Thursday, December 14, 2006

François Couperin

François Couperin, le Grand

A França sempre teve fama de lugar muito civilizado. Mas a Revolução Francesa é um belo exemplo do contrário. A queda foi tão feia que nunca mais La Fille Aînée de l’Église conseguiu se recuperar. Se vive bem, vive em função do sólido fundamento deixado por uma história milenar. (Isso prova como a revolução pode ser um mal, não poupando nem uma cultura aparentemente tão firme quanto o chão.)

A sensibilidade francesa de antes ainda pode ser percebida. Nada melhor que ouvirmos o velho François Couperin. Músico, e dos maiores, pertenceu a uma família de músicos mais ou menos do mesmo naipe da família Bach. Teve mais sorte em vida que o próprio J.S. Bach. Foi reconhecido por todos, admirado, protegido pelo rei Luís XIV. Deixou sua marca em todo um novo sistema de harmonia musical. E por falar em Bach, o alemão parece ter admirado muito o Couperin. O Concerto Italiano tem qualquer coisa de Couperin.

Foi um grande cravista francês. Sua obra máxima são as Pièces de Clavecin. Elas são um conjunto de suítes, cada uma evocando um état d'âme singular. São músicas inclusive ingênuas e poéticas, cujos títulos dão boa idéia do que são: L'ame-en-peine, La Regente ou la minerve, L'himen-Amour, Le Rossignol-Vainqueur... São a expressão máxima da chegada do rococó francês.

As músicas são belas e tenras, mas sem deixar de ter vigor. Há também bastante alegria. É música sofisticadíssima. Não é à toa. Couperin tocava para a fina flor da França de Luís XIV. Não tem nada de superficial. Em suas últimas Pièces (Couperin publicou quatro volumes distintos), o já idoso compositor chegou a criar uma obra de grande acuidade psicológica, algo parecido com o que Da Vinci fez em seus quadros. Elas têm qualquer coisa de introspectivas se comparadas com os outros volumes. Uma bela despedida.

O fundo de todas as Pièces é de alegria, através de danças e mais danças. Há também espaço para a melancolia. Mas, ainda assim, é algo meio sonhador. É um otimismo em relação à vida. Parece o meio musical para a expressão da idéia leibniziana de este ser o melhor dos mundos possíveis. A vida, no fundo, é boa. Couperin chegou a dizer que todos deveriam se ocupar apenas de música. Expressão mais feliz da obra que nos deixou.

2 comments:

Anonymous said...

hummmmm,interessante...eh vc gosta msm de escrever rs legal sua pagina tanja,ficou bacana...jah deve saber quem sou eu neh hehe qual sera o sentido da vida??hihi..bjss

Tanja said...

Brigada, esteja à vontade!