Monday, November 27, 2006

A vida é boa (embora às vezes ela possa parecer um saco)

Ai, o Paraíso... Dizem que é muito bom. Como não sei como é por lá, digo que gosto deste mundinho aqui. É sério. Quando dizem que isso aqui é uma bosta, sou a primeira a dizer que não é bem assim, não. Coisas pequenininhas são maravilhosas. Sorvete. Andar na chuva. Rir. Conversar. Pintar o cabelo. Falar mal do calor de hoje (meu esporte preferido é falar mal do calor). Ouvir agorinha o Mozart. Bater perna.

A gente reclama de muitas coisas. Agora, se você pensar bem, não há tantos motivos assim pra reclamação. Quem sou eu para ter sorvete? Quem sou eu para ouvir uma piada e rir? Quem sou eu para receber o que há de bom? Viver é bom, embora às vezes a gente fique puta. Mas fica puta nem tanto com a vida, mas por causa das sacanagens que fazem com ela. Isso é de lascar. Não digo que a gente tem que ficar que nem hiponga deslumbrado com o pôr-do-sol. Lá em Ipanema tem gente que fica aplaudindo quando o sol se põe. Ieca! Digo que é só uma impressão sobre o que de bom acontece sem eu saber a razão de desfrutar de tanto.

Para quem agradeço? A quem eu posso dar um "valeu"? Já dá para imaginar a minha resposta, né?

A vida é estranha. Me sinto bem com ela (ou nela?), mas ao mesmo tempo meio que não sei se há motivo para tê-la. Não faço paradoxos. Não estou dizendo nas entrelinhas que no fundo tenho tendências suicidas. Sou boba demais para dizer alguma coisa nas entrelinhas. Prefiro dizer claro, no máximo em tom brincalhão. Mas para mim é fato. Agradeço, agradeço, mas no fundo tenho a sensação de que essas coisas boas no fundo não são minhas. De repente estou aqui (obrigado quem me colocou aqui!), brinco com tudo, mas nada é meu, embora eu goste. Mereço tanto? E ainda tem quem reclame de tudo! Wow! Como poderíamos querer mais, se não dá nem para saber se na verdade teríamos que ter o que temos? Como é que vou ficar querendo ter oito namorados, quando já é estranho que de repente apareça um que me ame?

Viver é bom. Mas as coisas ao nosso redor não são nossas. Nem dá para saber direito se a vida é nossa mesma. O meu filósofo de cabeceira dizia que a vida nos foi dada, mas não dada pronta. O como ela será fica por nossa própria conta e risco. E quanto risco! Quase às cegas, a gente projeta a nossa vida.

Pegando essa idéia, fico pensando no seguinte. E se na verdade a vida de cada um, como ela tem que ser, na verdade já estiver planejada na cuca de Deus, se é que Deus tem cuca? Ele podia pensar assim: Tanja será médica. Esse é o primeiro ponto. O segundo é a minha atitude. Embora Ele queira que eu seja médica, embora tudo em mim carregue uma médica em potencial, eu posso dizer outra coisa: não, não quero ser isso, vou ser manicure. Não serei o que eu deveria ser. Serei falsidade de mim mesma. Não estarei ouvindo a minha vocação. Só que há um terceiro ponto. É que Deus quer (eu acho) que sejamos algo não só no sentido profissional, mas pessoal. Tenho que ser uma pessoa bem desenvolvida. Ok, soa vago. Mas a vida é vaga, só dá para fazer aproximações. Tem mais. Não dá para saber até que ponto o que acontece comigo acontece com outro. A gente conhece tudo por analogias com o que se passa conosco. O que cada um tem que ser é problema entre cada um e Deus. Cada um paga a sua própria conta. Então há uma espécie de Tanja do mundo das idéias (by Platão) na mente divina (eu acho). E e eu aqui deveria me assemelhar na medida do possível a ela. As circunstâncias da vida podem ajudar ou atrapalhar. O que seremos no final das contas é o que deu mais ou menos para ser. Imagine um aluno tendo que fazer o dever de casa. Quando é aplicado, ele faz o dever direitinho. Quando é relaxado, faz tudo em cima das coxas. A nossa vida também tem um pouco disso. No dia do Juízo, (acho que) Deus, o Mestre acima de todos os mestres, irá pesar até que ponto fomos quem deveríamos ser, levando em consideração os prós e contras. Da mesma maneira que realmente às vezes o PC quebrou e não deu para imprimir nosso trabalho, Deus sabe bem das dificuldades e fraquezas de cada um. Se redimidos, lá no Paraíso a gente seria quem tinha que ser em toda a sua plenitude. Sem nada profissional. Não num sentido só formal. Só que aí eu já estaria falando de coisas que realmente nem imagino como seja.

Isso tudo dá um pouco de medo.

Ô digressão do cacete! E a confusão dessa minha cabecinha? Será que ficou claro o que estou dizendo? Digo o seguinte. A vida, se bem que boa, não é propriamente nossa. Isso não significa fazer tudo em cima das coxas. Acho errado mandar um foda-se para tudo. Também não é certo ficar enchendo o saco que nem velho rabugento. Talvez não fosse nem para a gente existir. mas o camarada de repente existe. Está vivo. É gente. Não sabe como nem por quê. E ainda fica se achando o rei da cocada preta? C'mon! Se existo, mesmo toda troncha, só por isso, por esse, hm, dado primário, tenho mais é que ser grata e achar tudo bom no final das coisas.

Conselho da Espectadora

Depois de ler tudo, dou uma dica. Esquece tudo o que está fazendo e vá ouvir o Concerto para Piano 23 do Mozart. Vai por mim, é o espírito desse texto.

Friday, November 24, 2006

Errata

No texto anterior, eu disse uma coisa errada. Comparei o ensimesmamento do Ortega ao fechamento da alma. O traseiro não tem nada a ver com os fundilhos.

Ensimesmar-se, segundo Ortega, é capacidade de todo homem de se instalar em seu mundo interior. O homem se livra das excitações do mundo e se coloca como que fora dele, entrando em contado com as idéias dentro de si mesmo. É o que faz o homem de saber, o poeta e todos os amigos da beleza e das idéias. Nós refletimos porque conseguimos, com muito esforço, recuar por um momento das circunstâncias ao nosso redor para pensar sobre elas. O bichinho, pelo contrário, não consegue. Ele está em constante excitação: tudo ao seu redor lhe toca, interfere em sua vida, não o deixa quieto. Quando nada lhe toca, dorme ou hiberna. Ele não tem vida interior, ou se tem é muito débil. Está em contante excitação por outra coisa que não a si mesmo. Como em latim outro é alter, Ortega diz que os bichinhos estão em permanente alteração, que é o contrário do ensimesmamento.

Antes que alguém pergunte, tudo isso está no primeiro capítulo do livro El hombre y la gente, capítulo este chamado... Ensimismamiento y Alteración. É muito, muito, muito legal. Acho que dá para encontrá-lo na net. Quando eu o achar, prometo que meto o link aqui no bloguinho.

Update, 01/01/2010: Ok, ok. Prometi um link para El hombre y la gente há anos. Demorei. Mas enfim cumpri! Ó pá!

Thursday, November 23, 2006

Inspiração

Weber dizia que as idéias de repente caem nas nossas cabeças, sem que tenhamos o menor controle sobre isso. Como a chuva que cai do céu, a inspiração é uma idéia que se desgarra de não sei onde e cai em nós, dando um alô. Podemos estar sentadinhos no sofá comendo Doritos, vendo algo idiota no Youtube,, e puft!, lá vem a idéia na cuca. Tem vezes que a gente quebra a cuca até não agüentar mais, e nada da preciosa dar o ar da graça. Não é por acaso que idéia é uma palavra feminina, porque todo mundo diz que somos caprichosas. A-ha!

O modo como as idéias se comportam é um negócio muito estranho. Como explicar a inspiração? Um dia você está passeando por aí e de repente PIMBA!, vem uma sacação danada. Lembra a paixão. Você anda por aí, vê a pessoa amada, e PIMBA!, toma a flechada do anjinho (a flecha do meu anjinho faz esse barulho).

Só sei de uma coisa. O espírito tem que estar aberto para captar a inspiração. Se o espírito estiver todo ensimesmado (by Ortega), não vai captar nada. Ouvi falar que Henri Bergson fazia uma distinção entre alma aberta e alma fechada parecidíssima com o que estou dizendo. Julián Marías dizia alguma coisa parecida também. Em nossas vidas, podemos ter duas posturas antagônicas diante das coisas: a de abertura e a de fechamento. Abertura: estarmos prontos para receber a própria realidade. Fechamento: estarmos encastelados em nós mesmos, fazendo da realidade palco de idéias preconcebidas. Marías dizia ainda que a escolha da postura tem reflexo na inteligência e na moral. Eu diria que o fundamental é amar a realidade e se deixar transportar por ela.

Se eu estiver mesmo certa, temos então de sempre agradecer quando surge uma inspiração. Ela não é criação nossa. Foi-nos dada como presente. Antes de escrever um tratado, os medievais e muçulmanos faziam uma prece em honra a Deus. Santo Anselmo, por exemplo, certa vez escreveu uma prece pedindo para que o Senhor o auxiliasse em suas investigações. Eles faziam isso porque sabiam que a inteligência deles era como a Lua e a inspiração enviada por Deus como raios do Sol. A Lua é um mundo frio e pálido que só adquire vida parcial quando iluminado pelo Sol, pois nem sempre ela está em posição de receber diretamente a luz dele. Sem a inspiração, parece que a mente pifa. Não é por acaso que quando não temos inspiração dizemos que não estamos num período fértil de idéias.

Nem sempre estamos prontos para receber a inspiração. Mas quando recebemos, que a gente sinta no fundo gratidão! Como eu poderia deixar de agradecer a Jesus Cristo por ter me dado inspiração para esse e outros textos? Ainda mais eu sendo tão troncha? Valeu, Cristo!

Update, 01/01/2010: Não deixa de ler a errata.

Wednesday, November 22, 2006

A burrice resolveu dar um tempo

Pois é: agora deram para trás na decisão de exigir diploma para quem quer ser jornalista. Ainda bem. No país onde todo mundo é dotô, todo mundo é iletrado.

Essa mania de exigir diploma de tudo aqui no Brasil provavelmente tem um tempero especial. Aqui há o culto ao formalismo, coisa oca e boba. As aparências contam muito. Se você andar com um livrão debaixo do braço, o pessoal vai achar você very smart. Se falar algum negócio em tom incisivo, tomarão o jeito pela verdade. Se tiver diploma, vira dotô. Para se fazer alguma coisa de útil para o país, tem de fundar partido e ser senador ou presidente. É tudo superficial pra cacete, tudo bobo.

Formalismo é falsidade. Prezar a aparência em detrimento do conteúdo é babaca demais. Pior é que quanto mais falso o camarada é, mais questão ele fará de impor contra si mesmo uma coisa que ele não é, desde que essa coisa impressione outro bobo. O adolescente inseguro vai externar atrevimento. O idiota vai vomitar sabedoria. Tudo o que fizer já virá condenado por sua própria boca. O erro, dizia Croce, não se condena pela boca do juiz, mas ex ore suo.

Voltando à exigência de diploma para jornalismo, a tentativa de limitá-lo a só quem seja formado certamente não cessará. É aquele tipo de ousadia que não aquieta até conseguir o que quer ou levar um bicão na bunda para nunca mais voltar a encher o saco. Sou favorável à segunda alternativa, porque só quando o pessoal que não tem diploma der umas senhoras cotoveladas nessa gente pomposa que adora abrir a boca para a questão do título universitário, tudo talvez acabe bem. Talvez alguém de fora cuspindo nesse povo seja até benéfico, já que deve ser mais difícil esperar mudança de atitude em que está já com o traseiro confortavelmente instalado na cátedra. Problemas de inércia, entende? Se algum sujeito der um belo pontapé no traseiro do catedrático, quem sabe as frescuras acabam?

Friday, November 17, 2006

Calor infernal mitigado pelo alemão inteligentão

Só aqui mesmo. Na mesma semana, um baita friozinho gostoso e um calor horrível de noite. Ou o maior tempo abafado. Para mim, isso é especialmente ruim, porque não agüento variações bruscas de temperatura. Fico logo mal. (*Iniciando contagem regressiva para o próximo resfriado...)

Nem tudo é drama. A cada dia tenho sido agraciada pela companhia de um alemão inteligentão. É da melhor estirpe. Venerável senhor e de humor fleumático (vide René Le Senne em Traité de caractérologie). Ele escrevia em latim e em francês galantes. Era diplomata e acostumado a ter contato com princesas. Estou falando de LEIBNIZ (Gottfried Wilhelm von).

Que cabeleira!, no melhor estilo séc. XVII.

Escrevi em caixa alta o nome do filósofo porque ele bem merecia o epíteto "o Grande", mesmo isso sendo coisa surrada. Não, não era grandão em tamanho, ou se era eu não sei, e ainda menos sei se o era em largura. Mas o era sem dúvida em inteligência. Se tornou principalmente célebre nas matemáticas (criou por exemplo o cálculo infinitesimal e os números binários) e em filosofia. Há quem diga até que foi um dos precursores da física indeterminista, já que não concordava nenhum pouco com a física mecanicista do contemporâneo Newton. Foi talvez o maior racionalista dos últimos 500 anos. O filósofo alemão se tornou conhecido em especial pelas considerações sobre a bondade e a perfeição da criação divina. (Curiosidade estilo rádio-relógio: os escolásticos distiguiam o criar, que era a "atualização" a partir do nada, ou seja, a obra por excelência de Deus, do fazer, que era a produção humana a partir da matéria.) O zé-ruela do Voltaire, não entendendo xongas do que Leibniz quis dizer a esse respeito, se inspirou nessa idéia em particular para criar seu Cândido, um sujeito que come o pão que o diabo amassou mas sempre acha que o mundo é uma coisa linda de morrer. Sobre Voltaire, já disse bem outro alemão ótimo, Goethe: "tem muita razão Madame Genlis quando protesta contra as liberdades e gracejos de Voltaire, pois, em boa verdade, por muito cheios de espírito que sejam, nenhuma melhoria trouxeram ao mundo e nada sobre tal fundamento se pode construir." Quem conhece não confia...

Ler Leibniz é enfrentar gente grande. Não é filosofia da pracinha ou para aparecer no palco. É coisa séria. Não é por exemplo que nem Nietzsche, que a gente lê no metrô e tem a impressão de já saber quase tudo o que ele disse, se bem que Leibniz escreveu muitas cartas em carruagens e talvez alguns dos escritos dele possam ser lidos na ida ao trabalho ou na fila do banco. Variação da explicação: você não precisa se elevar muito para entender Nietzsche. O máximo que precisa é ficar na pontinha do pé. Leibniz não. Você tem que realmente quebrar a cabeça. Não é que ele seja mal escritor. É que ele põe a gente para pensar. Parece até que ele diz assim: "Ja, ja, mein Freund. Se me ouvires, saberás coisas que nem imaginas. Mas tens de te esforçar. Verás então que eram coisas que te estavam na cara."

Esse filósofo é muito rigoroso. Tudo o que ele diz é desdobramento lógico, claro, concreto. Vai limpando terreno aos poucos. É técnico por vocação. Filosofia é coisa técnica mesmo. Essa vocação transparece também porque você pode perceber nas entrelinhas um papo com toda a tradição filosófica, sem excluir nem mesmo a escolástica (leia só Descartes e tente garimpar onde ele travou um papo com os medievais...). Os "modernos" - da época dele - são também alvo de discussão, afinal de contas o sábio, como dizia Aristóteles, parte sempre das opiniões em geral. Descartes, Newton, Hume, toda essa gente e mais um monte é colocada sob análise. Não é à toa que ele é dado às matemáticas. As matemáticas, o rigor técnico e a capacidade filosófica andavam juntinhas na cabeça de Leibniz. Não que ele fosse um pitagórico. É que a abstração metafísica podia ser exemplificada em algumas noções da matemática. Acho que Platão o convidaria para estudar na Academia sem o menor problema!

Nova methodus pro maximis et minimis, itemque tangentibus, quae nec fractas nec irrationales quantitates moratur, et singulare pro illis calculi genus. Primeira obra de Leibniz sobre cálculo diferencial (1604), todinho em latim.

Nenhum dos problemas clássicos da filosofia foram deixados de mão. A relação entre ente e essência, a formação do mundo, a imortalidade da alma, o bem e o mal, a liberdade, a existência, a contigência, a origem fundamental de todas as coisas... Temas eternos e que são sempre úteis. Um belo exemplo de capacidade de investigação foi o modo como encarou um dos problemas clássicos da filosofia, a conciliação entre a liberdade e a Providência, no pequeno texto Sobre a liberdade. Resolveu o problema de um jeito tão elegante quanto curto, o que faz lembrar uma dos lemas dele (que, a bem da verdade, não foi ele quem inventou): deve-se buscar o máximo efeito com o mínimo gasto. Parece um poema. Parece um lindo golpe. É a elegância aplicada à capacidade de investigação. Também escreveu sobre ética, política, religião... e por aí vai. Não escreveu nada em estilo corrido, em cima das coxas ou como mera sacação. Para dizer a verdade, todos os problemas fundamentais da filosofia tiveram alguma boa contribuição do velho sábio.

A Espectadora é leiga mas curiosa. (Se bem que o gatinho se deu mal por causa da curiosidade, tadinho.) Do que já foi lido, ela pode dizer uma coisa: é Aristóteles na Antigüidade, São Tomás na Idade Média e Leibniz na Idade Moderna. São altamente recomendáveis a Monadologia, Novos ensaios sobre o entendimento humano e Discurso de metafísica. Se um dia eu os ler direitinho, escreverei a respeito de cada um.

Leia o alemão. Você vai saber o que é mesmo filosofia e o que é encarar um filósofo de verdade mesmo, não esses zé-ruelas que estão na boca do povo. A briga é boa. Embora você vá apanhar, aprenderá mesmo.

Vai um selinho do Leibniz aí?

Dica: Há um site legal em português sobre Leibniz. É o Leibniz Brasil. Tem uma biografia e algumas das obras dele, além de links para diversas páginas a respeito.

Wednesday, November 15, 2006

A burrada ataca, contra-ataca e faz o diabo

Notícia: STJ: Jornalista deve ter diploma.

Justo. Num país onde há o maior número de professores per capita do mundo, onde se forma universitário a dar com pau, nada mais natural que outra profissão ser regulament... ops, profissionalizada. U-hu!

Que a justiça seja feita. Deve haver também faculdades de:

. Caixa (com especialização: de banco, de loja);
. Flanelinha;
. Barbearia;
. Garçom;
. Last, but not least, escrivinhador de blog;
. Etc.

Ooouutra coisa. Ninguém pára para pensar nas conseqüências de um jornalismo regulament... profissionalizado. Raciocina comigo, cambada: jornalista tem que ser formado em universidade; universidade pública é sempre considerada the most beautiful thing; ela é do governo. Então... Sem contar com o velhíssimo corporativismo bom de cada brasileiro e brasileira desse país grandão de meu Deus. Tacada dupla, né? Dois coelhos com uma cajadada. A profissão vai se tornando um feudo de certos senhores distintos sob o beneplácito do Estado-rei. E a galera vai ao delírio pensando em liberdade e em aperfeiçoamento da profissão, ó pá!

Confusão: trabalho e amadurecimento

Temos como uma das nossas características o querer. É a vontade. Buscamos os meios para que a gente se satisfaça. Os meios são os corpos, as coisas, que estão à nossa disposição. Sempre o querer é dirigido a um fim predeterminado, e a utilização dos meios à nossa disposição implica em esforço na realização do nosso objetivo. E, é claro, a gente precisa dirigir nossos esforços de modo positivo para conseguir o que quereremos. Então tudo isso que chamo de vontade pode ser reduzido a pelo menos quatro notas: a escolha, a intenção, a vontade mesma e o esforço de fato.

Quando a gente fica grande, vai se tornando cada vez mais independente. Não apenas dos nossos pais, mas de quem quer que seja, na medida do possível. A independência, no sentido de amadurecimento da pessoa, é a capacidade de satisfazer por si a vontade. Essa é a lógica da importância do trabalho. Você trabalha para adquirir, com suas próprias forças, aquilo que deseja.

Mas a capacidade de satisfazer a própria vontade não é, de jeito nenhum, a única etapa do amadurecimento pessoal. É um dos primeiros. É verdade e mentira que o trabalho transforma a pessoa de criança em adulto. Verdade: como já disse, ajuda na independência como amadurecimento pessoal. Mentira: é apenas parte do processo de formação.

Não acho muito complicado entender o que estou dizendo. Um cara pode trabalhar muito mas ser um babaca. Lá no trabalho, até que pode ser responsável, mas pode muito bem ser também irresponsável nas relações amorosas, nas opiniões dadas e tal.

As pessoas geralmente têm uma opinião parcial sobre o amadurecimento. Talvez porque o trabalho seja uma das manifestações mais visíveis da ação do sujeito. Talvez porque seja mais difícil do que parece haver uma pessoa realmente, integralmente madura.

É fácil perceber o problema do amadurecimento parcial. Muito cara crescido simplesmente se tornou uma criança grande. A diferença entre o adulto "mal formado" e a criança é que esta não tem como aquirir por si o que deseja, enquanto o adulto tem os meios. Isso chega a ser perigoso. Crescer também implica em saber dirigir a vontade conforme a verdade. De certa forma, é um controle do desejo para que seja possível se saciar na verdade. Vou dizer de outro jeito. A vontade disciplinada dá como recompensa o mergulho na verdade. Você abdica de certas desordens próprias da sua vida desordenada para ser ordenado pela realidade. Minha gatinha Petruschka é fofa, mas ela não apreende a realidade porque vive só de desejo em desejo. Eu, embora palerma, tenho a capacidade de apreendê-la. Eu posso dirigir a minha vida para a verdade, a Petruschka não. O adulto "mal formado" não consegue dirigir assim a própria vida porque é imaturo. Não consegue abandonar a si mesmo para querer a verdade. É um querer se dirige apenas para si mesmo. Todos os meios que estão à disposição servem para a satisfação mais imediata. Quem está no comando são as vontades mais imediatas. É o corpo quem manda! Vive que nem a minha gatinha, com a desvantagem de não ser fofa que nem ela. É mesmo uma criançona no mundo. O mundo é um enorme playground. Vive como neném mimado.

Dá para forçar um link entre o que estou dizendo e a educação. Um dos problemas da nossa educação é que ela dá meios de estudo para sujeitos que não estão nem estarão nunca amadurecidos para o ofício. O estudo vira só confirmação presunçosa de preconceitos e cacoetes juvenis (os ateus geralmente são mestres nesse tipo de puerícia!). Às vezes calha de o sujeito ter uma pletora de conhecimentos para só utilizá-los em objetivos mesquinhos. Contraditório, né? Mas é o que fazem todos os dias.

Só para concluir, eu diria que o trabalho e o estudo, desacompanhados da formação das outras partes da nossa personalidade, acabam trazendo mais mal que bem. Da mesma forma que o trabalho fornecerá os meios para que o sujeito satisfaça desejos pueris (e isso será conseguido várias vezes às custas das outras pessoas, que serão apenas "meios" para algum objetivo), o estudo fornecerá os meios para que ele satisfaça seus preconceitos juvenis e o amor-próprio, às custas da verdade, da realidade.

Tuesday, November 14, 2006

Brasileiro é aproveitador e dinheirista

Esse blog vai virar neste post um daqueles blogs onde a pessoa escreve sobre a vidinha dela. Mas é temporário. No final, a moral da história.

A CONVERSA

Tive um papo muito revelador com meu pai.

Quando estávamos para sair do escritório dele, ele me veio com essa:

- Filha, tô gostando de ver você...

- Por quê?

- Porque enfim você está tomando tenência.

Por um momento considerei o que ele disse como um elogio. Depois fiquei pensando: "Mas o que é que ele quer dizer com 'tomando tenência'"? Do elogio veio a dúvida, a pergunta, e eis a resposta:

- Porque estou vendo que você está crescendo mesmo, ficando madura, parando com aquelas bobagens de escrever e mudar o mundo.

Como assim?! Como assim?! Mudar o mundo? Escrever?

Por partes: é verdade que eu já pensei em mudar o mundo. Eu planejava entrar na faculdade e contribuir para a "destruição do sistema". Minhas atividades subversivas começariam no meio cultural. Eu seria uma agitadora cultural. No jargão, agitprop. Como sempre gostei de escrever, achava que poderia de algum jeito unir o útil ao agradável. Até uma vez escrevi a letra de uma música para uma banda de amigos meus cujo título era Ditadura de Veludo. Essa "ditadura" consistia em nos obrigar a ser burros e consumistas, enquanto neguinho cagava na nossa cabeça, lá de cima do poder. Um dia vou colocar aqui no blog a letra para apresentar o que eu (supostamente) pensava. Isso tudo, é claro, ficou na cabeça do meu pai. Ele devia me achar uma trouxa. Tinha razão. Tudo bobagem. Mas escrever... Isso aí já é sacanagem. Escrever não é uma bobagem. Pelo contrário. Fiquei ainda mais admirada pelo fato do meu pai ser advogado. Porra, como justamente ele poderia dizer uma coisa dessas? Foi aí que eu disse:

- Pai, concordo que só quem é um bebezão pensa em mudar o mundo, mas escrever não é uma bobagem. Eu gosto disso.

- Até faz bem ter um sonho, minha filha. Escrever pode ser bom. Mas como você vai ganhar dinheiro com isso?

- E eu lá sei? Eu nunca nem pensei em ganhar dinheiro com isso. O que achei esquisito foi você dizer que escrever é bobagem. Eu acho que é uma coisa séria.

- Ainda bem que você não pensa em ganhar dinheiro com isso. Fico preocupado com você porque você é cheia desses idealismos que não levam a lugar algum. Idealismo é bom se você tem dinheiro no bolso.

- Que idealismo?

- Essas histórias de não fazer faculdade para não se corromper, não querer emprego público... Isso é bobagem. Quando eu era novo eu também era cheio dessas coisas. Olha que sou do tempo da ditadura! Sei o que é lutar pela liberdade. (Um comentário sobre meu pai: ele é esquerdista chique, daqueles que dizem com orgulho que são de esquerda, embora a sua própria vida não tenha nada de esquerdista, se é que algum esquerdista viva mesmo conforme o que prega. Já cansei de dizer isso para ele, mas enfim.)

- Prefiro me ferrar toda...

- Você diz isso porque tem a mim e a sua mãe para bancar você. Agora é fácil dizer isso.

- Tenho porque realmente não posso me bancar. Não tenho agora como. Mas não é por isso. Quero fazer o que gosto sem ter que sacrificar minha vocação. Gosto de ajudar você no escritório e tal, mas para mim é mais uma distração. Eu não quero virar secretária mesmo. Se fosse para virar uma, só se fosse uma coisa temporária, que não me prendesse a algo que não tenha nada a ver comigo.

- Se você passasse num concurso público, você ia ter estabilidade e poderia depois pensar no que iria fazer. Não é melhor ter idealismo com dinheiro no bolso e sossegada?

- Qual a diferença? Se eu vou largar mesmo o emprego público para cair na tal instabilidade, por que vou perder meu tempo num negócio desses? Pai, conta outra, isso é isca. Eu sei que um monte de gente cai nisso, mas eu não. Para mim, isso é se iludir. O cara pensa que vai conseguir a tal estabilidade nesse emprego para depois partir para o que gosta. Duvido. Vai ficar ali mesmo. Se engana. Quem é que vai largar o bem-bom pela confusão? E depois que tiver família? Não que eu vá ter uma...

- Por que não?

- Só estou mencionando, não sei se terei. Mas então, vai que eu tenha uma justamente durante o bem-bom? E para eu me mandar, como vai ser? Não vai ter como. Vou ter que ficar nisso, vegetando. Agora eu tenho opção...

- Que opção? Você não se preparou para nada, não tem curso superior, tem 24 anos e nunca trabalhou. [Nota: aqui ele se refere a emprego com carteira assinada.] Já viu o tamanho das filas para procurar emprego? Você nem sabe o que quer...

- Eu sei o que não quero. É mais fácil saber o que não se quer.

- Isso é filosofia barata de quem não tem o que fazer. Eu estava achando que você finalmente havia mudado um pouco. Mas essa sua cabecinha dura não mudou nada. Sabe a razão de eu ter pedido para você me ajudar? Você acha que eu realmente preciso de ajuda? Não, eu posso me virar. Eu queria que você experimentasse um pouco a sensação do trabalho, sentir o gostinho de ganhar o seu dinheiro depois de um mês na labuta. Ser independente...

- Isso não é ser independente. Me desculpa, mas você finge que me paga salário e eu finjo que trabalho. Não sou mesmo a sua empregada, secretária...

- Que seja, que seja... Eu queria... Quero que você se acostume com a vida real, minha filha. Sei que você vai dizer que não é real isso que estou passando para você. Mas é um estágio. É que nem a mamãe-passarinho ensinando o filhote a voar, minha filha. Estou dando pra você o senso de responsabilidade para você partir para a luta.

- Mas não estou falando disso. Já disse que gosto desse esquema. Por mim, ok. O que estou dizendo é que você não leva a sério uma coisa séria só porque não dá dinheiro ou conforto. Não é só por isso que eu deveria fazer outra coisa.

- Você não está me entendendo. Eu não disse que não é sério...

- Me desculpa, mas você disse sim que escrever é uma bobagem.

- Mas não foi nesse sentido que você entendeu. Eu quis dizer que ganhar dinheiro com isso não é uma boa idéia. Como você vai se sustentar fazendo isso?

- Quem disse que eu quero trabalhar com isso?

- Ah, pelo que você está dizendo eu...

- O que estou dizendo é que pegar emprego para ter conforto e cagar para o resto eu não pego.

- Já disse que não é assim.

- Pai, deixa disso. É armadilha sim, nem vem. Prefiro me foder toda a ficar assim.

- Você tem noção de como trabalho para você ficar desse jeito? Enquanto me mato, você fica com esses devaneios. Diz isso porque não tem mesmo responsabilidade alguma.

- Ah, agora virei a irresponsável! Onde estava o orgulho por mim? É tudo conversa fiada! Você quer bancar o advogado para mim, cheio das suas argumentações e tal para levar a causa, mas sabendo que é tudo bullshit. [Nota: Meu pai DETESTA quando uso esse tom, mas a essa altura eu já estava ficando puta com a conversa-circular.]

- Olha aqui, garota, mais respeito porque ainda sou seu pai! Não admito esse tipo de postura para cima de mim! A única pessoa que tem a perder com essa postura agressiva é você!

- Você diz que o que eu realmente gosto é bobagem, que não vale nada, e eu que estou sendo agressiva? Ah, pára com isso...

- Chega desse assunto! Seu problema é que é muito mimada! Bem que a sua tia sempre me dizia que eu estava criando um bebezão. [Nota: Sempre quando discuto com meu pai e ele se sente ofendido, ele tira isso do baú, essa história da minha tia. Isso porque quando eu tinha uns 6 anos, ela achava que eu estava sendo muito mimada e quando crescesse iria virar um "bebezão".]

- Ah pai...

- "Ah pai, ah pai..." Já vi que vou ter que te carregar nas costas até você aprender o que é a vida.

- Tá bom...

- Isso, fique assim mesmo, cheia de sarcasmos. Aproveita enquanto há tempo. Agora chega desse assunto, estou cansado. Quero relaxar.

Essa conversa foi durante toda a volta para casa. Não trocamos um "ai" depois. Ambos quietos.

MORAL BEM GRANDONA DA HISTÓRIA

Por que resolvi "transcrever" a conversa? Porque achei típica. Não típica só do meu pai, mas das pessoas deste país em geral. As pessoas acham que vocação e talento são bobagens, que o que importa é ganhar dinheiro. Ganhar dinheiro sem muita possiblidade de ser demitido. Para mim, esse negócio de desemprego é só uma desculpa para as pessoas correrem para emprego público. Se não fosse o desemprego, seria outra coisa. Se não é emprego público, é alguma outra merda que pague bem. É tudo álibi, desculpa para a pequenez espiritual. Crescer para gente assim é sacrificar a vocação no altar do conforto. Crescer é virar um anão espiritual. O pior de tudo é que sentem orgulho disso. Lambem as bolas de quem quer que seja só pelo conforto. Olha o caso desse presidente imbecil que temos. As pessoas ao redor dele, sabendo que ele é um idiota, preferem puxar o saco dele. Gostam até de quando ele os xinga! Puta que pariu, é o fim do mundo! Ninguém nesse cacete tem a coragem de dizer que o rei está nu?

Em vez de haver um crescimento da personalidade do sujeito, o cara, nesse afã de dinheiro, se rebaixa. Chega a ser considerado honroso levar cusparada na cara de alguém considerado poderoso. Em todo emprego, talvez a pessoa tenha que engolir vez ou outra sapo, mas aqui as pessoas acham normal e até saudável se alimentar de sapo day by day. Sabe o resultado disso? É ter uma quantidade pavorosa de caras sem a menor vocação trabalhando em algo que no fundo eles não queriam. Conclusão: monte de gente trabalhando mal. Alguém tem vocação para, sei lá, fiscal do IBAMA? Claro que não. Quando trabalhar nisso, vai com má vontade. Todo mundo está careca de saber como os funcionários públicos tratam mal as pessoas. É principalmente por isso. Imagine então o que acontecerá naqueles empregos importantes, tipo oficial das Forças Armadas. É preciso que haja heróis no Exército. Mas acaba havendo um monte de oportunista barato. Na hora do "vamos ver", para onde essa gente vai? Vai para onde for mais cômodo. O mesmo no caso da medicina e da advocacia. Serão médicos oportunistas e advogados da ocasião, sem vocação.

Só que tem mais, ou, como diriam nesses comerciais de televendas, "e não é só isso". Um ambiente desse tipo está lotado de falsidade. Ninguém é realmente aquilo que se apresenta, ninguém realmente quer aquilo que faz. Tudo é forçado, tudo é aparência. Quando surge alguém para falar mal de tudo isso, as pessoas, com medo de serem desmascaradas, caçam o pobre diabo com fúria sem precedentes!

As pessoas fazem um pacto tácito aqui no Brasil para castrarem-se uns aos outros. Pior que ficam contentes!

Esse país é uma merda mesmo. É difícil sobreviver nisso aqui. E olha que nem estou falando da violência, porque dizem que mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano, o que dá quase duas Guerras do Iraque por ano. (A comparação é do Olavo, pegando as estatísticas do SUS.) O único modo de sobreviver é meter o cotovelo na fuça dos outros. Conforme a opinião geral, é bom se prostituir. É por isso que o que não falta é puta e puto. Nada contra quem realmente seja. Por mim, pode dar para e comer quem quiser. O que não pode é meter pau na própria consciência e na verdade. Pior, obrigando os outros a fazer a mesma coisa!

Sei que parece conversa de adolescente. Não é. Isso é sério.

Sunday, November 12, 2006

Friozinho gostoso o de hoje!

Fazendo frio aqui na cidade. O que me leva a pensar numa coisa. Na Europa neva. O pessoal acaba tendo que ficar trancafiado em casa. Mesmo quando não neva, geralmente faz um friozinho. Antigamente não havia TV. As cidades também não eram tão grandes. Será que essa é uma explicação acessória para os europeus terem se dedicado tanto aos estudos? Ok, a Sibéria então era para ser o paraíso dos brainy boys. A Rússia sempre foi considerada meio que o subúrbio da zoropa. Mas não consigo deixar de pensar nisso. Quanta distração a gente tem, nossa! E o calor atrapalha... Agora não é tão ruim, há ventilador e ar-condicionado. E antes? Beleza, o Egito também não devia ser friozinho e foi lá que a geometria começou a balbuciar. Atenas também não é nenhuma Londres.

Ainda assim, o clima deve ajudar. E falta de distração também.

Uma coisa é verdade. Tirando o clima e tal, onde houver naturalmente moleza de vida as coisas tendem a não ir para a frente. Quer dizer, onde houver uma preocupação com o simples conforto, não vai haver desenvolvimento profundo. A investigação filosófica começa sempre onde houver um problema grave. Quem é que vai querer se deparar com uma coisa dessas se apenas está a fim de sombra e água fresca?

Oh, crap... São pensamentos soltos de quem não tem o que fazer.

Saturday, November 04, 2006

Pucca é um desenho fofo

Vou falar rapidinho de um desenho que adoro. Se chama Pucca Funny Love.

Pucca é um desenho que passa no canal Jetrix. É um dos mais fofinhos que existem hoje em dia, tanto pelas histórias quanto pelo traço. Surgiu na Coréia. Mas uma coisa tão legal assim rapidinho teria de se espalhar pelo mundo. Foi o que aconteceu.

O traço é todo feito em computador em flash. É todo simplisinho, os personagens redondinhos, cabeça grande, lembrando meio que de longe South Park. Lembre-se: "de longe". Já a historinha é muito fofa. Pucca é uma menina de 10 anos e filha do dono do restaurante. Ajuda muito o pai. Mas prefere tascar beijos em Garu, sua paixão. Ele é um ninja de 12 anos e (quase sempre) não gosta nenhum pouco dela. Só quer saber de treinar ou de enfrentar inimigos, como Tobe, que lhe inveja e faz de tudo para atormentá-lo. Mas Pucca é uma menina que sabe-se lá como é muito mais habilidosa e forte que todos os personagens juntos. Tobe morre de medo dela. Quase sempre Garu também foge dela, mas ela no fim acaba o pegando e enchendo-o de beijos, deixando-o fulo da vida.

Às vezes aparecem outros personagens. Tem o Abiyo, que é amigo e ao mesmo tempo rival de Garu e que parece o Bruce Lee versão criança. Ele é meio esquentado. Quando vai lutar, várias vezes arranca a camisa. Ele tem uma admiradora, a Ching, amiga de Pucca e que tem uma galinha que sempre solta ovos quando toma susto. Existe ainda o Santa Claus. Yeah, ele mesmo. Ele é apenas um personagem cômico, quase um faz-tudo do desenho. Em um ele era um dj, em outro um locutor e por aí vai.

Os episódios são sempre curtinhos. Passam às 21h.

Thursday, November 02, 2006

A ilusão é a realidade

A literatura é boa porque é tudo mentirinha. A mentirinha é a realidade mais essencial, e a realidade do dia-a-dia geralmente é a mentirinha mais radical.

Uma vez li num blog por aí que tem gente que parece um personagem inverossímil. Concordo! Muita gente, caso se tornasse personagem de um conto, pareceria mal feita, bisonha, falsa.

A gente é feito de ilusão. Ok, a frase é manjada, mas é verdadeira. A ilusão explica tudo. Se você retira da vida a ilusão, o mundo vira uma coisa sem sentido. Existe quem acha isso um passo para a vida adulta. Não acho. Fazer isso é virar pedra. Ela é o ser mais sem ilusão do mundo. Simplesmente está ali e jamais imagina coisa alguma. É batida de um lado e do outro pelo vento ou pela água. Não cria nada porque é estéril. Sua aparência compacta e simples se dá às custas de não ter vida nenhuma. Quem joga fora a ilusão vira um mineral. Quem a joga fora se torna um castrado.

Bernanos dizia que um mendigo não precisa de pão. Precisa de uma ilusão. Eu diria que se você der a ilusão a ele, em seguida ele vai se levantar e vai conseguir o próprio pão. Ele virou o que virou porque se tornou mais realista, e como mais realista ele apenas vive com pouco menos do necessário. Se bem que há pessoas que têm trabalho e tal, mas a cabeça é de pedinte.

É por tudo isso que eu disse que a ilusão é a realidade mais essencial. Ela é a pedra angular da vida, ou melhor, da boa vida. Ela é seiva da vida. Sem ela, tudo seca.

Vambora xingar enquanto há tempo

Vamos aproveitar o tempo que nos resta para falar mal de quem merece, porque ninguém sabe até quando vai durar a democracia. Lula, vá para a puta que te pariu! PT, vá para a puta que te pariu! Comunas, vão para a puta que vos pariu!

Educação ad ignorantiam

Nossa educação é podre porque deseduca. Já viram um jovem virar velho em apenas três ou quatro aninhos? Pois é, a nossa educação consegue a proeza.

O pior jovem é aquele que tem a cabeça de um velho, isto é, cabeça-dura. A falta de conhecimento é inversamente proporcional a sua teimosia.

A educação consiste em transformar a galera em expert no argumento ad ignorantiam (*latim, ui!). É o famoso sujeito que quando pensa só enxerga o próprio umbiguinho. Se ele não sabe o assunto, então o assunto não existe. Soma na conta aí, garçom, a presunção juvenil e pimba!, haverá legião de jovens bobos se achando porque não sabem porra nenhuma.