Sunday, October 29, 2006

Upgrade e suruba

Coloquei um marcador de estatística aqui. Nem estou curiosa para saber quantas pessoas vêm para cá, porque esse blog aqui nem é muito conhecido. Não quero um Maracanã de público. Estou curiosa para saber que tipo de doido termina nessa budega aqui. Pelo menos doido que não conheço.

Enquanto eu estava para escrever esse avisinho, eu passava ao mesmo tempo de canal e aí topei com uma tremenda suruba no Max Prime. Sem metáfora. Era uma casa cheia de gente querendo transar entre si. O pessoal se separava do(a) namorado(a)/esposo(a) e ia caçando neguinho(a). Quando o casal era inexperiente, ficava junto. A casa era enorme, acho que de um dos casais "surubeiros". Teve uma hora que um casal estava transando no jardim com um monte de gente ao redor.

Fiquei vendo aquilo admirada, porque eu nunca tinha pensando que ia passar uma suruba assim na TV. Max Prime não é canal de sacanagem. Parece que se passa da meia-noite, ninguém é mais de ninguém.

Achei engraçado ver um casal no final teorizando sobre a noite. Sem exagero, parecia analista político.

A Espectadora gosta do que as pessoas fazem e não hesita em comentar até mesmo essas coisas. Foi curioso ter sentido que todo mundo se achava "mudernoso". A galera achava mesmo que estava fazendo uma coisa ousada. Só que a Espectadora já percebeu que tudo que chamam de "mudernoso" é na verdade velho. Como a suruba. Dá para imaginar coisa mais antiga e primitiva que isso? É como fazer festa em cemitério. Isso é a coisa mais arcaica e démodé. Lá na Renascença já havia quem a fizesse (talvez suruba também). Essa galera está fora de moda.

Do ponto de vista estético, a feiúra do povo da suruba foi fogo. Que nem quem vai para praia de nudismo (olha aí outra coisa "mudernosa"!). Sempre tem gente caída e gordinha. Me diz qual é a graça de ficar com quem você nunca viu e que é todo carcomido? Eu hein. Fora que essa necessidade de muita gente ao redor para coisas íntimas é bem sintomática dos nossos tempos de homem-massa. O homem-médio tem de ter sempre alguém por perto.

Depois passou um filme que nem aqueles que passavam na Band no sábado. Pelo menos havia gente bonita, mas era muito chato. Até porque sexo é muito repetitivo. Não dá para fazer história boa tendo-o como tema. Até as cenas de sexo eram mal feitas. Se forem escrever de um jeito mais sério, como por exemplo história de pulação de cerca, acho que não sairá muito do estilo chatérrimo de "O Amante de Lady Chatterley". Comprei achando que seria um livro chuchu-beleza (a capa dizia que foi um escândalo quando publicado e tal), mas era um porre. Tomei engove e li até o fim. Passou esse ano o filme (parecia ser da década de 70), melhor que o livro só porque leva menos tempo para acabar. Acho que a única história envolvendo sexo legal é a daquele cara que trái a esposa com uma ninfeta ninfomaníaca mas que depois enjoa e volta para a esposa.

Agora, um fim gnóstico para o texto. Basilides (acho que) dizia que para um cara ser santo primeiro tinha que descarregar tudo o que tinha de mais animal. Falando de um jeito prático, se ele saísse por aí transando, comendo, não teria mais vontade de nada e aí poderia partir para a santidade. Esse cara era bem idiota. Não foi aleatório que levou o merecido pé na bunda da História. Esses impulsos não acabam. Você tem que conviver com eles e saber dominá-los de um jeito ou de outro.

Ah, por sinal hoje é dia de escolher quem vai ferrar a nossa bundinha nesses próximos quatro anos. O jeito é colocar um cinto de castidade e votar no menos pior.

Thursday, October 26, 2006

Dez aspectos de como o intelectual médio brasileiro raciocina (mas têm vários outros!)

I - Troca fato por intenção

A gente diz um fato. O ouvinte entende como expressão subjetiva. É esse o jeitinho mais característico do brasileiro metido a sabichão. Por exemplo, você diz que, segundo o atual conhecimento sobre Inquisição, o número de mortos certamente é muito mais baixo do que antes se dizia. O ouvinte então acha que você está manifestando simpatia pela Igreja. Não, burro, estou mencionando um fato. Isso leva ao problema nº02.

II - Busca motivação oculta na fala do adversário

Digo que a esquerda é malvada porque defende um regime que matou mais de cem milhões de pessoas. O ouvinte, esquecendo o que eu disse, passa a desconfiar das razões que me fizeram dizer o que eu disse. Se escrevo num jornal, acha que sou agente da CIA. Se tenho dinheiro, digo em prol de alguma organização. Se sou apenas uma palerma que escreve em blogs, acha que uso pseudônimo. Na "melhor" das hipóteses, buscarão um motivo psquiátrico para eu dizer o que eu disse: "ela é mal comida", "ela é frustrada", "ela é neurótica"...

Outro exemplo. Se digo que não gosto de Renovação Carismática porque é uma zona, vão pensar que sou da Opus Dei ("Opus Day", conforme li um dia...), TFP ou o raio que o parta. Se falo mal da Opus Dei, vão achar que sou herética, portanto de algum grupelho. Aì vão me enquadrar como membro do grupelho e descer a lenha em mim. "Guelfo para gibelino, gibelinos para guelfos".

III - Não consegue estabelecer nexos causais, ou, em outras palavras, não sabe a relação entre causa e efeito

Explicar uma coisa é conhecer pela causa. Legal, Aristóteles já dizia isso. Isso quer dizer que você, quando vai conhecer, parte do que é próximo para o que é mais distante. Ok, ficou filósofico e abstrato demais. Vamos tentar de outro jeito. Para conhecer alguma coisa, você parte do dado em direção à causa do dado. Quando você vai explicar, faz o caminho contrário: parte da causa para o dado. Você sabe fazer esse vai-e-vem porque domina as causas do dado como o próprio dado. Então se você for explicar como se faz uma conta, você tem de dominar os fundamentos da aritmética e, a partir daí, pode aplicar essas propriedades na resolução da conta. O cara que melhor explica é aquele que tem mais conhecimento das causas do que está dizendo.

Se você não consegue fazer esse vai-e-vem, que é trabalho da inteligência, você nunca vai entender porcaria nenhuma, por mais que expliquem. Por quê? Porque você não consegue estabelecer nexos causais entre os dados. Como não entende as relações entre as coisas, tudo vai parecer uma confusão do cacete.

O brasileiro tem uma dificuldade enorme de estabelecer nexos causais. Ele não consegue acompanhar um raciocínio. Geralmente isso se dá porque ele tem na cabeça um pré-raciocínio que embaça a inteligência. Um exemplo. Você aponta um dado: tudo que é país onde as pessoas tem conforto material é liberal de um jeito ou de outro, enquanto os mais ferrados (incluindo o nosso) são aqueles cujo Estado tem maior controle sobre a economia. O que você conclui normalmente? Se você tiver um pouquinho de inteligência, vai concluir que a liberdade de mercado está deve estar relacionada à qualidade de vida da população. Então onde houver mais liberalismo, mais o pessoal vai viver bem. Onde o governo mais paparicar o povão, mais o povão vai se ferrar. Mas o brasileiro não acha isso. Acha esquisito, porque, segundo a sua cabeça, o Estado serve para o povo, então se não houver muita presença estatal, o povo estará ferrado. Você torna a mostrar gentilmente, por caridade, que os dados desmentem isso. O brasileiro continua teimando, porque não vê nexo causal entre uma coisa e outra devido à crença na bondade do Estado. Mesmo que você diga que aqui no Brasil não falta exemplo de como neguinho dá golpe com dinheiro público, ele vai insistir naquele pré-raciocínio. Quer dizer, se burrifica.

Se você diz para o brasileiro (lembre-se que estou sempre me referindo ao intelectual médio) que foi a Igreja que deu um pé na bunda dos pedófilos, e que portanto a Igreja está ligada ao combate à pedofilia, e que destruir o Cristianismo é fomentar a pedofilia, o brasileiro não perceberá igualmente nexo causal nenhum, porque ouviu falar de padre pedófilo. Se você disser que há padres pedófilos justamente porque o Cristianismo tem se tornado frouxo no mundo, ele não vai entender direito. Se você disser, também, que a relação entre pedofilia e homossexualismo é direta, e que a Igreja é contra essas duas coisas, e que só pode haver padre pedófilo por causa da destruição do Cristianismo, o brasileiro não conseguirá acompanhar o raciocínio. Ele vai é usar o artifício I e II que eu citei, achando que você é uma defensora imbecil do Cristianismo, uma pessoa cheia de problemas mal resolvidos ou que nada disso é ancorado em fatos, mesmo quando eles saltam aos olhos.

IV - Raciocínio abstrato

O intelectual médio brasileiro não raciocina sobre fatos. Ele raciocina sobre o encantador mundo das idéias que ele construiu. O mais comum é chegar para o esquerdóide e dizer que o comunismo não presta e que o capitalismo é amazing, apontando o simples fato de todos os países socialistas serem umas merdas e todos os capitalistas serem legais. Mas não, não pode ser! Por que não? Porque na cuca do esquerdóide, o comunismo é no fundo excelente e todo mundo tem que se dar bem nele, enquanto o capitalismo é exploração e malvado no fundo, e todo mundo tem é que se foder nele. Aí ele vai negar o dado e passará a defender a abstração, mandando para o rabo do judas o primeiro e se apegando fanaticamente ao segundo. Conseqüências práticas? Onde houver um país capitalista muito bom, ele vai achar sempre que na verdade é um país no mínimo escroto, fazendo cobranças monstruosas a respeito de moralidade, bondade etc. Onde houver um país socialista muito babaca, ele vai achar sempre que na verdade é um país no fundo bom, e vai amenizar todos os defeitos possíveis, tratando-o a pão-de-ló.

Sobre a Igreja, é melhor nem dar exemplos. Melhor dizendo, vou dar um. De novo, a Inquisição. Segundo o esquemão vagabundo, Igreja=ignorância, Ciência= a Verdade, com V mesmo. Então qualquer um que foi condenado pela Inquisição foi condenado por gente ignorante. Pior ainda se o culpado for um cientista. Aí, segundo o esquemão, Galileu foi a vítima da Igreja malvada. Legal, mas Galileu foi "vítima" sabe como, ô burro? Pediram primeiro para ele não dizer o que dizia, já que não tinha como sustentar suas idéias. Como teimou, foi obrigado a desdizer-se. O que ele dizia e que teve de desdizer? Que a Terra girava em torno do Sol, não o contrário. Oh, escândalo! Galileu estava correto? Não, nem hoje nem naquela época. Quando pediram a Galileu que provasse o que estava dizendo, eis o que o sábio respondeu: "Sinto que estou com a verdade." Bom, se eu fosse a professora de Galileu e pedisse para que justificasse uma questão qualquer, e ele me respondesse isso, eu daria zero. Por que os padres não podiam pedir a mesma coisa? "Sinto...", hmpf. Só em fins do séc. XIX, com a famosa experiência do pêndulo de Foucault, é que descobriram realmente que a Terra tinha um movimento diurno. Mas antes que um espertinho diga "a-ha, Galileu wins, Church sucks", há três coisinhas para se entender:

1) Ciência não é chutômetro. Anaximandro dizia que os seres evoluíam, e que a vida começou no mar. Mas cadê as evidências e a teoria explicativa?

2) Em si, a experiência não comprova que é a Terra que gira em torno do Sol.

3) Com Newton, por que usar o Sol como referencial de movimento? Ele não está parado absolutamente. Do ponto de vista do referencial, é tão certo dizer que o Sol gira em torno da Terra como o contrário. Na verdade, pelo fato de estarmos aqui nesse mundinho e não no Sol, é esquisito usarmos justamente o último como referencial.

O problema entre Igreja e Galileu não é o problema entre ciência e religião. A questão era outra. O cientista nunca viu a coisa por esse lado. Ele tentou de um jeito muito afoito destruir a cosmologia que a própria ciência montou e que tinha mais de mil anos. Mas ele não tinha muita evidência. Sujeito vaidoso que só, porque conhecia bem a cuca que tinha, quis teimar quando não tinha meios para defender o que dizia. Acabou entrando em polêmica amarga. É verdade que houve quem usasse argumentos tirados da Bíblia para demonstrar que a Terra não podia estar em movimento. Mas eram cientistas que faziam uso dessa autoridade. Usavam também Aristóteles para defender essa mesma idéia. Além do mais, como eu acabei de dizer, não foi a religião mas a ciência que, segundo os conhecimentos até então, considerava que a Terra estava parada. Era coisa de senso comum.

A minha intenção aqui não é destrinchar o caso Galileu, mas apontar como o brasileiro raciocina. Simbora para outra questão.

V - Projeta seus próprios anseios nas idéias do adversário

Essa idéia aqui é típica da má leitura. O camarada lê um texto e, ao invés de entender o que o autor quis dizer, ele começa a projetar suas próprias idéias no texto para, só a partir daí, começar a interpretá-lo. Parece Narciso. O cara lê o que quer ler e descarta o que não quer. Um amigo meu me contou que durante uma aula, após leitura de um texto do José Bonifácio no qual ele defendia o fim da escravidão, fulana teimou em afirmar o contrário. O professor ficou uma arara, pediu para que ela citasse onde foi que ela leu que José Bonifácio defendia a escravidão. Claro que ela não encontrou nada e ficou muda, cheia de vergonha. Acho que aqui ela usou o artifício da abstração de idéias contra fatos, porque deve ter raciocinado assim: como a elite brasileira era escravocrata e como José Bonifácio era da elite, então ele era escravocrata. Ô demência!, o que me faz partir para outro ponto.

VI - Ao invés de raciocinar, faz associações prosaicas de idéias

Vou citar o Olavo de Carvalho:

Para desgraçar de vez este país, a esquerda triunfante não precisa nem instaurar aqui um regime cubano. Basta-lhe fazer o que já fez: reduzir milhões de jovens brasileiros a uma apatetada boçalidade, a um analfabetismo funcional no qual as palavras que lêem repercutem em seus cérebros como estimulações pavlovianas, despertando reações emocionais à sua simples audição, de modo direto e sem passar pela referência à realidade externa.

Há quatro décadas a tropa de choque acantonada nas escolas programa esses meninos para ler e raciocinar como cães que salivam ou rosnam ante meros signos, pela repercussão imediata dos sons na memória afetiva, sem a menor capacidade ou interesse de saber se correspondem a alguma coisa no mundo.

Um deles ouve, por exemplo, a palavra "virtude". Pouco importa o contexto. Instantaneamente produz-se em sua rede neuronal a cadeia associativa: virtude-moral-catolicismo-conservadorismo-repressão-ditadura-racismo-genocídio. E o bicho já sai gritando: É a direita! Mata! Esfola! "Al paredón!"

De maneira oposta e complementar, se ouve a palavra "social", começa a salivar de gozo, arrastado pelo atrativo mágico das imagens: social-socialismo-justiça-igualdade-liberdade-sexo-e-cocaína-de-graça-oba!

Não estou exagerando em nada. É exatamente assim, por blocos e engramas consolidados, que uma juventude estupidificada lê e pensa. Essa gente nem precisa do socialismo: já vive nele, já se deixou reduzir à escravidão mental mais abjeta, já reage com horror e asco ante a mais leve tentativa de reconduzi-la à razão, repelindo-a como a uma ameaça de estupro. Tal é a obra educacional daqueles que, trinta anos atrás, posavam como a encarnação das luzes ante o obscurantismo cujo monopólio atribuíam ao governo militar.

Nem preciso dizer mais nada.

VII - Fala do que não sabe, mas fala muito mesmo

Quanto menor for o conhecimento, mais o cara gosta de dizer o que não sabe. Essa é uma lei quase universal aqui. Quando esse cara for conversar então com quem sabe, ele vai achar que está lidando com alguém da mesma laia, e tudo aquilo que quem sabe disser será tomado como se de nada soubesse.

A coisa é tão picareta que o ignorantão não se dará ao trabalho de nem pedir fontes de referência das opiniões do outro para só então tecer algum comentário. Ele vai atravessar a conversa fingindo conhecer de cor e salteado o argumento do outro, quando na verdade sabe porra nenhuma.

Outras vezes, talvez por medo de parecer burro, ele vai emitir uma opinião sem ter o menor embasamento no assunto ou vontade pessoal sobre ele. Ele vai ser compelido mais facilmente caso haja um coro. Se todo mundo disser que a economia precisa de superávits primários, ele vai dizer a mesma coisa, mesmo sem saber se a frase faz sentido. O cara blefa na cara de pau, apostando na ignorância alheia. Dependendo como for, vai se empolgar e vai blefar direto, já que todo mundo está fazendo a mesma coisa. Só que todo mundo vai estar um com o cuzinho mais apertado que o outro, porque a mentira é frágil. Se aparecer alguém para desmascarar a todos, vão tomá-lo como o capeta. Em terra de cego, caolho não é rei. Os cegos furam o olho dele.


VIII - Afeta autoridade

Isso tem a ver com o que eu disse nas últimas linhas do último parágrafo. O intelectual médio não raramente finge ser um negócio que não é. É ator. Uns fingem bem e ganham o Oscar. Os que fingem mal ganham o Prêmio Framboesa. Com o intelectual é a mesma coisa. Uns fingem que sabem e viram doutores e autoridades. Os que fingem mal se tornam caricatos. Os que são intelectuais mesmo são vistos com desdém. Esses o povo chama de "polêmicos", só porque dizem o que vêem.

Há um montão de fórmulas para fingir ser intelectual. Uma é falar difícil, mas é velha e manjada. Outra é citar livros que nunca leu nem teve vontade de ler. Outra é ostentar algum cargo ("Sabe com quem está falando? Sou professor de zetética pós-moderna da Univerdade de Cachandó do Judas"). Há bastante outras fórmulas, porque da mesma forma que há técnicas de atuação, há técnicas de fingir-se intelectual.

IX - Maniqueísmo

O intelectual médio brasileiro não gosta de afirmações peremptórias. Ele gosta das nuanças. Em relação ao problema moral, ele detesta questão de certo ou errado. Ele acha que "o mundo é cinzento". Todo burro tem essa frase como chavão.

Mesmo quando você diz que uma coisa realmente é escrota, ele vai pedir para você abrandar o que diz. "Nada pode ser tão mal ou tão bom." Dá vontade de mandá-lo para o quinto dos infernos.

Pior de tudo é que ele gosta de dizer que quem faz afirmações muito nítidas é maniqueísta. Ora xongas, que é o maniqueísmo? É buscar a acomodação entre o Bem e o Mal, de modo que ambos coexistam. O maniqueu acha que é necessário existir ambos juntinhos. O maniqueísta não é quem afirma que tudo é branco ou tudo é preto. É quem diz que tudo é necessariamente cinza. O intelectual médio brasileiro, doido que só, nem sabe, para variar, do que é que está falando.

X - Chavão

É normal que a gente caminhe entre lugares-comuns. O que não é comum é que só nos atenhamos a eles. É o que acontece quando a gente se depara com um brasileiro. Se você conhece um, parece que já conheceu todos. Adora usar chavões. Citei alguns acima. Há outros, como: "Ai, você é tão radical..." "Você tem de respeitar as diferenças..." "Olha, respeito sua opinião, cada um num canto..." "Ai, você está exagerando..." "Não existe verdade..." É foda, cara. Até desanima o papo.

Monday, October 16, 2006

Terra do Mico-Leão Dourado

Calor do cacete. Bem disse um dandy qualquer que não dá para raciocinar no calor. Só esqueceu de precisar. Eu diria que até 23ºC é possível, entre isso e 30ºC é chatinho, mais que isso é inaplicável.

Eu ia escrever um post bem bonitinho, cheio de fotos de gatinhos fofos que vi num fotolog, mas não dá. O jeito é só reclamar do calorzão e pensar num jeito de fugir da Terra do Mico-Leão.

A propósito: talvez cortar árvore na Amazônia, prender um miquinho ou sentar a mão em índio deve causar mais comoção internacional que todo peso da nossa cultura desde tempos da Colônia. Se bobear, acho que não deve faltar neguinho por aqui que ache isso um barato. Lutar para que isso aqui volte a ser um matão todo escroto, cheio de gente bárbara, nem que tenham de sacrificar tudo que já foi feito de bom culturalmente no país, deve ser o sonho de um monte de gente. Se aquela galera que fundou o Brasil soubesse que anos depois iríamos jogar na privada todos os seus esforços, talvez resolvessem fundar um império noutro canto.

Thursday, October 12, 2006

"Pio XII"

O título desse post é de um livro de 1974 e escrito por Carlos Veloso de Melo. E toma trechinho:

Ao saber da educação que as crianças recebiam nas escolas durante o governo Mussolini, onde o Estado havia recebido o direito de "formar a juventude italiana" através do lema "livro e mosquetão, o perfeito fascista", Pio XI disse ao embaixador da Itália, Cesare Maria de Vecchi: "Diga a Mussolini que seus métodos me desgostam". O diplomata replica que ele 'estaria passando da conta'. O impetuoso Pio XI então acrescenta: "Então diga-lhe que me faz vomitar, que me causa náuseas."

Mais um:

Pio XII, em seu diário: "Interessante o projeto do antigo burgomestre de Leipzig. Eliminar Hitler e Mussolini sem violência e voltar ao status quo seria, certamente, de grande proveito para as Igrejas cristãs, a começar da nossa." O papa apoiava o conspirador alemão Carl Goerdeler, que queria varrer o Führer do mapa com uma estratégia que, se tivesse dado certo, teria evitado muitas tragédias.

E mais um:

O cardeal Mundelein, arcebispo de Chicago, estranhou o fato de "uma nação tão inteligente como a Alemanha aceitar submeter-se a um pintor de paredes austríaco, uma nulidade, e a homens como Goering e Goebbels". Referia-se a Adolf Hitler, gnóstico e perfeito homem da esquerda, segundo Voegelin.

Esse Voegelin deve ser o Eric Voegelin, uma dos maiores intelectuais do séc.XX e autor do famoso "Uma Nova Ciência da Política". Em certo momento, Voegelin argumenta que o nazismo era um movimento gnóstico, da mesma tradição do marxismo, hegelianismo e positivismo, todos eles tendo como berço Joaquim de Flora e sua idéia de um mundo divido em três épocas, sendo a última a do Espírito Santo, que seria a do Paraíso na Terra. III Reich, então, não é uma mera expressão: tem como fundo a imagem gnóstica de uma época perfeita, criada por homens eleitos e impecáveis (no sentido mais estrito da palavra, please), que levariam a humanidade à Redenção. Cristianismo, aí, é só palavrório. Não tem nada de mais anticristão que isso. É por isso que, do ponto de vista religioso, nazismo e comunismo são dois flagelos.

Só para constar, vi uma vez um documentário onde aparecia manchete atrás de manchete de jornal da época da guerra, onde eram noticiadas prisões de autoridades eclesiásticas e de protestantes. Nesse mesmo documentário, algum nazi, num alocução de rádio, dizia que era preciso "colocar uma suástica no lugar da cruz em todas as igrejas". Em outro documentário, aparecia uma propaganda onde um vitral com a imagem de Jesus Cristo era partido em mil pedaços e, atrás dele, surgia um exemplar bem iluminado do "Mein Kampf", como se fosse uma Bíblia. Mensagem clara, não?

"Em Defesa de Cristo"

No post abaixo citei um pastor. Agora vou citar uma conversa que está no livro Em Defesa de Cristo, de Lee Strobel. A "aventura" de Strobel ao escrever esse livro também é legalzinha. Ele era um advogado ateu, mas ateu do tipo que gosto, o que não se mete numa jaula e sai a pesquisar sinceramente. Resolveu utilizar os métodos de jurisprudência americana na análise das provas e testemunhos. Virou tudo de cabeça para baixo, foi tirar dúvidas em conversas com vários especialistas. Investigou a fundo o problema da existência de Cristo. Adivinha qual foi o fim da história? Strobel - oh, horror! - não só se converteu como virou pastor!

O título dos capítulos são como as dúvidas de todo o cético. "Pode-se confiar nas biografias de Jesus?" "As biografias de Jesus foram preservadas de modo confiável?" "A arqueologia confirma ou contradiz as biografias de Jesus?" "A morte de Jesus foi uma fraude e sua ressurreição, um logro?" "Existem fatos secundários que apontam para a ressurreição?" etc. O capítulo final: "O veredito da história: o que as provas indicam - e o que elas significam hoje." Esse é o ceticismo saudável, aquele que move a gente a investigar mesmo alguma dúvida autêntica.

Outra coisa que é legal nesse livro é a sinceridade. Não é simplesmente porque confirma a tradição que ele é bom. Não é porque o cara de ateu virou pastor que o livro é bom. Ele é bom porque juntou três coisas que normalmente a gente faz nas coxas. Um: a compreensão do que se está investigando. Dois: a explicação do que é investigado. Três: a valorização do que é investigado.

Há tradução brasileira, meu povo. Dou até a dica de onde você pode comprá-la: aqui.

O livro todo é um conjunto de entrevistas com especialistas dos EUA sobre história do cristianismo.

A primeira é sobre a confiabilidade dos evangelhos como fontes de biografia de Jesus Cristo. É óbvio que teria de começar por aí, não é? Então quem é o entrevistado? É o historiador Craig L. Blomberg, Ph.D. O sujeito nada mais é que uma das maiores autoridades americanas sobre a história de Jesus e análise histórica dos quatro evangelhos. Agora chega de enrolação e vamos a um o trecho da entrevista:

- Por favor – eu disse com uma ponta de desafio na voz –, é possível ser inteligente e crítico e ainda assim acreditar que os quatro evangelhos foram escritos pelas pessoas que dão nome a eles?

Blomberg pousou a xícara na ponta da escrivaninha e olhou firmemente para
mim.

- A resposta é sim – disse convicto.

Recostou-se novamente e prosseguiu:

- O que importa é reconhecer que, rigorosamente falando, os evangelhos são anônimos. Mas o testemunho uniforme da igreja primitiva é que Mateus, também conhecido por Levi, o coletor de impostos, e um dos 12 discípulos, escreveu o primeiro evangelho do Novo Testamento; João Marcos, companheiro de Pedro, é autor do evangelho que chamamos de Marcos; Lucas, o “médico amado” segundo Paulo, escreveu tanto o evangelho que leva seu nome quanto os Atos dos Apóstolos.

- Em que medida a crença de serem eles os autores era consensual? – perguntei.

- Não se sabe de ninguém mais que pudesse tê-los escrito – disse ele. – Pelo que tudo indica, a autoria desses três evangelhos não era motivo de disputa.

Apesar disso, eu queria me aprofundar um pouco mais na questão.

- Perdoe meu ceticismo – eu disse. – Será que alguém não teria algum motivo para mentir, dizendo que aquelas pessoas escreveram os evangelhos, quando na verdade não o fizeram?

Blomberg fez que não com a cabeça.

- Não acho provável. Lembre-se de que aquelas personagens eram singulares – disse ele, rompendo em um sorriso. – Marcos e Lucas nem sequer pertenciam ao grupo dos 12. Mateus sim, mas era odiado porque fora coletor de impostos; portanto, depois de Judas Iscariotes (que traiu Jesus!), seria ele a figura mais abominável. Compare isso com o que aconteceu quando os fantasiosos evangelhos apócrifos foram escritos muito depois. As pessoas atribuíam sua autoria a personagens conhecidos e exemplares: Filipe, Pedro, Maria, Tiago. Esses nomes tinham muito mais prestígio que os de Mateus, Marcos e Lucas. Respondendo então à sua pergunta, não haveria por que conferir a autoria a esses três indivíduos menos respeitáveis se não fossem de fato os verdadeiros autores.

Parecia lógico, mas era óbvio que ele estava deixando comodamente de fora um dos evangelistas.

- E João? perguntei-lhe. – Ele era muito importante: na verdade, João não era tão-somente um dos 12 discípulos, ele era um dos três apóstolos mais íntimos de Jesus, juntamente com Tiago e Pedro.

- Sim, ele é uma exceção – admitiu Blomberg meneando a cabeça. – E o mais interessante é que o evangelho de João é o único sobre o qual paira uma certa
dúvida quanto à autoria.

- E qual é exatamente a objeção?

- Não há dúvida quanto ao nome do autor: era João mesmo – respondeu Blomberg. – A questão é que não se sabe se foi João, o apóstolo, ou se foi outro. Segundo o testemunho de um escritor cristão chamado Papias, em aproximadamente 125 d.C., havia João, o apóstolo, e João, o ancião, mas o contexto não deixa claro se ele se referia a uma única pessoa de duas perspectivas distintas ou a pessoas diferentes. Fora essa exceção, todos os demais testemunhos afirmam unanimemente que foi João, o apóstolo, o filho de Zebedeu, quem escreveu o evangelho.

- Mas você acha que foi ele mesmo quem escreveu? – perguntei-lhe, na
tentativa de obrigá-lo a se posicionar.

- Sim, creio que grande parte do material remonta ao apóstolo – disse ele.


– Todavia, se você ler com bastante atenção o evangelho, observará nos últimos versículos indícios de que eles talvez tenham sido finalizados por um editor. Eu, pessoalmente, não vejo problema algum no fato de que alguém próximo a João tenha dado aos versículos finais uma formulação tal que fosse capaz de conferir ao documento inteiro uma uniformidade estilística. Seja como for – sublinhou – o evangelho de João baseou-se sem dúvida alguma no testemunho ocular, a exemplo
dos outros três.

Embora estivesse satisfeito com as explicações de Blomberg, não me sentia pronto ainda para seguir em frente. A questão da autoria dos evangelhos é extremamente importante. Eu queria detalhes específicos – nomes, datas, citações. Terminei meu café e pus a xícara sobre a escrivaninha. Com a caneta em punho, preparei-me para um questionamento mais profundo.

- Vamos voltar a Marcos, Mateus e Lucas – eu disse. – Que provas específicas o senhor tem de que são eles os autores dos evangelhos?

Blomberg inclinou-se para a frente.

- Uma vez mais, o testemunho mais antigo e possivelmente mais significativo é o de Papias, que, por volta de 125 d.C., afirmou especificamente que Marcos havia registrado com muito cuidado e precisão o que Pedro testemunhara pessoalmente. Na verdade, ele disse que Marcos ‘não cometeu erro nenhum’ e não acrescentou ‘nenhuma falsa declaração’. Ele disse que Mateus preservara também os escritos sobre Jesus. Depois, Ireneu, escrevendo aproximadamente em 180 d.C., confirmou a autoria tradicional. Vejamos o que ele diz – disse ele pegando um livro e abrindo-o nas palavras de Ireneu:

...Mateus publicou entre os hebreus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundaram a Igreja. Depois da morte deles, também Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, nos transmitiu por escrito o que Pedro anunciava. Por sua parte, Lucas, o companheiro de Paulo, punha num livro o evangelho pregado por ele. E depois, João, o discípulo do Senhor, aquele que tinha recostado a cabeça ao peito dele, também publicou o seu Evangelho, quando morava em Éfeso, na Ásia.

Erguendo os olhos das anotações que fazia, eu disse a Blomberg:

- Muito bem, deixe-me ver se entendi direito. Sabendo-se com certeza que os evangelhos foram escritos pelos apóstolos Mateus e João, por Marcos, companheiro
do apóstolo Pedro, e por Lucas, o historiador, companheiro de Paulo e um tipo de
jornalista do século I, podemos afirmar que os acontecimentos por eles registrados baseiam-se em testemunhos diretos e indiretos.

À medida que eu falava, Blomberg acompanhava atentamente minhas palavras.
Quando terminei, meneou afirmativamente.

- Exatamente – disse convicto.

Ressurreição

Bem, eu queria dizer duas coisas.

Primeiro, que geralmente quem questiona a Bíblia, se ateu, é um mala. Nunca conheci um ateu, ateuzão mesmo, que fosse sério. Conheço um monte de ateus que são ateus porque vacilam, não sabem muito bem onde fundamentar a fé, essas coisas. Ok, esses eu respeito, gosto. Agora, aquele ateu ateuzão, ah, esses são um saaaaaco! Quando você discute com eles, começam a citar livros de trocentos anos atrás e que nenhum estudioso da história da religião leva mais em consideração, ou então partem para uma teologia dogmática de porta de cadeia. Puta merda, me dá raiva. Raiva tanta que não consigo na hora tocar no nervo da questão. O problema todo do ateu ateuzão é que seu argumento só é bem lógico e bem amarradinho porque ele joga fora tudo que parecer contraditório. Um cara que é religioso vive vacilando, trombando, caindo, perdido. Lá na Bíblia está cheio de histórias assim. O ateu ateuzão não. Ele segue naquele caminhozinho estreito porque de antemão joga no lixo tudo que pareça contradizê-lo. Talvez ele fique todo bobo por nunca ter tido crise de fé em seu ateísmo. Se fosse comigo, eu ia é ficar toda desesperada, porque isso significaria que eu estava ficando pirada! Só os doidos e os burros metem uma idéia na cabeça, sem que nada nesse mundo consiga modificá-la. Corações duros...

Segundo, que quem defende a religião é sensato. Você lembra do módulo? Então, mete o ateu no módulo que vai sair o religioso. Quando o religioso diz que a fé não está em oposição à razão, se ouço isso fico dando pulinhos. Isso faz sentido. Se dizem que Deus é tão enorme que é difícil de explicar, também dou pulinhos. Faz sentido também. Se dizem que ciência é boa, mas não serve para explicar tudo, dou mais pulinhos ainda. Praticamente todo ateu que conheci e que ficava lambendo o saco da ciência era um tremendo dum ignorantão em matéria científica, principalmente filosofia de ciência e - aff, desculpa aí a expressão - questões de metodologia, epistemologia. Queria ver a cara deles quando lessem aquele discurso do Einstein onde ele afirma que não há o menor nexo lógico entre a teoria e o dado.

Vou colocar aqui um exemplo da sensatez de um religioso. Você pode notar como o argumento é sereno, não tem forçação nenhuma de barra e é simples. O problema é se você o ler com má vontade. Vai fazer aquela leitura de mobral. Acho que até um muçulmano ia ficar coçando o queixinho depois de lê-lo. E só para constar, tirei daqui. Bye, bye. (OBS: Me perdoem a cagada da formatação. Não sei mexer direito nisso aqui.)

Published: April 13, 2006 12:34 pm

Solid evidence of resurrection

Apparently So
By Craig Harris
HERALD-PRESS (PALESTINE, Texas)

Today is Easter Sunday - the day we Christians celebrate the death, burial and resurrection of Jesus. But did he really rise again? If he didn't, then he was a liar — or a madman. If he didn't rise again, then our faith is useless and there is no life after death. The whole Bible is a lie, in fact, if Jesus didn't rise again.So, is there any real evidence that the resurrection of Jesus actually happened – or is it just a myth? I want to share some of the solid evidence that Jesus’ resurrection really did happen:

• First, the reliability of the Scriptures. Did you know that we have more than 25,000 manuscripts of the Greek New Testament? That is a huge amount. Some manuscripts date to within 100 years of the autographs (the original writings) and all agree with each other. (Yes, there are minor differences, but there are so many copies available we can look at them and get a very accurate picture of what the New Testament writers said.) What this means is that the Bible is extremely reliable
as a historical document.

• Second, we have writings of historians outside the Bible that corroborate the stories within it. These historians, like Pliny the Younger, Ptolemy, Tacitus and Josephus, not only mention kings, governors, dates and places found in the Bible, they also mention the disciples and Jesus himself.

• Third, the empty tomb. The Gospel writers all mention that the tomb was empty Easter Sunday morning. If there had been a body there, the Romans or Jewish leaders could have shown it and that would have ended Christianity right then and there. Remember, the tomb was well guarded. Also, in the Bible, women saw the empty tomb first — that would never happen in Jewish fiction of that day, so it must have been true.

• Fourth, Paul wrote in First Corinthians that 500 people saw Jesus after his resurrection. Paul wrote this about 20 years after the resurrection and points out that most of them were still alive and could verify what they saw. No one disputes the validity and historicity of Paul or First Corinthians, and 500 people do not have the same hallucination.

• Fifth, why would the early Christians have celebrated Communion and Baptism if Jesus had remained dead? History teaches that the Christians began celebrating The Lord’s Supper within 20 years of Jesus’ resurrection. Communion commemorates the sacrificial death of Jesus by celebrating the blood he shed and how his body was
broken. Why would they do this if Jesus’ death had been meaningless? This would be like a John F. Kennedy fan club celebrating his death instead of his life and legacy. Further, the early Christians changed the meaning of baptism from a Jewish cleansing ritual to mean "buried with Christ and raised to life with him." (Romans 6:4).

• Sixth, why would the disciples die for a lie? We see in the Gospels that they were basically cowards. Why did these timid lambs suddenly change into the lions of the faith? Yes, people die for what they believe is true, but people do not die for what they know is NOT true. History says all of the disciples died for their faith except John.

• Seventh, the emergence and growth of the church. The church started with a small rag tag group of mostly poor people who were murdered and persecuted for their belief. Within two hundred years, it conquered Rome. We name our dogs Nero and Caesar and our children John and Paul. Thousands of churches and changed lives stand as a testament to the resurrection.

• Eighth, the conversion of skeptics. Scores of non-believers, including Jesus’ own brothers, Paul and atheists, have put their faith in Christ after seeing him alive or examining the evidence.

• Finally, the ongoing encounters with Jesus today. Millions of us throughout history have had a conversion experience. We know Jesus is alive because we have felt, known and experienced him.This is the good news: that God came to earth, redeemed us and can be experienced by us. This Sunday morning, remember, we don’t celebrate the good life of a dead man, we celebrate the resurrection of a living Savior who made us, loves us, and wants to know us. Happy Easter from my family to yours.

The Rev. Craig Harris is pastor at Montalba Christian Church in Montalba, Texas, and is employed as the parent involvement coordinator for Palestine Independent School District in Palestine, Texas. Contact Harris at http://www.sycamoretreepublishing.com. His parenting column, Apparently So, runs regularly in the Herald-Press in Palestine, Texas.

Sunday, October 01, 2006

Como Dead Kennedys foi um marco em minha vida

Houve uma época na qual eu amava Dead Kennedys. Hoje em dia fico cheia de dedos. Uma amiga minha disse que a razão disso é que eu fiquei mais besta. Wow, nada disso, dear friend! É que, com o passar do tempo, fiquei maluca de um jeito diferente da minha loucura passada.

Essa banda tem um valor especial para mim. Conhecê-la, me embrenhar nela e depois fugir foi como um tipo de transformação. Bem visível.

Quando a gente fica velhinho, começa a ter vontade de contar história de quando era novo. E agora fiquei com vontade de falar de mim quando era mais nova. Será sintoma de velhice precoce? Pior que as minhas história que parecem ter acontecido há tanto tempo são de cinco ou seis anos atrás. Do meu ponto de vista, é um pedação da minha vida, mas não é nada para o vovô de 89 anos.

***

Netinhos, a vovozinha boazinha vai contar da vez que quase chorou quando viu os Dead Kennedys.

O ano era 2001. A vovó tinha na época uns 19 anos. Ela adorava de paixão o Jello Biafra. Achava que ele era o cara mais super duper do mundo e pensava seriamente em lhe enviar uma carta propondo casamento. Infelizmente ele não estava mais na banda, embora ela ainda existisse. Nunca havia escutado o novo vocalista, perdida que estava naquele passado glorioso dos DK com o Jello (sabe como é, velhinho sempre prefere o passado). O mundo continuava a girar calmamente em torno de si mesmo quando em certo dia a vovozinha recebeu uma notícia: DK em turnê pelo Brasil! DK no Rio de Janeiro! Wow! O único porém era que o Jello não viria. O vocal era outro. Mas ela juntou um dinheirinho, se programou toda e foi lá ver com os amigos. Não era longe de casa. Foi o show no clube do América, fica a uns 20 minutos de ônibus daqui de casa. O horário era meio ruim, começava tarde, mas com a escolta de amigos a mamãe querida achou que não havia problema.

Já do lado de fora deu para perceber que sobrava gente. A maior parte parecia figura de anime. Todo mundo vestido como devia para ver um show do DK: uma camisa da banda (aquela preta com uma figura oval vermelha, com um enorme DK prateado no meio), de uma outra banda qualquer, ou simplesmente de preto básico. Maior confraternização do lado de fora. Gente que nunca viu a vovó mais gorda conversando com ela como se ela fosse a maior confidente. Papo vai, papo vem, a vovozinha começa a perceber que havia uma quantidade considerável de gente bem mais velha (de bisavós para cima). Normal, porque a banda é da década de 80. Normal um monte de gente de mais de 33 anos estar vestida e se comportar como um malucos de 16 anos. Normal depois de terem ouvido até o tímpano estourar I don't wanna grow up dos Ramones.

O show foi num salão enorme. Uma decepçãozinha chegou a brotar no coração da velhinha. Um banda histórica ser relegada a um salão, ainda que imenso? Não sei o que ela esperava quando entrou no clube América. Mas o lugar ficou lotadérrimo e acho que ainda teve gente que mal entrou. Entre a banda e o público havia uma dessas proteçõezinhas para isolar área, tipo uns caveletes de metal, mas não sei como se chamam. O palco meio pequeno. A vovó quis, é lógico, ficar pertinho. Ela e sua cambada ficaram pendurados nos tais cavaletes de metal. Isso foi quando estava ainda enchendo o salão. Outras pessoas também tiveram essa infeliz idéia. Depois de um tempo havia uma porrada de gente se espremendo ali. Como a vovó foi uma das primeiras a chegar, rapidinho ela foi a primeira a ser esmagada, mal tinha começado o show. Pior que não dava para sair dali! Mas como era show dos DK, sacrifícios eram válidos. O que pensaria o noivo Jello Biafra se soubesse que a noiva tinha fugido da banda ao menor sinal de adversidade, mesmo ele estando brigado com toda a banda?

Quando a banda apareceu, foi a maior gritaria. Ninguém estava nem aí para o novo tão mal-falado vocalista Brandon Cruz, nem para o fato de a banda ter sido obrigada a usar provisoriamente o nome "DK Kennedys" (acho que por causa dos processos que o Jello moveu contra o resto do pessoal), nem para o fato de todo mundo ali ser já quarentão e usar bermudão e all-star cano longo. Dane-se! Era quase a formação original bem ali na frente de todo mundo.

O público ficou doido quando tocaram Kill the poor. A coisa ficou feia mesmo durante o Nazi punks fuck off. No meio do salão abriram um tremendo pogo (tradução: roda onde o pessoal fica se jogando um no outro) e todo mundo ficou completamente alucinado. A vovó, como não podia deixar de ser, porque quem gosta dessas coisas acha que tem que experimentar alguma vez o pogo, se meteu ali sem nem pensar. Quem ali estava deixava a vovozinha passear sem problema. Ela não recebeu trombada nenhuma. Mas percebeu que um monte daqueles caras de mais de 32 anos ficava dando pernada em quem era bobo o suficiente de passar perto deles. Toda hora alguém caía e eles riam que só. Houve um pouco mais de calmaria em Moon over marine. E quase todo mundo ficou emocionado quando os DK tocaram o hino California über Alles.

Naquele momento, parecia que os velhinhos estavam cansando, ou pelo menos o uncle Cruz. O ritmo diminuiu um pouco. Mesmo assim, o pessoal estava doido. A vovó também, embora fosse espremida até não agüentar. Mas aí aconteceu um negócio que teve repercussões no mínimo curiosas. É que, por causa da pressão do público, quem estava sendo esmagado pelos cavaletes de metal acabava tirando-os do lugar aos poucos. Se havia alguma distância entre público e palco, ela não exisita mais depois de um tempo. Então, aos poucos, no melhor estilo rock'n roll, algumas figuras começaram a subir no palco e dali se jogar. Uma garota bem maluca (não vovó, porque isso é coisa da juventude) tentou até subir na caixa de som e de lá se jogar, mas os seguranças não deixaram. Eles logo começaram a não deixar ninguém subir. Estavam tendo bastante trabalho. O detalhe é que eles agiam de cima do palco. Como um monte de gente não parava de tentar subir, a quantidade de seguranças no palco também foi aumentando, chegando ao ponto de criarem um paredão de homens de terno na frente da própria banda. O espírito de liberdade de todo mundo deve ter berrado lá no fundo da alma algo como "c'est incroyable", "c'est trop stupide"! Todo mundo começou a protestar. Até porque os seguranças ficavam empurrando qualquer um que chegasse perto. No meio da chiadeira, o uncle Cruz começou a também reclamar dos seguranças. A vovó, por causa de sua senilidade, não lembra direito o que ele disse, mas eram alguns comentários sarcásticos e coisas do tipo "Parem de encher o saco". Também pedia para que saíssem da frente. A turba entrou em frenesi. Havia então o público berrando e protestando, os DK sacaneando, e entre ambos um paredão de seguranças acuado. Naquele momento, voou uma garrafa de água mineral bem no cocoruto de um dos homens de terno. O público vibrou. Outra figura da multidão tascou uma cusparada bem na cara de outro segurança. Ele ficou fora de si! Arregalou tanto os olhos e sondava com tanta raiva o público que mais parecia estar sob efeito de entorpecentes. A situação ficou tão descontrolada que eles afinal desistiram de impedir o pessoal de subir no palco e só ficaram num canto observando. Virou uma tremenda farra o show.

No final, a vovozinha estava cansanda. Voz e audição sumiam, a roupa estava encharcada de suor, adrenalina a mil. Os amigos também estavam mais ou menos nas mesmas condições. Ela só os encontrou no final do show, porque durante eles se espalharam em meio a toda a agitação. Um deles confessou depois que foi o autor da cusparada. Um dos amigos feitos na hora morava tão longe que teve que dormir na rua, porque não passava mais naquela hora o ônibus dele. Como tinha ido sozinho, não tinha companhia para voltar. Mendigou na rua, até o sol raiar.

A vovozinha cansada e seus amigos foram todos embora, felizes e sorridentes. Alguns até dormiram na casa dela, porque moravam longe e já estava tarde. No dia seguinte, ela era toda alegria ao contar para outros amigos sobre o show. O ingresso virou relíquia.

***

A partir daquela ocasião, a empolgação pelos DK foi desaparecendo aos poucos. Tudo o que tinha de dar deu naquele show. Me livrei de tudo deles. A relíquia foi parar no aterro sanitário. As letras começaram a parecer uma coisa super idiota. A parte instrumental um nojo. Os comentário do outrora amado Jello Biafra uma estupidez sem tamanho. A atitude de processar os outros membros da banda, ao mesmo tempo que enchia o saco falando de liberdade, quebra de regras e tal, primeiro pareceu uma contradição babaca, depois uma babaquice de caráter. O que esperar desse tipo de gente? Quem adora posar de revolucionário sempre faz cretinices desse tipo. Nada mais natural. A lembrança daqueles marmanjos acima de 32 anos, se comportando daquele jeito, passou a servir de alerta. Deus me livre ficar velhinha e me vestir que nem a Siouxsie! O comportamento do público contra os seguranças, se na hora pareceu legal, hoje acho ridículo.

Mas ainda hoje acho tudo muito engraçado. Foi uma experiência curiosa. No meu caso, serviu como espécie de divisor de águas entre a Tanja em vias de se tornar uma doida completa e a Tanja de hoje. Não que eu fosse uma tremenda maconheira e coisas do tipo (embora sempre alguém achasse que eu gostava dessas coisas). Eu até sempre fui bem calminha. Mas aqui dentro tinha alguma coisa de diferente, sei lá. Eu sentia uma vontade de ter cada vez mais liberdade, o que equivalia, para mim, a tomar atitudes que pareciam meio agressivas a outras pessoas. A idéia de desordem parecia legal. Nunca a levei a ferro e fogo, mas dei umas boas namoradelas. Com o passar do tempo, acabei ficando doida de outra maneira. Hoje me acham parecida com personagem de desenho animado. Não é mais alguma coisa cujo fundo é agressivo. Aquele papo de anarquia e rebeldia contra a sociedade burra e opressora mudou.

Por isso que sempre que lembro de DK, me vem à cuca a palavra "transformação". Acho que tê-los largado foi uma superação. Várias coisas mudavam em mim, e a mudança mais visível foi quando "reneguei" aquela banda. Acho que fiquei mais boazinha no final das contas. :)