Saturday, September 09, 2006

A Espectadora

Pois é, agora eu também tenho um blog.

O nome é homenagem ao meu guru Ortega y Gasset. Ele escreveu alguns de seus melhores ensaios para El espectador. É minha leitura de cabeceira-computador, porque tenho tudinho aqui no HD.

Ortega era um grande filósofo e ensaísta. Ele dominava a palavra como ninguém. Seu lema era: "A clareza é a cortesia do filósofo". Sua vocação era a vida. Ninguém como ele a admirava mais. Suas páginas todas transbordam de vitalidade, talvez tendo aí alguma marca do gênio espanhol. Além disso, toda sua obra é marcada pela importância da autenticidade. Acho que também isso não é à toa, porque, dada a sua admiração enorme pelo homem, ele tinha uma especial preocupação com a importância da vida enquanto realidade radical. Ele chegava mesmo a usar a expressão "fundo insubornável" para se referir a essa realidade última da vida da pessoa, aquilo que uma pessoa realmente é. Viver de modo autêntico é estar de acordo com esse fundo.

Ortega também era um cavalheiro. Se preocupava demais com o tema do amor. Considerava este um dos mais importantes e mais vitais temas. Escreveu páginas e páginas tentando entender como é a alma feminina, em quê ela se difere da masculina, e como a tensão entre ambas interfere na vida. Ele chegou a dizer que o motor da história (a expressão é minha) é a mulher, porque ela carrega o ideal do homem. O homem então busca ser aquilo que a mulher deseja. As épocas mais desenvolvidas são aquelas onde esse influxo é mais forte. Nosso tempo é problemático porque, dentre outras coisas, é predominantemente masculino, quase hostil ao influxo da mulher na história. Acho que um bom exemplo disso são as pessoas que acham que defender a mulher é igualá-la ao homem.

Eu gostaria de dizer mais um montão de coisas além disso. O problema é que se me deixarem escrever eu não consigo mais parar. Como não quero cansar ninguém logo de cara, então melhor parar. O que importa é que o nome deste blog é uma homenagem ao Ortega y Gasset.

Já o subtítulo* não é só modéstia. Eu sei lá como se escreve direito!? Tenho vontade de escrever um monte de coisas. Só não sei dizer se presta. Como não sou doutora nem nada, e nem teria saco de ser uma, vou aqui escrevendo sem muita pretensão. E o "notívaga" é porque só funciono de noite. A Lua é a pátria dos lunáticos.

(Amanhã direi o que escreverei neste blog. Adianto que não vai ser só sobre Ortega!)

*Update, 01/01/2010: O subtítulo era: "Escrevinhações de uma noctívaga".

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