Thursday, November 23, 2006

Inspiração

Weber dizia que as idéias de repente caem nas nossas cabeças, sem que tenhamos o menor controle sobre isso. Como a chuva que cai do céu, a inspiração é uma idéia que se desgarra de não sei onde e cai em nós, dando um alô. Podemos estar sentadinhos no sofá comendo Doritos, vendo algo idiota no Youtube,, e puft!, lá vem a idéia na cuca. Tem vezes que a gente quebra a cuca até não agüentar mais, e nada da preciosa dar o ar da graça. Não é por acaso que idéia é uma palavra feminina, porque todo mundo diz que somos caprichosas. A-ha!

O modo como as idéias se comportam é um negócio muito estranho. Como explicar a inspiração? Um dia você está passeando por aí e de repente PIMBA!, vem uma sacação danada. Lembra a paixão. Você anda por aí, vê a pessoa amada, e PIMBA!, toma a flechada do anjinho (a flecha do meu anjinho faz esse barulho).

Só sei de uma coisa. O espírito tem que estar aberto para captar a inspiração. Se o espírito estiver todo ensimesmado (by Ortega), não vai captar nada. Ouvi falar que Henri Bergson fazia uma distinção entre alma aberta e alma fechada parecidíssima com o que estou dizendo. Julián Marías dizia alguma coisa parecida também. Em nossas vidas, podemos ter duas posturas antagônicas diante das coisas: a de abertura e a de fechamento. Abertura: estarmos prontos para receber a própria realidade. Fechamento: estarmos encastelados em nós mesmos, fazendo da realidade palco de idéias preconcebidas. Marías dizia ainda que a escolha da postura tem reflexo na inteligência e na moral. Eu diria que o fundamental é amar a realidade e se deixar transportar por ela.

Se eu estiver mesmo certa, temos então de sempre agradecer quando surge uma inspiração. Ela não é criação nossa. Foi-nos dada como presente. Antes de escrever um tratado, os medievais e muçulmanos faziam uma prece em honra a Deus. Santo Anselmo, por exemplo, certa vez escreveu uma prece pedindo para que o Senhor o auxiliasse em suas investigações. Eles faziam isso porque sabiam que a inteligência deles era como a Lua e a inspiração enviada por Deus como raios do Sol. A Lua é um mundo frio e pálido que só adquire vida parcial quando iluminado pelo Sol, pois nem sempre ela está em posição de receber diretamente a luz dele. Sem a inspiração, parece que a mente pifa. Não é por acaso que quando não temos inspiração dizemos que não estamos num período fértil de idéias.

Nem sempre estamos prontos para receber a inspiração. Mas quando recebemos, que a gente sinta no fundo gratidão! Como eu poderia deixar de agradecer a Jesus Cristo por ter me dado inspiração para esse e outros textos? Ainda mais eu sendo tão troncha? Valeu, Cristo!

Update, 01/01/2010: Não deixa de ler a errata.

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