Friday, January 26, 2007

Alma bela

(Aqui vai para quem amou e tem esperança. Não ria de mim. O sentimento íntimo que surge em público às vezes parece ridículo. Eu sei. Mas antes de mais nada, uma coisa. Aqui vai uma palavra íntima para quem cultiva o coração, a intimidade. Se há fingimento, é o de tornar presente o que está ausente. A lembrança, boa lembrança, faz o sentimento surgir em tranqüilidade.)

Se agora não amo, lembrarei de quando eu olhava meu antigo amor e sentia alguma coisa estranha dentro de mim. Se agora não rio, lembrarei de quando meu antigo amor me dizia qualquer coisa e eu já ria (quando nos apaixonamos, tudo parece feliz). Se agora me sinto sozinha, lembrarei das vezes em que um só telefonema de meu antigo amor me fazia ganhar o dia.

Lembrarei sempre do meu amor. Ele, em minha casa, sentado, dizia alguma coisa de um jeito bonito que só ele sabia dizer. Eu, na casa do meu antigo amor, dava razão à mãe dele em tudo e era por isso uma boa moça (ou pretendia ser). Na rua, andávamos como se o mundo existisse só para a gente. Na biblioteca, ele apontava vários livros e indicava para mim um por um. Na loja de cd, ríamos por termos gostos musicais tão diferentes.

Ele era meu amor por ter alma bela. Mas há muitas pessoas na rua. Onde estará outra alma bela?

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