Sunday, December 10, 2006

Ímpeto de escrever sobre nada

O problema de ser nova é que um monte de vezes falta assunto. O motivo é duplo. É que, por um lado, falta experiência, por outro falta devido estudo. Por essas e outras que nós jovens acabamos falando muito de nós mesmos, porém sem dizer muita coisa aprofundada. Como dizia o antigo Aristóteles, é mais fácil dizer algo sobre aquilo que está mais próximo de nós e portanto mais distante de si mesmo que o contrário. Esse é o motivo de Goethe alertar sobre o problema da experiência na poesia. Ele dizia que o jovem só percebe um lado da coisas. A complexidade de tudo vai surgindo com o passar dos anos. E como a gente, segundo ele, deve se ater àquilo que sabe (e isso para mim é até óbvio mas na prática não é tanto assim), acontece que o jovem ainda é imaturo para expressar muitíssimas coisas. Tudo é ainda mais complicado porque nós jovens somos meio impacientes. Se a gente juntar a isso o problemão da vontade de se expressar que alguns têm (como essa que vos fala), o negócio chega a ficar feio. E como se não bastasse toda essa desgraceira, no país que a gente mora todo mundo é falastrão e tem que tomar posição de tudo, sem antes ter pensado direito a respeito. Ô vida!

(Do parágrafo anterior (que talvez tivesse ficado melhor se dividido em dois), posso dizer que no Brasil há uma estranha mistura do que há de pior na juventude e na velhice. Essa união do pior dos dois mundos forma cada um de nós. Mas não quero escrever mais uma vez sobre o Brasil. Deixa assim.)

O jeito é tentar controlar o ímpeto de escrever. Só que é como se fosse um não-sei-quê a nos atormentar, atormentar, atormentar... É gozado. Por que raios eu teria esse ímpeto se tenho a dizer tão pouco?

Por falar em ímpeto, tenho a mania de me atirar nas leituras mais misturadas. Um dia quero ficar sossegada no meu canto. De repente, surge uma vontade louca de fazer não-sei-o-quê. É estranho.

Ha! Já estou falando de mim mesma, num assunto cujo problema é... nós jovens não termos assunto, mas muita vontade de dizer alguma coisa, e acabarmos girando em torno de nós mesmos! Quer saber de uma coisa? Ah, que se dane! O texto vai ficar do jeito que está, provando por si o que sou. Não é pelo fruto que vos conhecereis?

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