Wednesday, April 11, 2007

Corpo e espírito

Existem aqueles que reclamam do corpo. Prisão do espírito. Vago platonismo.

Já amei Platão quando mais nova. Foi quando pensava no amor. E amor (era o que eu imaginava) implicava uma pureza divina. Se eu ouvisse Dante, amaria as palavras dele e seria movida por elas, como eram as estrelas e o Sol. Estaria perto do poeta, mas apenas como reflexo nos olhos dele. Esse seria o amor e a pureza divina.

Platão (caro Platão!) é belo. Mas esse amor divino não prestava honra nenhuma ao irmão corpo. Se ouço Dante, ouço porque tenho ouvidos. E porque tenho audição. Portanto, sou sensível e faço um louvor à sensualidade. (Eu seria nada sem a sensualidade. Nem ninguém.) Não posso negar a sensação boa de tocar os cabelos de quem amo, nem negar o prazer em sentir cheiro de quem amo. Posso negar ser envolvida por braços queridos?

Há alegria do espírito, que é fina. Mas há também alegria do corpo, embora mais grosseira. Por que prejudicar o primeiro em nome do segundo? E por que valorizar o primeiro às custas do segundo? São dois reinos. Parafraseando o Salvador, dê ao corpo o que é do corpo e ao espírito o que é do espírito.

Sem exageros. Honra ao corpo e ao espírito. Fomos feitos com os dois e somos pelos dois. Acima dessa medida é vaidade e abaixo pura burrice.

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