Friday, November 24, 2006

Errata

No texto anterior, eu disse uma coisa errada. Comparei o ensimesmamento do Ortega ao fechamento da alma. O traseiro não tem nada a ver com os fundilhos.

Ensimesmar-se, segundo Ortega, é capacidade de todo homem de se instalar em seu mundo interior. O homem se livra das excitações do mundo e se coloca como que fora dele, entrando em contado com as idéias dentro de si mesmo. É o que faz o homem de saber, o poeta e todos os amigos da beleza e das idéias. Nós refletimos porque conseguimos, com muito esforço, recuar por um momento das circunstâncias ao nosso redor para pensar sobre elas. O bichinho, pelo contrário, não consegue. Ele está em constante excitação: tudo ao seu redor lhe toca, interfere em sua vida, não o deixa quieto. Quando nada lhe toca, dorme ou hiberna. Ele não tem vida interior, ou se tem é muito débil. Está em contante excitação por outra coisa que não a si mesmo. Como em latim outro é alter, Ortega diz que os bichinhos estão em permanente alteração, que é o contrário do ensimesmamento.

Antes que alguém pergunte, tudo isso está no primeiro capítulo do livro El hombre y la gente, capítulo este chamado... Ensimismamiento y Alteración. É muito, muito, muito legal. Acho que dá para encontrá-lo na net. Quando eu o achar, prometo que meto o link aqui no bloguinho.

Update, 01/01/2010: Ok, ok. Prometi um link para El hombre y la gente há anos. Demorei. Mas enfim cumpri! Ó pá!

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