Thursday, October 12, 2006

"Em Defesa de Cristo"

No post abaixo citei um pastor. Agora vou citar uma conversa que está no livro Em Defesa de Cristo, de Lee Strobel. A "aventura" de Strobel ao escrever esse livro também é legalzinha. Ele era um advogado ateu, mas ateu do tipo que gosto, o que não se mete numa jaula e sai a pesquisar sinceramente. Resolveu utilizar os métodos de jurisprudência americana na análise das provas e testemunhos. Virou tudo de cabeça para baixo, foi tirar dúvidas em conversas com vários especialistas. Investigou a fundo o problema da existência de Cristo. Adivinha qual foi o fim da história? Strobel - oh, horror! - não só se converteu como virou pastor!

O título dos capítulos são como as dúvidas de todo o cético. "Pode-se confiar nas biografias de Jesus?" "As biografias de Jesus foram preservadas de modo confiável?" "A arqueologia confirma ou contradiz as biografias de Jesus?" "A morte de Jesus foi uma fraude e sua ressurreição, um logro?" "Existem fatos secundários que apontam para a ressurreição?" etc. O capítulo final: "O veredito da história: o que as provas indicam - e o que elas significam hoje." Esse é o ceticismo saudável, aquele que move a gente a investigar mesmo alguma dúvida autêntica.

Outra coisa que é legal nesse livro é a sinceridade. Não é simplesmente porque confirma a tradição que ele é bom. Não é porque o cara de ateu virou pastor que o livro é bom. Ele é bom porque juntou três coisas que normalmente a gente faz nas coxas. Um: a compreensão do que se está investigando. Dois: a explicação do que é investigado. Três: a valorização do que é investigado.

Há tradução brasileira, meu povo. Dou até a dica de onde você pode comprá-la: aqui.

O livro todo é um conjunto de entrevistas com especialistas dos EUA sobre história do cristianismo.

A primeira é sobre a confiabilidade dos evangelhos como fontes de biografia de Jesus Cristo. É óbvio que teria de começar por aí, não é? Então quem é o entrevistado? É o historiador Craig L. Blomberg, Ph.D. O sujeito nada mais é que uma das maiores autoridades americanas sobre a história de Jesus e análise histórica dos quatro evangelhos. Agora chega de enrolação e vamos a um o trecho da entrevista:

- Por favor – eu disse com uma ponta de desafio na voz –, é possível ser inteligente e crítico e ainda assim acreditar que os quatro evangelhos foram escritos pelas pessoas que dão nome a eles?

Blomberg pousou a xícara na ponta da escrivaninha e olhou firmemente para
mim.

- A resposta é sim – disse convicto.

Recostou-se novamente e prosseguiu:

- O que importa é reconhecer que, rigorosamente falando, os evangelhos são anônimos. Mas o testemunho uniforme da igreja primitiva é que Mateus, também conhecido por Levi, o coletor de impostos, e um dos 12 discípulos, escreveu o primeiro evangelho do Novo Testamento; João Marcos, companheiro de Pedro, é autor do evangelho que chamamos de Marcos; Lucas, o “médico amado” segundo Paulo, escreveu tanto o evangelho que leva seu nome quanto os Atos dos Apóstolos.

- Em que medida a crença de serem eles os autores era consensual? – perguntei.

- Não se sabe de ninguém mais que pudesse tê-los escrito – disse ele. – Pelo que tudo indica, a autoria desses três evangelhos não era motivo de disputa.

Apesar disso, eu queria me aprofundar um pouco mais na questão.

- Perdoe meu ceticismo – eu disse. – Será que alguém não teria algum motivo para mentir, dizendo que aquelas pessoas escreveram os evangelhos, quando na verdade não o fizeram?

Blomberg fez que não com a cabeça.

- Não acho provável. Lembre-se de que aquelas personagens eram singulares – disse ele, rompendo em um sorriso. – Marcos e Lucas nem sequer pertenciam ao grupo dos 12. Mateus sim, mas era odiado porque fora coletor de impostos; portanto, depois de Judas Iscariotes (que traiu Jesus!), seria ele a figura mais abominável. Compare isso com o que aconteceu quando os fantasiosos evangelhos apócrifos foram escritos muito depois. As pessoas atribuíam sua autoria a personagens conhecidos e exemplares: Filipe, Pedro, Maria, Tiago. Esses nomes tinham muito mais prestígio que os de Mateus, Marcos e Lucas. Respondendo então à sua pergunta, não haveria por que conferir a autoria a esses três indivíduos menos respeitáveis se não fossem de fato os verdadeiros autores.

Parecia lógico, mas era óbvio que ele estava deixando comodamente de fora um dos evangelistas.

- E João? perguntei-lhe. – Ele era muito importante: na verdade, João não era tão-somente um dos 12 discípulos, ele era um dos três apóstolos mais íntimos de Jesus, juntamente com Tiago e Pedro.

- Sim, ele é uma exceção – admitiu Blomberg meneando a cabeça. – E o mais interessante é que o evangelho de João é o único sobre o qual paira uma certa
dúvida quanto à autoria.

- E qual é exatamente a objeção?

- Não há dúvida quanto ao nome do autor: era João mesmo – respondeu Blomberg. – A questão é que não se sabe se foi João, o apóstolo, ou se foi outro. Segundo o testemunho de um escritor cristão chamado Papias, em aproximadamente 125 d.C., havia João, o apóstolo, e João, o ancião, mas o contexto não deixa claro se ele se referia a uma única pessoa de duas perspectivas distintas ou a pessoas diferentes. Fora essa exceção, todos os demais testemunhos afirmam unanimemente que foi João, o apóstolo, o filho de Zebedeu, quem escreveu o evangelho.

- Mas você acha que foi ele mesmo quem escreveu? – perguntei-lhe, na
tentativa de obrigá-lo a se posicionar.

- Sim, creio que grande parte do material remonta ao apóstolo – disse ele.


– Todavia, se você ler com bastante atenção o evangelho, observará nos últimos versículos indícios de que eles talvez tenham sido finalizados por um editor. Eu, pessoalmente, não vejo problema algum no fato de que alguém próximo a João tenha dado aos versículos finais uma formulação tal que fosse capaz de conferir ao documento inteiro uma uniformidade estilística. Seja como for – sublinhou – o evangelho de João baseou-se sem dúvida alguma no testemunho ocular, a exemplo
dos outros três.

Embora estivesse satisfeito com as explicações de Blomberg, não me sentia pronto ainda para seguir em frente. A questão da autoria dos evangelhos é extremamente importante. Eu queria detalhes específicos – nomes, datas, citações. Terminei meu café e pus a xícara sobre a escrivaninha. Com a caneta em punho, preparei-me para um questionamento mais profundo.

- Vamos voltar a Marcos, Mateus e Lucas – eu disse. – Que provas específicas o senhor tem de que são eles os autores dos evangelhos?

Blomberg inclinou-se para a frente.

- Uma vez mais, o testemunho mais antigo e possivelmente mais significativo é o de Papias, que, por volta de 125 d.C., afirmou especificamente que Marcos havia registrado com muito cuidado e precisão o que Pedro testemunhara pessoalmente. Na verdade, ele disse que Marcos ‘não cometeu erro nenhum’ e não acrescentou ‘nenhuma falsa declaração’. Ele disse que Mateus preservara também os escritos sobre Jesus. Depois, Ireneu, escrevendo aproximadamente em 180 d.C., confirmou a autoria tradicional. Vejamos o que ele diz – disse ele pegando um livro e abrindo-o nas palavras de Ireneu:

...Mateus publicou entre os hebreus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundaram a Igreja. Depois da morte deles, também Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, nos transmitiu por escrito o que Pedro anunciava. Por sua parte, Lucas, o companheiro de Paulo, punha num livro o evangelho pregado por ele. E depois, João, o discípulo do Senhor, aquele que tinha recostado a cabeça ao peito dele, também publicou o seu Evangelho, quando morava em Éfeso, na Ásia.

Erguendo os olhos das anotações que fazia, eu disse a Blomberg:

- Muito bem, deixe-me ver se entendi direito. Sabendo-se com certeza que os evangelhos foram escritos pelos apóstolos Mateus e João, por Marcos, companheiro
do apóstolo Pedro, e por Lucas, o historiador, companheiro de Paulo e um tipo de
jornalista do século I, podemos afirmar que os acontecimentos por eles registrados baseiam-se em testemunhos diretos e indiretos.

À medida que eu falava, Blomberg acompanhava atentamente minhas palavras.
Quando terminei, meneou afirmativamente.

- Exatamente – disse convicto.

1 comment:

andrei quaresma said...

Deus, não somente inspirou ou, autorizou que os escritores dos autógrafos escrevessem utilizando suas capacidades naturais, como, também, preservou o que estava sendo escrito de qualquer tipo de erro. Deus também fez com que estes materiais inspirados/autorizados fossem preservado durante o tempo, de maneira que em todas as épocas a sua igreja teria o direito de conviver com a verdadeira escritura de Deus. As cópias que se seguiram, é verdade, que houve algumas que continham algumas discrepâncias, mas desde os primeiros séculos com as versões, os cristãos foram confirmando inerrantemente pelo o Espírito Santo, qual era as versões inspiradas e, ao longo do tempo foi realizado o processo de compilação da bíblia. Alguns nomes como jerônimo e Erasmo de roterdam, são exemplos de versões que cumpriam todos os requisitos de canonicidade.