Thursday, October 12, 2006

"Pio XII"

O título desse post é de um livro de 1974 e escrito por Carlos Veloso de Melo. E toma trechinho:

Ao saber da educação que as crianças recebiam nas escolas durante o governo Mussolini, onde o Estado havia recebido o direito de "formar a juventude italiana" através do lema "livro e mosquetão, o perfeito fascista", Pio XI disse ao embaixador da Itália, Cesare Maria de Vecchi: "Diga a Mussolini que seus métodos me desgostam". O diplomata replica que ele 'estaria passando da conta'. O impetuoso Pio XI então acrescenta: "Então diga-lhe que me faz vomitar, que me causa náuseas."

Mais um:

Pio XII, em seu diário: "Interessante o projeto do antigo burgomestre de Leipzig. Eliminar Hitler e Mussolini sem violência e voltar ao status quo seria, certamente, de grande proveito para as Igrejas cristãs, a começar da nossa." O papa apoiava o conspirador alemão Carl Goerdeler, que queria varrer o Führer do mapa com uma estratégia que, se tivesse dado certo, teria evitado muitas tragédias.

E mais um:

O cardeal Mundelein, arcebispo de Chicago, estranhou o fato de "uma nação tão inteligente como a Alemanha aceitar submeter-se a um pintor de paredes austríaco, uma nulidade, e a homens como Goering e Goebbels". Referia-se a Adolf Hitler, gnóstico e perfeito homem da esquerda, segundo Voegelin.

Esse Voegelin deve ser o Eric Voegelin, uma dos maiores intelectuais do séc.XX e autor do famoso "Uma Nova Ciência da Política". Em certo momento, Voegelin argumenta que o nazismo era um movimento gnóstico, da mesma tradição do marxismo, hegelianismo e positivismo, todos eles tendo como berço Joaquim de Flora e sua idéia de um mundo divido em três épocas, sendo a última a do Espírito Santo, que seria a do Paraíso na Terra. III Reich, então, não é uma mera expressão: tem como fundo a imagem gnóstica de uma época perfeita, criada por homens eleitos e impecáveis (no sentido mais estrito da palavra, please), que levariam a humanidade à Redenção. Cristianismo, aí, é só palavrório. Não tem nada de mais anticristão que isso. É por isso que, do ponto de vista religioso, nazismo e comunismo são dois flagelos.

Só para constar, vi uma vez um documentário onde aparecia manchete atrás de manchete de jornal da época da guerra, onde eram noticiadas prisões de autoridades eclesiásticas e de protestantes. Nesse mesmo documentário, algum nazi, num alocução de rádio, dizia que era preciso "colocar uma suástica no lugar da cruz em todas as igrejas". Em outro documentário, aparecia uma propaganda onde um vitral com a imagem de Jesus Cristo era partido em mil pedaços e, atrás dele, surgia um exemplar bem iluminado do "Mein Kampf", como se fosse uma Bíblia. Mensagem clara, não?

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