Wednesday, November 22, 2006

A burrice resolveu dar um tempo

Pois é: agora deram para trás na decisão de exigir diploma para quem quer ser jornalista. Ainda bem. No país onde todo mundo é dotô, todo mundo é iletrado.

Essa mania de exigir diploma de tudo aqui no Brasil provavelmente tem um tempero especial. Aqui há o culto ao formalismo, coisa oca e boba. As aparências contam muito. Se você andar com um livrão debaixo do braço, o pessoal vai achar você very smart. Se falar algum negócio em tom incisivo, tomarão o jeito pela verdade. Se tiver diploma, vira dotô. Para se fazer alguma coisa de útil para o país, tem de fundar partido e ser senador ou presidente. É tudo superficial pra cacete, tudo bobo.

Formalismo é falsidade. Prezar a aparência em detrimento do conteúdo é babaca demais. Pior é que quanto mais falso o camarada é, mais questão ele fará de impor contra si mesmo uma coisa que ele não é, desde que essa coisa impressione outro bobo. O adolescente inseguro vai externar atrevimento. O idiota vai vomitar sabedoria. Tudo o que fizer já virá condenado por sua própria boca. O erro, dizia Croce, não se condena pela boca do juiz, mas ex ore suo.

Voltando à exigência de diploma para jornalismo, a tentativa de limitá-lo a só quem seja formado certamente não cessará. É aquele tipo de ousadia que não aquieta até conseguir o que quer ou levar um bicão na bunda para nunca mais voltar a encher o saco. Sou favorável à segunda alternativa, porque só quando o pessoal que não tem diploma der umas senhoras cotoveladas nessa gente pomposa que adora abrir a boca para a questão do título universitário, tudo talvez acabe bem. Talvez alguém de fora cuspindo nesse povo seja até benéfico, já que deve ser mais difícil esperar mudança de atitude em que está já com o traseiro confortavelmente instalado na cátedra. Problemas de inércia, entende? Se algum sujeito der um belo pontapé no traseiro do catedrático, quem sabe as frescuras acabam?

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