da igreja se servem de instituições ou doutrinas religiosas para prejudicar a sua nacionalidade, nunca deverão ser seguidos nessa trilha e sim combatidos com as mesmas armas.

As doutrinas e Instituições religiosas de seu povo devem ser intangíveis para o chefe político; ao contrário, este não deveria ser político e sim reformador!

Qualquer outra atitude conduziria a uma catástrofe, especialmente na Alemanha.


Em Hitler's Table Talk, apontamentos tomados entre 1941-1944, (editados por Hugh Trevor-Roper, que faz também o prefácio e uma introdução; obrigada Mr. Trevor-Roper) Hitler disse alguma coisa nesse sentido: "Por isso sempre manti o Partido longe de questões religiosas". Gestapo neles só se ensinamentos religosos "estranhos ao povo, venham solapar os costumes e a moral da própria raça."

Por isso nada de Kulturkampf. Por enquanto...

George von Schönerer era um carinha que Hitler gostava muito. Chegava a colocar acima da cabeceira de cama, quando jovem, os lemas dele. Aquele sujeito foi líder do movimento austríaco pangermanista. Teve um erro. Resolveu bater de frente com Roma. O movimento Libertação de Roma (Los von Rom) não adiantou nadinha.

Nas minhas observações sobre o movimento pangermanista em sua luta contra Roma, cheguei, naquela ocasião e, sobretudo posteriormente, à seguinte conclusão: devido a sua fraca compreensão da significação do problema social, o movimento perdeu a força combativa da massa popular. Indo ao parlamento, perdeu a sua força de impulsão e sobrecarregou-se com toda a fraqueza inerente àquela instituição. A sua luta contra a igreja desacreditou-o perante muitas camadas das classes baixa e média e privou-o de muitos dos melhores elementos que se poderiam indicar como essencialmente nacionais.

Os resultados da "Kulturkampf" na Áustria foram praticamente nulos.


O ideal seria deixar a cristandade morrer devagar:

Se alguém tem necessidade de uma natureza metafísica, não posso satisfazê-lo com o programa do Partido. O tempo vai passar até o momento que a ciência possa responder todas as questões.

Então não é oportuno nos jogarmos numa luta contra as igrejas. A melhor coisa é deixar a cristandade morrer de uma morte natural.

O pau ia comer mesmo depois da guerra. Pra começo de papo: "Eu tornarei o recrutamento de clérigos extraordinariamente difícil." Para entrar na Igreja, "só quem passou dos 24 anos, depois de ter terminado seu serviço de trabalho e militar". Outra coisa seria incentivar o fechamento de mosteiros, molhando a mão de priores e colaboradores para libertarem homens de seus votos. Romperia de uma vez a concordata com a Igreja. Ah, e sem contar que ele diz que na cátedra de São Pedro haveria no fim apenas

um oficiante senil; diante dele, algumas mulheres sinistras, tão gagás e pobres de espírito como ninguém gostaria de ser.


É que "os jovens e os saudáveis estão do nosso lado".

Pior que Mussollini imaginava que um dia se veria livre do Papa. O Führer contou que

Em Veneza, em 1934, o Duce uma vez me disse: "Algum dia o Papa terá de deixar a Itália; não há lugar para dois senhores!"


Verdade. Il Rigoleto tomou nos cornos bonito no fim da guerra!

A verdade é óbvia, amigo. A porcaria do Hitler não levava a sério a cristandade. Para ele, Jesus era ariano. São Paulo teria pervertido os ensinamentos de Cristo só para atrair para si o submundo a fim de zonear o mundo (olha aí um traço da opinião de Nietzsche em O Anticristo, que não deixa de ser reedição de antigas heresias). São Paulo e sua cristandade seriam um protobolchevismo. Com ele teria chegado ao fim a genialidade greco-latina. É mole? Calma. Tem coisa pior! A história da Queda e da Redenção , a noção do Paraíso... Veja o que ele disse em companhia de Goebbels, Ribbentrop, Rosenberg e mais um monte de gente no dia 13 de dezembro de 1941, meio-dia, alguns dias depois da Werhmacht ter se ferrado em Moscou:

A cristandade é invenção de cérebros doentes. (...) Um negro com seus tabus é esmagadoramente superior a um ser humano que crê seriamente na Transubstanciação.


Ele arrematou a palhaçada assim, comentando sobre a "concessão" do Duce à Igreja:

Da minha parte, eu teria tomado o caminho da revolução. Teria entrado no Vaticano e jogado todo mundo para fora reservando o direito de me desculpar depois: "Desculpe, foi um engano." Mas o resultado teria sido feito, eles teriam sido postos para fora.


E em seguida ainda chama a cristandade de "doença" e "droga".

Consigo direitinho imaginar neguinho rindo e achando tudo supimpa. Uma porrada de gente fica assim hoje também. Tipo quem lê Janer Cristaldo, Rodrigo Constantino e mais gente da tchurma. Pelo menos a opinião sobre a cristandade é a mesma!

É verdade que muita gente foi enganada pelo Hitler? Sim. É verdade que o arcebispo von Galen gostou da Alemanha ter invadido a União Soviética? Sim. Só que é verdade que o mesmo arcebispo foi um dos pouquinhos que protestou contra a política de eutanásia. Os bispos na Holanda também foram um dos poucos que protestaram contra as perseguições. O papa várias vezes condenou a política nazista. Muitos milhares de judeus foram salvos graças à ação de católicos. Está claro também que Hitler não tinha simpatia nenhuma pela hierarquia da Igreja. Nem poderia ser considerado católico. Ele sempre soube que o catolicismo era uma pedra no sapato. Ele mesmo disse, em 18 de maio de 1941: "Meu adversário mais perigoso foi sem dúvida o Partido Centrista", o partido católico. Só conseguiu dobrá-lo graças a mentiras. Como num discurso feito em Stuttgart em 15 de fevereiro de 1933, algum tempo antes das eleições:

Dizem hoje que a cristandade está em perigo, que a fé católica está em perigo. A essas palavras, respondo: 'Finalmente há cristãos e não ateus internacionais no comando da Alemanha'.


[Notinha: a tradução está um pouquinho diferente. A versão aqui está em John Lukacs, O Hitler da História.]

Mentiroso de uma figa!

3 comments:

PSC said...

Um filme de que você vai gostar, se já não viu, é este aqui:

http://www.imdb.com/title/tt0086251/

Evelyn Mayer de Almeida said...

Olá, Espectadora.

Encontrei o seu blog qdo procurava algo sobre o Nazismo e a Igreja. Penso tanto qto vc: porque só falam de coisas ruins qdo a Igreja faz coisas boas e ninguém divulga?

Vou estudar melhor o que vc postou e levar para a aula de filosofia.

Se puderes, gostaria de conversar mais com vc sobre este assunto. Sugiro que me envie um e-mail no lynjesus@yahoo.com.br

Obrigada e boa noite =)

Evelyn.

Tanja Krämer said...

Evelyn, pode deixar. Quando eu chegar em casa mais tarde mando um e-mail.